A Cor em Fuga é a nova exposição da Fundação Louis Vuitton

O icônico prédio da Fundação Louis Vuitton é tomado pelas cores. Conheça quem são os cinco artistas envolvidos na mostra

Tempo de leitura estimado: 5 minutos
Splinter, Katharina Grosse, 2022

A exposição A Cor em Fuga reúne cinco pintores da cena artística internacional de origens e gerações diferentes: Sam Gilliam, Katharina Grosse, Steven Parrino, Megan Rooney e Niele Toroni.  Por meio de um vocabulário abstrato que lhes é próprio, cada um deles empurra os limites tradicionais da mídia pictural, transformando os ambientes da Fundação Louis Vuitton em uma explosão de cores.

Nesta exposição a pintura sai do campo restrito da tela esticada sobre o chassi de madeira e se inventa uma nova liberdade na sua relação cor/suporte, implantando-se pelo espaço, entre o sol, a parede e o teto. A ampla expansão das cores das obras estabelece um diálogo estreito com a arquitetura de Frank Gehry, idealizador do edifício que abriga a Fundação.

A exposição está dividida em 4 galerias pelas quais as obras dos 5 artistas estão distribuídas. Conheça o percurso da mostra e os seus artistas-protagonistas:

Galeria 8 – Megan Rooney 

Detalhe de With Sun, Megan Rooney, 2022.

A canadense Megan Rooney é uma artista multidisciplinar que associa em uma mesma obra pintura, escultura, performance e escrita. O ato de pintar é, para ela, um engajamento psíquico e mental que culmina em suas pinturas monumentais, como a pintura With Sun, criada especialmente para esta exposição. Inspirada pelas especificidades do espaço da instituição, a artista criou esta obra para ocupar uma parede inteira que fica posicionada sob a luz do sol, que atravessa o teto de vidro da sala. Nesta obra a artista aproveita este contato com a luz natural e explora uma paleta de cores vivas e quentes, criando uma obra em harmonia tanto com o prédio como com a natureza.

Munida de diversas ferramentas e auxiliada por uma plataforma de elevação, Megan Rooney se envolveu com a produção da obra, que levou algumas semanas para ser completada. Dia após dia, as camadas de pintura se acumulavam umas sobre as outras, até serem removidas em lugares específicos com a ajuda de discos abrasivos, deixando a aparecer configurações abstratas que indicam elementos antropomórficos.

Galeria 9 – Sam Gilliam e Steven Parrino

Instalação de Sam Gilliam, 2022.

O artista norte-americano Sam Gilliam é uma das maiores figuras do pós-guerra dos Estados Unidos. Sua obra está associada à segunda geração do movimento Washington Color School, iniciado na década de 1950 por artistas que seguiam o estilo de pintura abstrata batizado de Color Field (Campo de Cor).

Em 1968 ele inaugura as suas famosas pinturas em lençóis, definindo uma nova linguagem pictural por meio da qual ele conseguia explorar o potencial das superfícies e a extensão dos campos de cor.  As três obras em exibição nesta mostra representam esta série que marca o abandono total das molduras e a consolidação de obras cuja forma se transforma em função das particularidades arquitetônicas do lugar onde ela será exibida. 

Blob (fuckheadbubblegum), Steven Parrino, 1996.

Na mesma galeria, encontram-se as obras do artista norte-americano Steven Parrino. Desafiando as fronteiras entre a pintura e escultura, Parrino libera a tela de sua planicidade e faz a cor ultrapassar a moldura, deixando-a transbordar pelo espaço. As obras apresentadas por ele na mostra fazem parte da série intitulada misshaped canvases (telas deformadas) que ele desenvolveu a  partir de 1981.

Parrino definia o processo de realização das suas obras antes de produzi-las. Uma vez decidido o suporte e suas dimensões, ele pintava a superfície de maneira uniforme com tinta acrílica, spray, tinta enamel ou laca. Ele, então, começava uma série de atos violentos: tirar da moldura, rasgar,  torcer e amassar o suporte pintado para, depois, colocá-lo de volta no chassi. Estas operações fazem o trabalho passar da bidimensionalidade da pintura à tridimensionalidade da escultura. 

Galeria 10 – Katharina Grosse

Detalhe de Splinter, Katharina Grosse, 2022

A artista alemã Katharina Grosse explora a potencialidade da pintura para além dos limites da moldura e da tela. Abraçando solos, paredes, tetos, objetos ou paisagens inteiras, ela cria ambientes picturais multidimensionais graças à técnica de projeção da cor por pistolas-pulverizadoras, o que se transformou em sua assinatura. A cor está no coração de seu trabalho e estabelece um elo entre todas as suas obras. 

Em Splinter a artista cria uma obra composta por formas triangulares de onde as cores se projetam no ambiente. Feita de vinte triângulos produzidos em madeira apoiados em uma estrutura, a obra de Grosse ocupa totalmente uma das paredes da galeria 10, funcionando como uma faísca que conecta o teto e o chão.

Galeria 11- Niele Toroni 

Impressões de pincel nº50 repetidas em intervalos regulares de 30 cm, Niele Toroni, 1981.

O artista suiço Niele Toroni é conhecido por sua prática “além da moldura”. Fazendo as suas impressões tanto em ambientes internos como ao ar livre, Toroni requalifica os espaços nos quais ele interfere adaptando suas obras ao lugar de exposição. Desde 1966 ele realiza impressões monocromáticas por meio de pinceladas planas, de 5cm de largura, que ele aplica a determinadas superfícies com um intervalo de 30cm. 

Mesmo que estes trabalhos sejam o resultado de um gesto idêntico repetidos várias vezes, cada impressão é diferente pois varia de acordo com a quantidade de tinta, do vigor do gesto de pressionar o pincel, do tipo de suporte, de sua forma e da cor escolhida. O trabalho de Toroni se apresenta na mostra por um conjunto de impressões produzidas entre 1967 e 1997, que testemunham a diversidade dos suportes utilizados.

Serviço:

A cor em fuga

Local: Fundação Louis Vuitton

Endereço: 8 Av. du Mahatma Gandhi, 75016 Paris, França

Data: de 4 de maio a 29 de agosto 2022

Funcionamento: De quarta a segunda, das 11h às 20h

Ingresso:  5-16 euros

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