O trabalho de David Almeida, brasiliense residente em São Paulo, centra-se em torno da pintura – sua pesquisa foca-se na representação pictórica dos espaços interiores. Apesar de também explorar suportes como desenho, fotografia e até performance, é na linguagem da pintura que Almeida desenvolve seu vocabulário mais expressivo. Seu interesse pela apreensão de cantos e espaços menos óbvios se transforma em cenas inabitadas de janelas e chãos, paredes e objetos domésticos, em uma narrativa sutil sobre a intimidade de um lugar sem relevar quem são seus personagens, seus habitantes. São seus lugares pessoais que informam as obras que cria

O universo particular do artista às vezes dá lugar à paisagem urbana externa, com registros afetivos dos seus percursos na rua, dos elementos que prendem o olhar e da memória da vivência da cidade. São pequenos detalhes, acidentes visuais e matérias arquitetônicas que Almeida constrói em suas séries paisagísticas, que da mesma maneira mantém-se inabitadas, apenas evidenciando os vestígios humanos.

Seus trabalhos também ganham um aspecto, por vezes, instalativo, devido à disposição das pinturas e composição das telas. O foco na arquitetura e na tradução de espaços tridimensionais em imagens bidimensionais também se desdobra no uso de diversos painéis que, juntos, formam a imagem final – mesmo com alguns desencontros acidentais ou lacunas intencionais.

David Almeida nasceu em Brasília e formou-se em Artes Plásticas pela Universidade de Brasília, em 2012. A série de trabalhos ‘ele estava de pé em um quarto vazio’, uma análise do espaço íntimo por meio de pinturas-instalaçõese ‘Sobre Habitar o Invisível’, trabalhos produzidos após as residências que realizou em 2014/2015, estiveram presentes em importantes exposições nos últimos dois anos. Premiado em 2013 no 12o Salão de Arte de Jataí e em 2014 pelo 20o Salão Anapolino de Arte, participou de coletivas como BRAZIL: ARBEIT UND FREUNDSCHAFT, no Espaço Pivô, em São Paulo; Retrato Brasília, no CCBB Brasília; e 20 – Pintura e Pictorialidade em Brasília de 2000/2014. Também participou da Residencia Artistica – FAAP no segundo semestre de 2014. No final de 2015, realizou a imortante exposição coletiva Turvas Narrativas na Orlando Lemos Galeria, em Belo Horizonte.

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