A obra de Ernesto Neto envolve um constante imaginar outras possibilidades de estar no mundo, outros modos de convivência entre as pessoas e delas com o ambiente, a natureza, a espiritualidade. Neste sentido, suas instalações mais recentes têm sido concebidas para acolher celebrações coletivas em reverência à essas esferas a partir de saberes ancestrais.

A instalação inédita Cura Bra Cura Té, parte da exposição Ernesto Neto: Sopro e concebida por ele especialmente para o Octógono da Pinacoteca, faz referências às diversas culturas que moldaram o Brasil. Essa traz como elemento central uma peça de madeira de três metros de altura, semelhante à um tronco, instrumento oficial de tortura, que simboliza um sistema escravocrata contemporâneo encoberto que, segundo o artista, ainda rege a estrutura econômica nacional e internacional.

Uma de suas extremidades tem como “raiz” um tapete com o mapa territorial do Brasil, rodeado de cores que aludem à mestiçagem nacional. O tronco, oco, foi preenchido por mercadorias que tem sido protagonistas da economia brasileira ao longo da história (açúcar, café, ouro, soja). Suspensa sobre a outra extremidade do tronco, há uma “copa” de crochê em formato de gota carregada de folhas curativas provenientes de culturas indígenas e afro-brasileiras.

Ciclo 1 | 13.04 – 11h às 16h

Tema:

Ha’i Miri’ī Kuery pe Ka bo íyá wa | Para cultuar nossas mães

As mães são aquelas que garantem a continuidade da humanidade, necessárias para fazer girar o ciclo da vida.  A transformação feminina do mundo garante um balanço social e ecológico. Propõe-se assim um encontro e rito com as nossas mães primordiais, de origem indígena e africana, a fim de ampliar a possibilidade da emergência de novas formas de interação com nosso corpo físico e social.

Programação:

11:00h – Meditação com Yemisi (30 min)
11:45h – Banho – movimento da obra (15 min)
12:00h – Fala sobre Alimentação + Almoço com EBÉ (1:30h)
13:30h – Fala sobre Luísa Mahin e Luiz Gama com Ligia Ferreira (30min)
14:00h – Cura com Jerá Guarani e Mãe Celina de Xangô (1h)
15:00h – Roda de conversa (1h)
16:00h – Finalização