Para quem estiver em Berlim aproveitando a 10a edição da Bienal da cidade (entre junho e setembro), ou viajando para conhecer uma das capitais mais incríveis da Europa, a equipe do ARTEQUEACONTECE preparou um roteiro de atrações imperdíveis, às vezes até pouco conhecidas, mas que qualquer pessoa vai amar explorar.

Comece separando alguns dias para poder percorrer todos os pontos obrigatórios para quem gosta de arte contemporânea: Berlim é um dos lugares com a maior oferta de exposições, performances, instalações e todo tipo de programa fascinante. São mais de 170 museus e outros tantos incontáveis espaços independentes.

Para além de visitas que todo guia de viagem indica à “Ilha dos Museus”, ao Hamburger Bahnhof ou à East Side Gallery (mural de graffiti de mais de 1km de comprimento), não deixe de fazer uma parada na cervejaria abandonada que foi transformada em espaço artístico. O KINDL é mais conhecido pela oferta abundante de exposições e projetos em suportes mais inusuais, como performances e screenings de filmes e vídeos de artistas. Em cartaz até 15/07/18 está a exposição do duo de artistas suíços Taiyo Onorato & Nico Krebs. Em agosto o espaço também recebe a 30a edição do fantástico festival internacional Tanz im August, repleto de performances, peças de dança e ópera.

Um “segredo” não muito bem guardado da cidade é o Bunker, conhecido como a Boros Collection, uma coleção particular de arte contemporânea que pode ser visitada com agendamento prévio. As obras em exposição datam dos anos 1990 até o tempo presente, e ocupam um antigo bunker de guerra convertido em espaço expositivo. As visitas precisam ser agendadas com antecedência por aqui, e custam €15.

Outra grande instituição que pode passar sob o radar dos guias mais gerais é o KW Institute, uma organização que não possui coleção própria mas sim um surpreendente programa de projetos e exposições. O centro cultural é formado por diversas salas expositivas diferentes, com uma programação super variada. Desde sua criação há mais de 20 anos, o KW também organiza performances, cursos e eventos nacionais e internacionais, com o programa de residências tendo muito destaque nos últimos tempos. Este semestre, o espaço é uma das instalações da Bienal, mas também há outros projetos em cartaz, como a instalação inédita de Lynn Hershman Leeson, “The Novalis Hotel“. 

Já o SAVVY Contemporary é um dos mais importantes espaços independentes da cidade. Fundado em 2010 pelo curador Bonaventure Soh Bejeng Ndikung, o SAVVY opera como um laboratório de experimentação, espaço artístico, plataforma discursiva e espaço de convivência. O objetivo do projeto é desconstruir narrativas hegemônicas a partir de reflexões sobre os poderes dos sistemas dominantes. O SAVVY tem como centro de suas atividades a urgência de deliberar, experimentar e vivenciar as questões de convivência e hospitalidade, lidando com problemas tão históricos quanto atuais, como xenofobia e violência racial e de gênero. Em cartaz os visitantes encontrarão duas potentes reflexões sobre esses assuntos: a exposição “Whose Land Have I Lit on Now?”, com participação de artistas como Mounira Al Solh, participante da última edição da documenta de Kassel, e o projeto de pesquisa sobre o feminismo “We Who Are Not The Same“.

Entre uma passada e outra nos monumentos marcantes do lugar, como o portão de Brandemburgo e a Alexanderplatz, Berlim também oferece uma das maiores concentrações de galerias de arte do mundo! Não perca a chance de visitar a Capitain Petzel, não apenas pela arquitetura modernista soviética do prédio que a galeria ocupa, mas principalmente pelo programa primoroso e pelo rol de grandes artistas representados. A galeria é resultado da fusão entre dois galeristas: o americano Friedrich Petzel e a alemã Gisela Capitain. No próximo dia 22/06/18, o espaço abre a mostra “Open Secret“, da artista e ativista Andrea Bowers.

Já a König Galerie apresenta o ambicioso projeto da jovem artista suíça Claudia Comte, “When Dinosaurs Ruled the Earth”, um ambiente imersivo composto por árvores, esculturas, e uma vídeo-instalação que ocupa o espaço de uma nave de igreja. A mostra reúne aspectos múltiplos do denso trabalho de Comte, principalmente o uso de materiais diversos como bronze, madeira, e mármore. A artista empregou tecnologias defasadas e superadas em seus trabalhos, ao mesmo tempo que criava formas e linguagens contemporâneas.

Por fim, uma galeria imperdível é a Barbara Wien, que está com uma mostra da mexicana Mariana Castillo Deball em cartaz. Intitulada “das Haut-Ich”, a exposição explora a relação entre entidades de superfície – o cérebro e a pele –, emprestando do psicanalista francês Didier Ansieu os termos e seus conceitos. Deball traz para a galeria uma nova série de esculturas, desenhos e intervenções que traçam um paralelo entre o corpo e a forma com que medimos o tempo e o espaço, tomando como ponto de partida um antigo calendário asteca.