14 pinturas roubadas por nazistas são devolvidas a seus legítimos donos

Obras faziam parte de uma coleção que foi doada ao Kunstmuseum de Berna, na Suíça, após a morte de famoso colecionador que as escondia

Klavierspiel, de Carl Spitzweg

O colecionador Cornelius Gurlitt, falecido em 2014, herdou de seu pai uma notável coleção de obras de arte que escondeu durante anos! Dois anos antes de morrer, porém, caiu em uma investigação de fraude fiscal e a polícia descobriu seu tesouro: obras que haviam sido roubadas de judeus durante a expansão nazista. Foram apreendidas por volta de 1500 peças. Dentre elas, obras de mestres da pintura, como Renoir, Picasso e Cézanne, dentre outros.

Gurlitt deixou em testamento as obras para o Kunstmuseum de Berna, na Suíça, que vem trabalhando junto a entidades alemãs para pagar essa “dívida histórica”, devolvendo obras de arte a seus respectivos donos, famílias judias que foram perseguidas pelos nazistas. Nesta última quarta-feira, 13 de janeiro, o governo alemão anunciou que 14 das obras que faziam parte da coleção de Gurlitt, apelidada de “Tesouro de Munique”, foram destinadas a seus herdeiros originais.

Uma das obras é Klavierspiel, do alemão Carl Spitzweg, que era de posse de Henri Hinrichsen, um homem judeu, trabalhador da indústria da música, que foi morto em Auschwitz em 1942. De acordo com os herdeiros, Hinrichsen queria que a obra fosse destinada à Christie’s caso um dia ela viesse a ser recuperada.

O roubo de obras de arte era mais uma violência que os nazistas praticavam contra aqueles que perseguiam, em especial famílias judias que tinham boas condições financeiras. Esse crime era uma forma de humilhação e de violência patrimonial muito comum entre os soldados de Hitler.

Nas últimas duas décadas, a discussão sobre a devolução de obras roubadas ganharam bastante força e o assunto tem sido tratado como uma obrigação moral da Alemanha. Isso foi, inclusive, tema de filmes estrelados por grandes nomes do cinema contemporâneo, como Dama Dourada e Caçadores de Obras-Primas, feitos como forma de estimular o processo de restituição aos herdeiros legítimos.