12 filmes para conhecer a história de grandes artistas

Willem Dafoe interpreta Van Gogh

Quando a premiação do Oscar está chegando todo mundo entra numa maratona animada para ver todos os filmes…e poder opinar! Que tal então aproveitar a energia para mergulhar em boas sessões de filmes artsy? Não há forma mais gostosa de saber mais sobre a vida de um artista plástico do que vendo um belo filme. Pensando nisso, separamos doze filmes (alguns chegaram a concorrer ao Oscar!) que abordam as biografias de artista que você precisa conhecer.

Gerhard Richter

Kurt Barnert e sua tia na exposição “Arte Degenerada” montada por ordem de Hitler

Dirigido por Florian Henckel von Donnersmarck ( a.k.a. A Vida dos Outros ), o filme Nunca Deixe de Lembrar não trata oficialmente da vida de Gerhard Richter. Mas conta a história do jovem pintor que Kurt Barnert cuja tia é assassinada pelos nazistas por ser considerada louca e que foge para a Alemanha ocidental onde conhece, na famosa escola de , figuras célebres como Joseph Beuys e Sigmar Polke. Assim como Kurt, Richter nasceu em Dresden, em 1932, foi aluno da Academia de Artes antes de fugir para Düsseldorf, onde estudou e trabalhou, produziu impressionantes pinturas fotográficas e teve também teve a tia assassinada pelos nazistas. Além disso, algumas cenas do filme fazem referências diretas à telas de Richter. O filme começa quando o pequeno Kurt visita, com a tia, a célebre exposição Arte Degenerada montada por ordem de Hitler com a intenção de expor a impureza e o caráter perverso da arte moderna comparando-a à loucura ou a deformações genéticas – expressão máxima da decadência de um povo na ótica bem peculiar do ditador. Eram cerca de 650 obras criadas por nomes como Picasso, Kandinsky, Paul Klee, Mondrian, Georges Braque e Henri Matisse. Terminada a visita, o garoto revela que talvez não queira mais ser artista. Gerhard Richter é o pintor vivo cujas obras atingiram os maiores preços em leilões mundo afora.

Disponível no Google Play e Amazon Prime

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J.M.W. Turner

Timothy Spall interpreta J.M.W. Turner

Célebre pelas pinturas que ressaltam as incidências de luz nas paisagens, no mar (calmo ou revolto), nas cidades e nas construções, o impressionista teve parte da vida retratada em 2014 pelo diretor britânico Mike Leigh, Mr. Turner. Personagem singular e excêntrico, a personalidade do artista é um prato cheio para a interpretação de Timothy Spall e sua biografia tem riqueza indiscutível para a criação de um filme envolvente: pense na sua profunda ligação com seu pai, na relação conflituosa com outros pintores e nos seus estranhos relacionamentos amorosos. O rigor estético do trabalho do artista fica claro nos planos e na narrativa e, em alguns momentos, o espectador é convidado a mergulhar as obras de Turner, não a partir das pinturas, mas através da fotografia do longa, que tenta recriar as luzes e formas presentes na produção de Turner. Um desafio bem executado. Uma experiência única. O longa, vale lembrar, foi indicado à Palma de Ouro no Festival de Cannes.

Disponível no Google Play  e Amazon Prime.

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Vicent Van Gogh

Foram necessárias 65 mil pinturas para produzir Com amor, Van Gogh

A história de vida artista é uma das mais fascinantes da história da arte. Não à toa, foram alguns os diretores que tentaram retratá-la nos cinemas. Os mais recentes são At Eternity’s Gate, dirigido pelo artista Julian Schnabel e estrelado por Willem Dafoe que foi indicado ao Oscar de melhor ator em 2019; e Com amor, Van Gogh, indicado na categoria de Melhor Filme de Animação no Oscar 2018. O segundo foi elaborado a partir de 65 mil frames feitos com pinturas a óleo criadas por cem artistas durante 6 anos. As pinceladas lembram o estilo do pintor impressionista e acompanha a jornada de Armand Roulin, filho de Joseph Roulin, carteiro e amigo de Van Gogh. Um ano após o suicídio do pintor, pai e filho encontraram uma carta enviada por Van Gogh ao irmão Theo que jamais chegou ao seu destino. Em tempo: no filme Vincent & Theo você poderá entender a relação dos irmãos. Incentivado a entregar a correspondência, Armand parte para a cidade francesa de Arles, onde Vicent Van Gogh e Paul Gauguin moraram, na esperança de encontrar algum contato com a família Van Gogh. Lá, inicia uma investigação junto às pessoas que conheceram o artista, no intuito de decifrar se ele realmente se matou. Para art lovers, definitivamente.

Disponivel na Netflix, no Youtube e no Google Play

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Paul Gauguin

Vincent Cassel interpretou Paul Gauguin

Em Gauguin – Viagem ao Taiti Vincent Cassel encarna Paul Gauguin, em 1891, quando o artista decide abandonar sua mulher e filhos para viajar ao Taiti, onde ele esperava espera reencontrar uma pintura mais livre, longe dos códigos morais, políticos e estéticos da Europa. Nesta espécie de autoexílio criativo, ele se empenha cada vez mais na selva, enfrentando a solidão, a pobreza e algumas doenças. Mas é lá também que Gauguin conhece a Tehura, sua maior musa inspiradora e também maior tormenta – eles se casam e Gauguin a transforma em uma espécie de prisioneira para suas telas. Vale lembrar que, apesar de ser um gênio, o artista é hoje visto com receio justamente por ter tido relações sexuais com Tehura que na época era extremamente jovem. O filme explora bem a imersão, dedicação e obsessões do artista e como o modo de vida nativo impacta sua produção. A fotografia é um espetáculo à parte.

Disponivel no Telecineplay, Apple Itunes, Google Play e Looke

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Auguste Rodin

Auguste Rodin e sua talentosa aprendiz Camille Claudel

O francês Vincent Lindon foi o escolhido por interpretar um dos maiores escultores de seu país em Rodin. Apesar de já era bastante conhecido em 1880, Auguste Rodin ainda não havia conquistado uma encomenda o Estado. O filme mostra justamente o momento em que o artista quebra essa barreira na carreira e, aos quarenta anos de idade, cria a escultura “La Porte de l’Enfer”. Enquanto trabalha, ao lado da esposa Rose Beuret, ele se apaixona por sua aprendiz mais talentosa, Camille Claudel, que se torna sua amante. Quando o relacionamento escondido acaba, Rodin muda radicalmente a forma de seus trabalhos. Nesta cinebiografia, é possível ver a rigidez com que o artista, considerado o pai da escultura moderna, encarava seu trabalho e sua vida.

Disponível na Apple Itunes, Google Play e Look

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Camille Claudel

Juliette Binoche interpreta Camille Claudel

O diretor francês Bruno Dumont escolheu a maravilhosa Juliette Binoche para interpretar Camille no filme Camille Claudel 1915, lançado em 2013. A narrativa inspirada na história da mais célebre aprendiz de Rodin retrata especificamente o inverno de 195 quando a familia de Camille a confina no sanatório Montdevergues, no sul da França, onde ela vive o resto de seus dias. A artista agoniza com o afastamento do ateliê e com a impossibilidade de esculpir enquanto espera a visita do irmão Paul Claudel. A figura de Binoche não se sobrepõe ao filme; na verdade a atriz faz um trabalho primoroso de adequar-se aos enquadramentos sufocantes que o cineasta lhe reserva, e é nos pequenos atos – no amarrar firme de um cadarço ou subindo a escada de dois em dois degraus, demonstrações de determinação – que percebemos que Camille Claudel não é louca – pelo menos não louca como creem os familiares. A reclusa e o sofrimento crônico a consomem, mas Camille Claudel parece imobilizada no tempo e no espaço à espera de um sinal que lhe devolva a vida e a razão.

Em tempo: Em 1988 foi lançado Camille Claudel outro filme que narra a história da artista, com interpretação de Isabelle Adjani, cujo o recorte está no caso com Rodin, a morte do pai e as causas que levaram a artista a se isolar do mundo em seu ateliê antes de ser mandara para o asilo.

Disponível no Amazon Prime.

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Frida Kahlo

Frida

Se você achou que Camille ou algum outro pintor citado acima sofreu muito ao longo vida..respire fundo antes de ver Frida – filme indicado ao Oscar em seis categorias que conta a história da pintura mexicana. Dirigido por Julie Taymor e com interpretação principal de Salma Hayek, o filme narra os principais eventos, acidentes e doenças que ela enfrentou ao longo da vida, além de revelar o agitado casamento de Frida com o artista Diego Rivera  e, ainda, o controverso caso com o político Leon Trostky.

Disponível na NetflixYoutube e Google Play.

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Jackson Pollock

Ed Harris interpreta Jackson Pollock

Ed Harris encarna brilhantemente o pintor americano conhecido pelas pinceladas expressionistas e performáticas – ele foi o precursor da chamada action painting -, mostrando de forma poderosa o processo criativo de Pollock ao grande público. Apesar de ser um grande pintor, também teve uma história de vida conturbada e controversa. Ele era alcoólatra e maníaco-depressivo, e morreu em um acidente de carro bêbado que matou uma mulher inocente. Viveu infeliz e essa profunda tristeza também afetava fotos à sua volta. Um repórter da revista Life pergunta: “Como você sabe quando termina uma pintura?” Jackson Pollock: “Como você sabe quando termina de fazer amor?” . Difícil não fazer um filme minimamente interessante, mas o que impressionou a crítica foi a atuação de Harris, que interpretou o pintor e dirigiu o filme e foi indicado ao Oscar de Melhor Ator em 2000 pela obra.

Disponível na Amazon Prime e BMovies

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Francisco Goya

Stellan Skarsgård encarna Francisco Goya

Na cena de abertura, as gravuras de Goya sendo examinadas numa reunião da Inquisição em Madri: a beleza pura das imagens de Goya’s ghosts, dirigido por Milos Forman em 2007 , já justificam a existência do filme, mas a história de vida de Francisco Goya e o contexto histórico no qual viveu, instiga ainda mais. Era 1972 e a Espanha vivia um período em que as relações entre artistas, a igreja e o estado mudam e Goya tinha muitos inimigos e amigos poderosos! Apesar de criar cenas surreais e brutalmente satíricas, retratando pessoas grotescas degradadas por sua sociedade, e propor questões que envolvem a ideia de morte, vício, bruxas e abusos da igreja, ele vê aumentar a popularidade de suas gravuras. É requisitado para pintar o retrato da rainha após a execução de Luís XVI e passa a ser o pintor da corte francesa. Cena cômica: Lorenzo, amigo e patrono de Goya, oferece tesouros reais espanhóis ao irmão de Napoleão: o Jardim das Delícias Terrenas de Bosch e O Las Meninas de Velázquez são rejeitados. O elenco garante mais peso à obra: Stellan Skarsgård interpreta Francisco Goya; Javier Bardem encarna Lorenzo; e, Natalie Portman atua como Inés.

Disponível no Amazon Prime e Apple Itunes

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Amedeo Modigliani

Modigliani pinta sua maior musa e mãe de sua filha, a pintora Jeanne Hébuterne

Modigliani – A Paixão pela Vida  retrata a charmosa Paris dos anos 1920 – os anos loucos – e alguns de seus principais personagens artsy, como Plablo Picasso, Jean Cocteau, Diego Rivera, Moise Kisling, Gertrude Stein, entre outros. Mas o roteiro gira em torno da conturbada vida de Modigliani, interpretado por Andy Garcia: um  famoso pintor italiano que revolucionou o mundo das artes dançando sobre as mesas e embriagado de paixão pela vida. Inspirado pelo amor e consumido pela obsessão. Sua maior musa e mãe de sua filha, a pintora Jeanne Hébuterne também protagoniza as cenas. Ela tenta ajudar Modi (como é chamado pelos amigos) pedindo a Picasso que coloque as telas do italiano em sua exposição, mas ele só aceita na condição de pintá-la também. Modi sai em pedaços da mostra ao ver que sua musa também posou para Picasso. Uma história envolvente e reveladora.

Disponível na Amazon Prime e Claro Video.

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Margaret Ulbrich

Amy Adams interpreta Margaret Ulbrich

Mulheres talentosas renegadas pela história não é uma novidade. Em alguns casos a produção delas são, ainda, assumidas por seus maridos. É o caso de Joan Castleman, escritora que emprestou seus talentos para o marido, Joe Castleman, e começa a repensar esse acordo ao vê-lo receber o prêmio Nobel de Literatura. A história do casal Castleman foi muito bem contada pela turma da sétima arte em A Esposa e uma situação semelhante é retratada no filme Grandes olhos, dirigido por Tim Burton: Margaret Ulbrich, interpretada por Amy Adams é uma pintora insegura, mãe solteira, até descobrir o carismático Walter Keane e se casar. Ela cria obras populares de crianças com grandes olhos, mas Walter assume publicamente a autoria das obras, com a conivência da esposa. Dez anos mais tarde, ela decide processá-lo na justiça para retomar o direito de seus próprios quadros. Uma narrativa baseada em fatos reais cheia de insights psicológicos, sociológicos e políticos, questionando a forma com que a história ( ou as histórias) da arte é construída.

Disponível no Netflix.

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Mark Rothko

RED escrito por John Logan e dirigido Michael Grandage

Estamos no estúdio de Rothko, em Nova York, no final dos anos 50. Ele foi contratado para pintar uma série de murais para o restaurante sofisticado do Four Seasons, no Seagram Building, em Nova York e seu assistente, Ken, está lá para ajudar a misturar tintas, esticar telas, buscar café e ouvir as declarações dogmáticas de Rothko. O artista vivia numa paranóia furiosa sobre estabelecimento de arte tamanha que, depois de visitar o Four Seasons, cancelou a comissão pois não queria seus trabalhos sendo apreciados (ou não) para aquele tipo de público. A história citada acima é baseada em fatos reais, mas foi escrita por John Logan para ser uma peça de teatro. O sucesso foi tamanho que o diretor de cinema Michael Grandage adaptou Red, em 2018, para os cinemas. Assim como as pinturas de Rothko são sobre a tensão entre blocos de cores, a peça em si é sobre visões opostas da arte. Rothko defende a crença na natureza quase religiosa, trágica e atemporal da pintura; enquanto Ken defende as urgências urgentemente contemporâneas e abraça precipitadamente a emergente arte pop de Lichtenstein e Warhol. O longa também não se trata exatamente de uma cinebiografia, mas é válido para entender alguns aspectos da obra e pensamento de uns mais importantes artistas do século 20.

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Pierre-Auguste Renoir

Andrée foi musa do Renoir pai e filho

Riviera Francesa, no verão de 1915. O pintor impressionista Pierre-Auguste Renoir vivia atormentado pela morte da esposa, as dores da artrite e a preocupação com o filho Jean, que luta na Primeira Guerra Mundial…até a chegada da bela e radiante Andrée que o rejuvenesce e inspira: ela torna-se musa de algumas das novas pinturas. Quando Jean Renoir volta para casa para se convalescer após ser ferido na Primeira Guerra Mundial, encontra a musa do pai que também o envolve e encanta. A trama entre o trio e as cenas que estão presentes nas telas do pintor são muito bem explorados pelo diretor Gilles Bourdos. 

Disponível no Apple Itunes, Google Play e Looke 

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