O ARTEQUEACONTECE esteve no preview para imprensa da 33ª Bienal de São Paulo e preparou uma seleção de dez obras imperdíveis na exposição! Entre sub-mostras organizadas por sete artistas-curadores, como ilhas dentro do pavilhão, e doze projetos individuais, como pequenos mergulhos dentro da produção de um única artista, pensamos um roteiro que traz os pontos altos de cada projeto.

 

1. Mark Dion, Field Station Ibirapuera Park, 2018

Comece sua visita ainda no térreo, onde fica o acesso ao pavilhão, passando pela obra de Mark Dion. O artista americano passou semanas trabalhando pelo Parque Ibirapuera, coletando plantas, bichos e objetos que encontrava em suas “expedições”. Depois, com sua equipe e um grupo de artistas brasileiros, todos os elementos colecionados transformaram-se em aquarelas, todas identificadas com o selo do projeto e com a assinatura de cada autor. É um incrível conjunto de espécies vegetais, animais e elementos descartados como bitucas de cigarro e tampinhas de garrafa que mapeiam o Ibirapuera e contam a história do lugar, como os botânicos do século XVII e XVIII que catalogavam a flora e a fauna.

2. Tal Isaac Hadad, Recital para um massagista, 2018

Em alguns horários específicos, um grupo de cantores líricos ocupa uma espécie de átrio central dentro da curadoria de Sofia Borges, no 1o. piso. O labirinto de painéis e cortinas de veludo às vezes no conduz a esse vão onde o belíssimo canto é acompanhado de gestos e toques corporais entre os participantes. “Recital para um massagista” é um tocante exercício de proximidade e lirismo dentro de um conjunto de obras por vezes cacofônico, e expografia gritante.

3. Claudia Fontes, Nota al pie, 2018

Claudia Fontes, artista-curadora

Subindo a rampa, encontramos “O Pássaro Lento”, projeto da artista-curadora argentina Claudia Fontes. Pensando na relação de velocidade da arquitetura e circulação do prédio e trazendo referências literárias como ponto de partida para os artistas que convidou a pensar projetos especialmente para a Bienal, Fontes organiza uma bela mostra de respostas variadas e delicadas à relação narrativa entre palavra e imagem, e tem em seu próprio trabalho (um livro e uma mesa-escultura) o ponto mais alto do conjunto.

4. Lucia Nogueira

Lucia Nogueira

Ainda no segundo piso, não perca o conjunto de trabalhos de Lucia Nogueira, artista goiana radicada em Londres falecida prematuramente em 1998. Ainda pouquíssimo conhecida no Brasil, sua produção é marcada por gestos e operações simples mas muito precisas. São jogos de linguagem, articulações bem humoradas entre objeto e palavra, composições ora delicadas, ora quase violentas – como a pequena sala cheia de manchas e restos de bombinhas de São João já estouradas. É um conjunto imperdível dentro do pavilhão.

5. Lhola Amira, Phiilisa: Hlala Ngikombamthise, 2018

Dentro da curadoria de Wura-Natasha Ogunji, artista americana radicada na Nigéria, Lhola Amira realiza “aparições”, termo que emprega no lugar de performance. Com uma parede vermelha emoldurando a instalação onde atua, a artista sul-africana convida os visitantes a sentar em uma cadeira, para então lavar-lhes os pés com uma bacia de água e sal grosso. Incenso e velas completam o cenário para as “presença” de Amira, intitulada “Para ser curado: Sente-se e deixe-me te cobrir”.

6. Sturtevant

Dentro da curadoria de Alejandro Cesarco, uruguaio que propôs uma exposição intitulada “Aos Nossos Pais”, um impactante conjunto de trabalhos da artista americana (radicada na França) Sturtevant recebe os visitantes. Os vídeos meio escatológicos, meio escrachados se misturam ao papel de parede kitsch que serve de pano de fundo para duas pinturas – cópias precisas de obras de Andy Warhol. Sturtevant ficou conhecida por realizar cópias propositadamente inexatas de obras de outros artistas.

7. Sara Cwynar, “Red Film”, 2018

Na mesma ilha de obras, não deixe de ver o potente vídeo da jovem artista Sara Cwynar, canadense que realizou “Filme Vermelho” especialmente para a exposição. Com planos de imagem acelerados, linguagem similar à publicidade e imagens sedutoras de produtos, Cwynar reflete sobre as contradições do nosso tempo contemporâneo, sobre o consumismo desenfreado e sobre os padrões de beleza impostos pela mídia e pela indústria da moda.

8. Siron Franco, Rua 57, 1987

Siron Franco

Subindo ao terceiro andar, não deixe de passar pelo conjunto Rua 57, de Siron Franco, artista goiano que pintou a tragédia do acidente nuclear Césio 137 que atingiu Goiânia em 1987. O destaque dentro do corpo de trabalhos históricos resgatado pelo curador Gabriel Pérez-Barreiro é a série de desenhos realizada por Franco na época. O artista cresceu a poucas quadras de onde o elemento radioativo foi encontrado, e produziu a série como uma forma de documentar a tragédia.

9. Mamma Andersson

As pinturas de Mamma Andersson são o ponto alto de sua própria curadoria. Ao lado de pinturas religiosas e produções históricas, entre artistas suecos desconhecidos aqui no hemisfério sul, as obras de Andersson são lindas composições de fortes pinceladas, imagens nostálgicas e melancólicas, misteriosas e vibrantes.

10. Waltercio Caldas, Velázquez (Livro de Artista)

Na curadoria de Waltercio Caldas, ao lado da exposição de Andersson, é possível encontrar obras icônicas da história da arte recente (e às vezes não tão recente assim). Mas o verdadeiro destaque também são os trabalhos do artista-curador. São diversos exemplares das melhores produções de Caldas, incluindo a “pintura” resultado de manipulação digital da emblemática tela “As Meninas”, de Velázquez.

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