No dia 13/08/19, às 19h, o MIS realiza o Ciclo de Cinema e Psicanálise com exibição do documentário “Espaço Além – Marina Abramovic” e o Brasi, de Marco Del Fiol e distribuído pela ELO Company. O programa é uma parceria com a Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo e apoio da Folha de S.Paulo. A sessão, que tem entrada gratuita e acontece no Auditório MIS (172 lugares), será seguida de debate com o psicanalista convidado João Frayze-Pereira e com o jornalista Silas Martí. A diretora de Cultura e Comunidade da SBPSP, Luciana Saddi, mediará a conversa.

Espaço Além – Marina Abramovic e o Brasil (dir. Marco Del Fiol, 2015, Brasil, 86’, documentário, digital)

Em busca de cura pessoal e inspiração artística, Marina Abramović viaja pelo Brasil experimentando rituais sagrados e desbravando os limites entre arte e espiritualidade. Até onde ela iria para compor novas obras de arte? O filme faz um registro etnográfico enquanto observa os processos de apropriação artística e humana de Marina. Ela entra em contato com os rituais do Vale do Amanhecer, o xamanismo na Chapada Diamantina, o candomblé na Bahia e os cristais de Minas Gerais.

A mundialmente conhecida artista de performance Marina Abramovic viaja, a procura de cura espiritual, por lugares místicos e comunidades religiosas do Brasil. As mais variadas formas de crença e expressões da religiosidade não oficial do país estão no centro do filme. A fé ganha contornos, rituais e palavras. Há mestres e guias. O saber popular emerge em condições precárias ou duvidosas, situa-se entre o abandono e o desamparo, mas oferece os mais variados lenitivos ao sofrimento. Comunidades religiosas fincam raízes em lugares distantes. Suas práticas são esdruxulas à modernidade.

A artista quer se recuperar, se curar da dor psíquica após o fim de um relacionamento amoroso muito significativo. Ela se entrega aos curandeiros. Dor, perda e fé se entrelaçam em práticas religiosas não convencionais. A própria prática de performance, a arte de Abromovic, se assemelha aos rituais expostos pelo filme ao visar a transcendência e a comunhão do artista com a obra.

“Momentos de crise são importantes para a psicanálise. São oportunidades de transformação e autoconhecimento. Angústias e sofrimentos apesar de perturbadoras trazem revelações. Movimenta.”, explica Luciana Saddi. “A psicanálise em sua condição de saber, tratamento e método de investigação conjuga arte e dor, sofrimento e religião, fé e necessidade, ilusão e realidade”, completa.

Os rituais e crenças religiosas tamponam ou dão forma ao desespero? A performance artística visa resgatar o inconsciente profundo e diz respeito ao sagrado que acompanha toda e qualquer cultura humana desde os tempos primordiais? Ou rituais espiritualizados são manifestações sociais que visam tirar proveito da fragilidade e ignorância dos aflitos? E as expressões artísticas sublimam a dor ao resgatarem as verdades humanas ou delas se aproveitam? Estas e outras questões estarão no cerne do debate.

Sobre os convidados

João Frayze-Pereira é psicanalista e professor. Graduação, Mestrado, Doutorado e Livre-docência no Instituto de Psicologia da USP. Pós-doutorado em Estética na École des Hautes Études en Sciences Sociales, Paris. Professor do Instituto de Psicologia e do Programa de Pós-Graduação Interunidades em Estética e História da Arte da USP. Membro efetivo e analista didata da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo (SBPSP) e da International Psychoanalytical Association (IPA). Membro da Euro-Latin American Psychosomatics School (EULAPS), sediada em Moscou, Russia, na qual é supervisor e docente. Membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte (ABCA) e da Association Internationale des Critiques d’Art (AICA). É autor de livros e artigos relacionados aos seguintes campos: Arte e Psicanálise; Estética e Clínica Psicanalítica; Corpo, Arte e Dor; Loucura e Cultura; Crítica às posturas objetivista e subjetivista na Psicologia e na Psicanálise; Crítica de Arte, Psicanálise e Estética da Recepção.

Silas Martí é editor da Ilustrada, caderno de cultura da Folha de S.Paulo. Foi correspondente do jornal em Nova York, repórter da Ilustrada e trainee. Jornalista pela USP e especialista em curadoria e crítica de arte pela PUC-SP, também é mestre em arquitetura e urbanismo pela USP. Estudou história da arte na Università degli Studi di Genova, na Itália, e se especializou na cobertura do mercado da arte contemporânea no Sotheby’s Institute of Art, em Nova York. Em 2015, venceu a bolsa Knight-Wallace Fellows da Universidade de Michigan, pela qual pesquisou em Detroit o quadro de falência urbanística que arrasou a antiga capital do automóvel. Recebeu o prêmio Antônio Bento da Associação Brasileira de Críticos de Arte por difusão das artes visuais na mídia.

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