A Feira ARTE/FORMATTO está em sua 6º edição com a missão de conectar, através de uma feira anual, artistas brasileiros ao cenário da arte contemporânea, por meio de um extenso e elaborado trabalho de pesquisa e curadoria. Este ano, em parceria com o ARTEQUEACONTECE, preparamos uma série de matérias especiais sobre a feira deste ano! Confira aqui 5 artistas mulheres que serão destaque na ARTE/FORMATTO 2019:

 

ERICA FERRARI

O trabalho de Erica Ferrari traz a arquitetura das cidades, os prédios históricos e os monumentos como objetos simbólicos que representam muito mais do que aquilo que está mostrado. Sua pesquisa do local leva em consideração a memória e a relação que estabelecemos com o passado e busca trazer para o presente a narrativa histórica sobre as quais formamos nossas sociedades. Os ciclos históricos, as violências, as rupturas, os esquecimentos e lembranças são temas constantes em suas produções. Com o uso da fórmica, do concreto, da madeira, do gesso e do entulho, Ferrari pesquisa as relações entre arquitetura, paisagem e história, aponta para a vida nas grandes cidades e o que queremos mostrar dela e do nosso passado, problematizando as narrativas que ficaram de fora da “história oficial” que contamos e que nos é contada.

 

EDITH DERDYK

Desde sempre, sempre desenhei. O desenho é a matriz e a energia motriz de meu traça- do: ir e vir com o gra te no espaço do papel ou com a linha zapeando o espaço, quando o corpo vira a ponta do lápis. O ato de desenhar está tão calcado no meu sistema neuro- lógico que se sobrepõe à força da representação.

Costurando o espaço ao próprio espaço. O ar é entendido como matéria a ser transpassada. Da construção de um negro ‘imaterial’, resultante da soma ótica das linhas aglomeradas sobre-justa-postas. As linhas modulam e modelam o espaço, criando ritmo e pulsação, convocam especialidades

A linha não corre o mesmo risco no mesmo traço — é sempre evasão, excêntrica, escapando dela para existir. Ex- sistire: sair para fora, a pé. Linha é caminhada e caminho e caminhante. Linha é transtitiva e transitória. Locada no in nito, estamos aqui e agora, habitando o fugaz, escapando do que ca.

 

MANOELA MEDEIROS 

Manoela Medeiros é artista visual, vive e trabalha entre o Rio de Janeiro e Paris. Foi indicada ao prêmio PIPA 2018 e participou das exposições individuais “Poeira varrida”, na Galeria Fortes D’Aloia & Gabriel, em São Paulo, e da individual “Falling walls”, na Double V Gallery, em Marseille, ambas em 2018. Já apresentou seu trabalho na Galeria Thaddaeus Ropac (Paris), Fundação Iberê Camargo (Porto Alegre), Fortes D’Aloia & Gabriel (São Paulo), Caixa Cultural (Rio de Janeiro), Le Beffroi (Paris), entre outros. Concluiu residências artísticas na Pivô, em São Paulo, e na Cité Des Arts, em Paris. Em suas pesquisas, utiliza diferentes linguagens, como escultura, pintura e instalação, dialogando com a geografia dos espaços, produzindo novas reflexões sobre cartografia e arqueologia.

Manoela questiona sua percepção sobre o espaço e usa a escavação como um processo para construção da obra. Esse processo de construção do trabalho, ao mesmo tempo em que desconstrói um objeto – uma parede, por exemplo – busca revelar outras camadas presentes, outras camadas de histórias que, por vezes, estão escondidas e precisamos descobri-las e problematizá-las. Medeiros questiona a relação do homem com o espaço, com a solidez dos objetos, provocando um diálogo entre a matéria sólida, a geometria, as formas e formatos diferentes e o que podemos depreender de cada aproximação e desconstrução que fazemos.

 

ANNA PAOLA PROTÁSIO

A artista visual Anna Paola Protasio trabalhou vinte anos com arquitetura e design de mobiliário. Em 2007, desvia seu caminho para as Artes Visuais. De acordo com a crítica de arte e curadora Marisa Florido Cesar, Anna Paola mostra em seu trabalho a herança construtiva da arte. No entanto, continua Marisa, “a artista introduz a abstração e o rigor da geometria, elementos sensíveis que vêm perturbar a rigidez das estruturas e da vontade da ordem e da universalidade de construir tradição. Muitas de suas obras são erguidas com objetos do cotidiano pilhados e esvaziados de sua função utilitária. Mudou-se para o mundo da arte, tais repetida e reestruturado objetos (como escadas e cones) ou unidade(como cones de tricô), gigantescas ou minúsculas, pesados ou frágeis, compõem um repertório poético visual de sonhos e de dor, ficções e memórias, solidão e medos. Revela, finalmente, entre o cálculo estrutural e as afeições inesperados, a insustentável leveza de dias e seres. ”

O curador e professor Cesar Kiraly nos fala que Protasio se sente atraída por questões que reputamos de primeira grandeza. A aparente dispersão de sua obra é sentida apenas por quem não reconhece a capacidade da arte contemporânea enfrentar as dúvidas mais importantes. Se muitos artistas se sentem confortáveis com a repetição de um único tema, ou com pequenas mudanças, de modo a fugirem da tensão causada pelo desconhecido, tal não ocorre na pesquisa dela. Não só ela insiste nas mais radicais buscas de material, e de portentosos formatos, como nunca se põe a frequentar perguntas para as quais já se sabe as respostas.

 

VALÉRIA COSTA PINTO

Valéria Costa Pinto é artista visual e vive e trabalha no Rio de Janeiro. Participa de diversas exposições individuais desde 1991, como “Impermanências” (Largo das Arte, Rio de Janeiro), “Pela janela” (Galeria do Porto, Angra dos Reis), ambas em 2011, e Brazilian-American Cultural Institute (Washington DC, USA, 1995), entre outras. Como exposições coletivas, participou de “Labirinto” (Centro Cultural Oduvaldo Viana Filho, Rio de Janeiro, 2013), Galeria Cité Internationale des Arts (Paris, França, 2005) e outras. Foi contemplada com o prêmio “Honra ao Mérito Arte e Patrimônio” (Paço Imperial, Rio de Janeiro, 2014). Faz parte das publicações “Ser Artista – Entrevistas”, de Claudia Tavares e Monica Mansur (Editora Binóculo, 2013), “Laços do Olhar – Roteiros entre o Brasil e o Japão”, de Paulo Herkenhoff (Instituto Tomie Ohtake, 2009) e “Significação 31- Revista de Cultura Audiovisual”, de Maurício Lissovsky (Editora Anna Blume, 2009). Recentemente lançou “Percursos da dobra”, no Rio de Janeiro, livro que reúne texto inédito de Luiza Interlenghi e textos de outras épocas escritos por Paulo Sergio Duarte, Adolfo Montejo Navas, Mauricio Lissovsky, Marcia Mello, Masé Lemos, Denise Carvalho, entrevista com Paulo Herkenfoff e uma poesia inédita de Tunga.

O trabalho de Costa Pinto transita entre a escultura, o objeto, a fotografia, o vídeo e o desenho e coloca, em sua forma, as dobras e os desdobramentos de materiais para criar formas escultóricas a partir desse processo. A geometria articulada em sua produção dá volume ao objeto e o coloca em um espaço, estudando, assim, essa relação. Baseada na proposta dos origamis da cultura japonesa, as obras de Valéria Costa Pinto se diferenciam por não buscarem como resultado a elaboração de um objeto figurativo, mas sim a busca por novas formas e entendimentos dessa matéria que está sendo manipulada. Dobrar, redobrar e desdobrar criam infinitas possibilidades e são essas figuras criadas no movimento que representam a tônica de sua poética.