10 obras para ver na Bienal do Mercosul online

A 12ª Bienal do Mercosul, curada por Andrea Giunta, tinha a sua abertura prevista para o último dia 15 de abril. As complicações causadas pela pandemia do Covid-19, porém, fizeram com que ela fosse adiada para manter as diretrizes de segurança do isolamento social.

O evento, que seguiria até 5 de julho, agora ainda está sem data definida para acontecer. Portanto, os organizadores decidiram ajustar a plataforma virtual da Bienal para que o público possa ter acesso às obras que integram esta edição!

Confira aqui uma seleção que fizemos de 10 obras que você precisa conhecer.

Fátima Pecci Carou, Algún día saldré de aquí

Esta obra consiste em uma instalação com 200 retratos feitos à tinta de mulheres que foram sofreram violência na Argentina, vítimas de feminicídio ou mulheres que desapareceram e têm como suspeita crimes passionais ou sexuais. A obra também foi um destaque importante da BIENALSUR do ano passado!

Gladys Kalichini, Burial: Erasing Erasure

Mulheres importantes para a História no geral sofreram um apagamento em razão dos cânones geralmente constituído por visões patriarcais. A obra da artista zambiana busca levantar essa questão ao explorar um processo ritualístico de luto por essas mulheres que estão em processo de desaparecimento ou que já foram apagadas.

#proyectorazo – Nosotras Proyectamos, Preparativos de la marcha del 8M, 2019

São exibidas obras que documentam as projeções feitas em prédios de Buenos Aires como preparativo da marcha de mulheres para o 8 de março de 2019. A ação #proyectorazo partiu de um coletivo de mais de 3 mil artistas que se reuniram para criar ações efetivas que despertem a consciência sobre a discriminação das artistas mulheres no mundo da arte a favor da representação igualitária. 

Lidia Lisbôa, Casulos

Cicatrizes faz parte de um conjunto de obras de Lidia que são apresentadas na Bienal do Mercosul. São obras de diferentes linguagens, como costura, crochê, amarração ou assemblage de tecidos, que explicitam sua prática que “nos permite vislumbrar uma possível transição entre objeto e performance como estratégia artística formal e tática feminista”.

Liliana Porter and Ana Tiscornia, THEM

A artista argentina Liliana Porter e a artista uruguaia Ana Tiscornia trabalham em dupla desde os anos 90. Elas dirigem juntas vídeos que têm como base temáticas que permeiam os trabalhos artísticos de Liliana. THEM parte de uma obra teatral que elas codirigiram que reflete sobre os padrões através dos quais percebemos as coisas e nos convida recriar narrativas além das nossas expectativas.

Rahima Gambo, série Tatsuniya, Playing Slowly

A série Tatsuniya, da artista nigeriana Rahima Gambo, busca demonstrar a energia de mulheres enquanto estão se divertindo entre si. A série retrata a vida em uma escola após um ataque de Boko Haram, em 2013. O ataque matou uma professora e uma aluna. A série fotográfica de Gambo busca mostrar essas garotas cheias de vida, dando a elas uma faceta mais humanizada.

Aline Motta, Escravos de Jó

Escravos de Jó é um livro visual e poético criado por Aline em 2016. Nele, a artista retoma a brincadeira e canção popular de mesmo nome e também frases do Livro de Jó, da Bíblia. Ela usa essas frases para se referir à escravidão brasileira. As imagens e os textos presentes no impresso, em papel semitransparente, levam a ideia do poema concreto, pensando em um sentido emancipador e decolonial.

Lucia Laguna, Jardim n. 20

Várias obras da série Jardim, de Lucia Laguna, estão em exposição na Bienal do Mercosul e “oferecem a possibilidade de vislumbrar os sentidos estendidos do conceito de “paisagem” articulado pela artista”. A artista considera como paisagem aquilo que vê a partir da janela de seu ateliê, no Rio de Janeiro. Vistas do morro da Mangueira e o subúrbio da zona norte são especialmente comuns a essas obras.

Ana Gallardo, Dibujo Textual

Uma site specific feita pela artista revela um desenho de tamanhos monumentais. A obra evoca memórias sobre as angústias experimentadas pelas mulheres guatemaltecas, em especial as camponesas e as indígenas. A artista reflete sobre o corpo da mulher como arma de combate, “toda essa violência, essa tortura, para submeter a toda uma população e, sobretudo para tirar-lhes a identidade aos maias”, ela artista.

Chiachio e Giannone, La familia en el alegre verdor

Este projeto Chiachio e Giannone tem como berço o imaginário latino-americano da selva, que inclui o imaginário guarani e mostra todas as raízes no realismo mágico, presente na literatura latino-americana. A obra chama a atenção para novas configurações familiares (Famílias LGTBIQ+). Nessa obra, os próprios artistas são as personagens, mostrando sua família que é composta por um casal de dois homens e um cachorro.