Rirkrit Tiravanija

Este é, talvez, um dos artistas que mais é associado ao uso da comida em seu trabalho. Tiravanija, filho de um diplomata de origem tailandesa, viveu e estudou no Canadá e nos Estados Unidos nos anos 1980. Suas instalações tomam forma de palcos ou espaços/ salas especialmente desenhados para compartilhar refeições, cozinhar, ler ou tocar música – fundamentalmente, sobre reunir pessoas. As instalações do início dos anos 1990 já envolviam o artista cozinhando para os visitantes das galerias, como com Pad Thai (1990), na Paula Allen Gallery em New York. Uma de suas mais recentes ações foi a criação de uma sala para a cerimônia do chá, em Cingapura, em 2018. 

 

Gordon Matta-Clark 

Matta-Clark foi um artista conhecido pela pesquisa e produção de obras criadas especificamente para espaços e lugares determinados (site-specific), intervenções urbanas, e principalmente pelos cortes que realizava em prédios e casas abandonadas. Um de seus projetos mais ousados foi o restaurante chamado FOOD, no SoHo, em Nova York, onde artistas se reuniam para comer e socializar. Foi considerado um negócio, tanto quanto uma ação artística – intervenção no ambiente urbano. O restaurante funcionou entre 1971 e 1974, período durante o qual nomes como Donald Judd, Robert Rauschenberg e John Cage criaram pratos e refeições no projeto. 

 

Sophie Calle

Sophie Calle é uma artista conceitual francesa que vem misturando as esferas íntimas e a arte desde o início de sua produção, nos anos 1980. Normalmente Calle realiza projetos nos quais mistura a vida privada e a pública, seguindo estranhos na rua, convidando pessoas a dormir na sua cama, criando narrativas fictícias sobre si e outras personagens. Mas, tudo isso é feito de uma maneira que mais que fotógrafa ou artista performática, Calle pode ser tida como escritora. Aliás, a sua matéria-prima gravita sempre em torno de algum tipo de mídia acompanhada de textos. Em um de seus livros, um trabalho muito intrigante é o qual a artista segue, assim como a personagem de um livro de Paul Auster, uma dieta cromática por uma semana, seguindo os tons laranja, vermelho, branco, verde, amarelo e rosa. No último dia da semana, a artista recriou todas as refeições em uma mesa, um incrível banquete cromático.

 

Jorge Menna Barreto 

O projeto Restauro (2016), de Jorge Menna Barreto, foi apresentado na 32a Bienal de São Paulo, intitulada Incerteza Viva. A obra criada especialmente para o evento levantava questões acerca da construção dos hábitos alimentares e sua relação com o ambiente, a paisagem, o clima e a vida na terra. Operando como um restaurante cujo cardápio, elaborado com a nutricionista e chefe Neka Menna Barreto e a Escola Como Como de Ecogastronomia, priorizava a diversidade do reino vegetal de origem agroflorestal, Restauro propiciava uma experiência de metabolização e digestão, tanto física quanto mental. O projeto propunha um despertar para os usos da terra e as consequências globais de nossas escolhas. Entendendo o nosso sistema digestivo como ferramenta escultórica, os comensais tornam-se participadores de uma escultura ambiental em curso, na qual o ato de se alimentar regenera e modela a paisagem em que vivemos.