No espírito das férias de verão no hemisfério Sul, o ARTEQUEACONTECE preparou uma lista para os ávidos leitores que também são amantes das artes visuais. Confira aqui nossa seleção!

 

1. Leviatã, de Paul Auster

A artista francesa Sophie Calle serviu de inspiração para a construção da personagem Maria, figurante no romance Leviatã, do autor americano Paul Auster. No livro, Maria é uma artista meio misteriosa, que realiza trabalhos iguais aos que Calle produziu ao longo dos anos 1980 e 90. Para quem conhece a obra da francesa, sabe que perseguições a estranhos na rua, viagens impetuosas, rituais esquisitos e muita metalinguagem marcam suas séries fotográficas e escritos. Ainda que a trama central do romance não gire em torno de Maria, este é um dos melhores livros de Auster, e definitivamente vale a leitura.

 

2. Histórias Reais, de Sophie Calle

A escrita também é parte intrínseca da produção de Calle, que mistura sua prática conceitual e em fotografia com textos e ensaios, diários e relatos em primeira pessoa. Em “Histórias Reais”, a artista supostamente conta experiências autobiográficas que sempre nos deixam na dúvida sobre onde se traça a fina e sutil linha entre realidade e ficção. Os textos são curtos e contam as aventuras de Calle de maneira dinâmica e envolvente, nos atraindo cada vez mais para dentro de seu universo estranho, construído, real e fictício. Uma leitura intrigante!

 

3. A Realidade do Artista, de Mark Rothko

Rothko foi um dos maiores pintores do século XX, e um expoente central do expressionismo abstrato. No entanto, o artista também escrevia proficuamente sobre a arte contemporânea e seu tempo. Rothko nunca chegou a publicar nada em vida, mas um manuscrito – provavelmente escrito em torno de 1940 – permaneceu guardado em um galpão por muitos anos, o que levou à publicação do livro “A Realidade do Artista” em 2004. Nele, o artista discute a história da arte, a arte moderna, as ideias de mito e beleza e os desafios de ser artista na sociedade. Leitura imperdível para fãs de Rothko!

 

4. História da Beleza, de Umberto Eco

5. História da Feiura, de Umberto Eco

Apesar de não serem estritamente livros de história da arte ou sobre estética, Umberto Eco se vale dessas duas disciplinas para traçar a genealogia e a evolução dos conceitos do belo e do feio em duas grandes publicações. Sua linguagem rebuscada logo se torna familiar e a habilidade do autor de contar histórias faz com que rapidamente mergulhemos nas reflexões sobre as transformações das ideias de feiura e beleza, desde a Antiguidade. Leitura longa, mas que vale a pena!

 

6. Louise Bourgeois e modos feministas de criar, de Gabriela Barzaghi De Laurentiis

Escrito pela artista e pesquisadora Gabriela De Laurentiis, “Louise Bourgeois e modos feministas de criar” aborda a produção da icônica artista francesa e sua polêmica exploração de temas como sexualidade, corpo, maternidade, família e desejo. O livro traz elementos inéditos e análises frescas sobre uma figura sobre a qual já se escreveu exaustivamente. O prefácio escrito pela historiadora da arte e pesquisadora Patricia Mayayo (que investiga a historiografia feminista e a história das mulheres) destaca o quanto a publicação é surpreendentemente original. O livro aborda obras “menores” da artista, mas não menos importantes para conhecer Bourgeois sob uma nova perspectiva. Leitura poética e emocionante.

 

7. Degas Dança Desenho, de Paul Valéry

O poeta e pensador francês traça um profundo perfil de seu conterrâneo e amigo, o modernista Edgar Degas, em um livro sensível sobre um artista solitário e meio em descompasso com seus colegas impressionistas, tendo como pano de fundo a efervescente Paris do final do século XIX. Este é talvez o mais importante texto de Valéry, publicado em 1936, no qual mistura lembranças e recordações pessoais com precisas críticas estéticas sobre a produção de Degas. Leitura que passa voando.

 

8. Grapefruit, de Yoko Ono

Cheio de pequenos haicais, instruções, ilustrações e peças conceituais e musicais, “Grapefruit” é também uma obra de arte em si mesmo. Publicado em 1964, contém as principais normativas elaboradas por Yoko na primeira década de sua carreira como artista visual – obscurecida por seu relacionamento conturbado com o gigante músico John Lennon. Independente de seu relacionamento com o Beatle, Ono foi e é uma das grandes artistas conceituais de seu tempo, e “Grapefruit” nos traz diversas de suas obras, ao mesmo tempo que nos dá insight sobre seu processo criativo e a maneira como ela encarava sua produção – música, poesia, desenho, vídeo, corpo. Para ler e reler sempre.