Almeida e Dale apresenta mostra com mais de 100 obras de Miriam Inez da Silva

Individual busca ressaltar “intenção, malícia, impureza e transgressão” na obra da artista, que sofreu com o apagamento pelos rótulos limitadores da crítica que a tratou como “ingênua”

Miriam Inez da Silva, Título desconhecido, 1990

Quase 25 anos depois de sua morte, a artista Miriam Inez da Silva ganha uma individual bastante importante e bastante completa na Galeria Almeida e Dale, em São Paulo. Aberta para visitação presencial sob agendamento e também para visitação virtual via viewing room no site da galeria, a exposição que tem curadoria de Bernardo Mosqueira e assistência de Ana Clara Simões Lopes fica em cartaz para o público até o dia 27 de março!

A mostra intitulada As Impurezas Extraordinárias de Miriam Inez da Silva chama a atenção para o fato de que o cenário da crítica de arte no país caracterizou a artista de origem goiana, que viveu entre 1939 e 1996, como “primitiva”, “naïf” e “popular”. Esses rótulos historicamente foram usados para caracterizar artistas como “ingênuos”, limitando o olhar e a compreensão em torno das temáticas e das técnicas utilizadas por eles. “Onde estes críticos vêm apontando intuição, inocência, pureza e tradição, nesta exposição ressaltamos intenção, malícia, impureza e transgressão”, diz o texto da exposição, que reúne mais de uma centena de trabalhos de Miriam.

Miriam Inez da Silva, Título desconhecido, 1983

Acompanha a mostra uma série de conteúdos que a galeria vem promovendo para fazer com que o público não só tenha acesso às obras da artista, mas também a toda a sua história, pontuando a relevância de Miriam, que participou de duas bienais de São Paulo, em 1963 e 1967. Para Theon Spanudis, um dos mais renomados críticos do século XX, ela era “a mais importante, criativa e genial primitiva brasileira” ao lado de José Antônio da Silva. Com uma série de conversas online e vídeos de tour e vistas da exposição, a exposição é um passeio bastante categórico pela vida e obra da artista.

O curador Bernardo Mosqueira passou a pesquisar Miriam em 2015, mas achava apenas informações que ele considerava um tanto incongruentes e contraditórias. “O maior sinal disso é a quantidade de formas diferentes que o nome da Miriam é escrito”, ele contou na primeira conversa virtual sobre a exposição, que aconteceu no final de dezembro e está disponível no canal de Youtube da galeria.

Miriam Inez da Silva, Petróleo – Seiva de mutamba e juá, 1985

Nessa primeira pesquisa, o Bernardo encontrou um material virtual que tratava a obra de Miriam a partir do espectro da doçura e da simplicidade, o que ele achou “estranho e superficial”, fazendo com que ele deixasse a pesquisa naquele momento e retornasse em 2020, ao lado de Ana Clara, para a realização desta exposição.

Bernardo e Ana pontuam a importância do contato com Sofia Cerqueira, filha de Miriam, para uma pesquisa mais profunda e completa, quebrando os paradigmas aos quais a artista foi submetida. “A Sofia foi muito importante mudou drasticamente o caminho de pesquisa que estávamos tomando. Até então (…) não tínhamos conseguido acesso a nenhuma fonte primária”, conta Ana Clara. No texto da exposição, é informado que foi a primeira vez que um arquivo de Miriam foi aberto para pesquisa, uma documentação extensa guardada por Sofia e reunida pela própria artista entre os anos de 1950 e 1990.

Miriam Inez da Silva, A luxúria…, 1977


A visitação presencial à exposição inclui os protocolos de segurança obrigatórios contra a Covid-19, como o uso de máscara e distanciamento social. É necessário o agendamento da visita, que pode ser feito pelo e-mail recepcao@almeidaedale.com.br, por telefone (11 3882-7120) ou  clicando aqui. A galeria funciona de segunda a sexta, das 10h às 18h, e sábado das 10h às 16h (exceto feriados).

As Impurezas Extraordinárias de Miriam Inez da Silva 
Data: até 27 de março
Local: Galeria Almeida e Dale – presencial sob agendamento e online via viewing room (Rua Caconde, 152)