Elaine Arruda é uma artista paraense que vive entre Belém e São Paulo. Sua produção ocupa primordialmente o campo da gravura, mas em uma escala monumental. Formada inicialmente em psicologia, fundou o Atelier do Porto, além do Coletivo Aparelho, ambos em Belém. Mestre em Artes Visuais pela ECA-USP e doutoranda pelo mesmo programa, Arruda vem pesquisando as possibilidades expandidas da gravação usando equipamentos industriais em uma metalúrgica na região portuária da capital paraense.

As chapas usadas pela artista têm sempre pelo menos 1 metro de largura e até 3 metros de comprimento, e recebem intervenções de ferramentas pesadas (martelos, soldas, maquitas, formões, marretas), além de dependerem de grandes calandras para o processo de impressão. As prensas artísticas em geral têm tamanhos restritos, e o uso de equipamentos desse calibre permitiram que Arruda desenvolvesse uma investigação gráfica em grande dimensão. O resultado desses experimentos são escuras paisagens abstraídas  construídas pelas violentas marcas das matrizes. O papel carrega marcas finas, áreas de depressão e até rasgos e furos infligidos pela chapa. Suas obras muitas vezes são compostas de séries de gravuras que, alinhadas, somam 13 metros de comprimento, em paisagens contínuas que ora lembram a floresta, ora as embarcações no porto, ora impressões e decalques orgânicos.

Mas Arruda também desenvolve outras pesquisas paralelas ao trabalho com a gravura, entre linguagens como desenho e aquarela, e também instalação e intervenção urbana. Um de seus projetos mais recentes foi a criação de “Mastarel”, uma espécie de adorno de mastros de barcos típicos da região Marajó (chamado de ‘mastaréu’), que não cumpre nenhuma função naval, apenas estética. A artista produziu, junto ao carpinteiro naval João Aires, um grande mastaréu colorido e iluminado, instalado no topo do Mercado do Porto do Sal de Belém. A documentação do trabalho está atualmente em exposição no Centro Cultural São Paulo, como parte do Programa de Exposições 2018.

Elaine Arruda é Doutoranda e Mestre em poéticas visuais pela ECA/USP (Universidade de São Paulo). Artista visual e educadora, atua como docente em artes no campo do desenho e da gravura. Foi contemplada com o Programa de exposições 2018 do Centro Cultural São Paulo; com o Prêmio de Experimentação, Pesquisa e Difusão Artística da FCP, em 2016; e no Programa Rede Nacional Funarte Artes Visuais 12a edição, em 2015. Recebeu a Bolsa Funarte 2013 e a Bolsa de Pesquisa e Experimentação Artística, IAP, em 2010 e 2013. Realizou residências no JA.CA (Jardim Canadá), Belo Horizonte; no Centre d’artiste Engramme (Méduse) e no Centro de Estudos da Imagem impressa Press Papier, em Québec, Canadá. Participou de mostras individuais e coletivas, dentre elas: Salão Arte Pará 2014; Circuito das Artes 2014, Projeto Triangulações; Cheio de Vazio, Instituto Tomie Ohtake; Paisagem Suspensa, SESC Boulevard, Belém; Imensidão Íntima, Museu Casa das 11 Janelas, Belém; É preciso confrontar as imagens vagas com gestos claros, Oficina Cultural Oswald de Andrade; Outras coisas visíveis sobre papel, Galeria Leme, São Paulo; Vento Norte, Galeria Gravura Brasileira, São Paulo.

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