Sem expor individualmente na cidade de São Paulo desde 2015, Renata Tassinari apresenta um recorte de sua produção mais recente em sua primeira exposição na Galeria Marília Razuk. Trata-se de três conjuntos de trabalhos nos quais a artista explora de maneira diversa elementos marcantes de sua poética desde meados dos anos 2000: as relações entre cor a partir de uma estrutura combinatória aparentemente simples, e o jogo com o espaço arquitetônico.

É também nesta década que o trabalho irá se constituir de maneira original na tensão entre a autonomia das cores e a fisicalidade do material, quando a artista incorpora a superfície do acrílico e a textura da madeira na composição. Neste momento, os trabalhos ganham em intensidade ao tencionar os limites da pintura que surgem ao mesmo tempo como objetos manufaturados e pura virtualidade pictórica.

Essas características são retomadas no conjunto atual, contudo com importantes variações. Como em fases anteriores, na base de seu fazer pictórico temos retângulos e quadrados padronizados que convivem em harmonia, mesmo que as combinações sejam a princípio dissonantes. Essa forma quase impessoal de organização está presente na série de desenhos “Xadrez” e na grande pintura “Quadrado Vazado”, apresentados na primeira sala da exposição. Mas aqui chamam a atenção a grade branca entre os planos chapados de cor e o espaço vazado da pintura. De certa maneira, nota-se de saída que esses trabalhos pretendem se deslocar pelo espaço, em alguns casos sugerindo até mesmo continuidade com a parede. Sem dúvida, a referência é Mondrian. Mas é preciso confessar: um Mondrian um tanto esquisito no qual a grade preta se transforma na grossa linha branca feita por meio de máscaras, o que torna o espaço entre os retângulos coloridos aerado.

Renata Tassinari: Beiras
Curadoria: Taisa Palhares
Abertura: 26/09/19, 19h-22h
Visitação: até 01/11/19; segunda a sexta, 10h30-19h; sábado, 11h-16h
Galeria Marilia Razuk: Rua Jerônimo da Veiga, 131, São Paulo. Entrada gratuita.