Coletiva que reflete sobre valorização de patrimônio e memória acontece no MAM Rio

Exposição de longa duração apresenta 300 obras que vêm de acervos de três instituições com diferentes histórias, dinâmicas e projetos: MAM Rio, Museu de Arte Negra/IPEAFRO e Acervo da Laje

Heitor dos Prazeres, Crianças com balão, óleo sobre tela, Rio de Janeiro, 1965

Iniciativa que integra o projeto Legados Vivos, que foi lançado pelo Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio) em julho, a exposição “A Memória é Uma Invenção” fica em cartaz na instituição carioca até o dia 9 de janeiro 2022. A mostra coletiva de longa duração traz 300 obras que vêm do acervo do MAM, do Museu de Arte Negra/IPEAFRO e do Acervo da Laje!

Reunindo três acervos de arte de instituições diferentes, cada qual com suas histórias, dinâmicas e projetos, a exposição busca discutir processos de construção de patrimônio, legado e cultura comum. São obras em diversas mídias, sob curadoria de Beatriz Lemos, Keyna Eleison e Pablo Lafuente. Entre elas estão esculturas, fotografias, pinturas, gravuras e azulejos.

Maria Leontina, Sem título, 1995, série Os enigmas, óleo sobre tela. Coleção Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Restaurado com apoio do Banco Opportunity, 2002

Estão presentes obras de artistas como Abdias Nascimento, Heitor dos Prazeres, Carlos Scliar, Gerson de Souza e Chico Tabibuia (pertencentes ao acervo do Museu de Arte Negra/IPEAFRO), Adilson Paciência, Zaca Oliveira e Indiano Carioca (do Acervo da Laje) e também trabalhos de Anita Malfatti, Inimá de Paula, Lucio Fontana, Maria Leontina e Yara Tupinambá (vindas do acervo do MAM Rio).

“Esta exposição é um desafio a inventar outras configurações do comum desde a instituição. Ela inaugura uma maneira de repensar patrimônio e memória. Um caminho que, longe de compensar as violências do passado, acredita em outras formas de criar memórias que inspirem múltiplas possibilidades de vida no presente e no futuro”, comenta o curador Pablo Lafuente, que também é diretor artística do MAM ao lado de Keyna Eleison. Para Beatriz Lemos, A Memória é uma Invenção tem um importante papel ao trazer a obra e a história de artistas racializados e que vieram de fora do eixo econômico do país, tratando assim de “legitimidade e invisibilidade, presenças e ausências”.

Abdias Nascimento, Diagrama Ritual Sincrético, acrílico sobre tela, 40 x 50 cm, Rio de Janeiro, 1993

Com obras do Acervo da Laje, uma casa-museu-escola criada por Vilma Santos e José Eduardo Ferreira Santos em 2011 em Salvador, a exposição acaba apresentando a instituição da periferia de Salvador e colocando em foco poéticas que nunca foram expostas fora da Bahia. Esse ponto é trazido por José Eduardo, que celebra a mostra. Já Elisa Larkin Nascimento, diretora do Museu de Arte Negra/IPEAFRO, acervo de obras reunidas por Abdias Nascimento, pontua que “com esta iniciativa, o MAM Rio impulsiona um amplo movimento de valorização de artistas invisibilizados pela cultura hegemônica, que julga a arte negra como coisa de artesãos primitivos e ingênuos”.

Parceiro estratégico do MAM Rio, o Instituto Cultural Vale, sediado no Maranhão, apoia a exposição. Segundo Hugo Barreto, diretor presidente do Instituto, as iniciativas realizadas junto ao museu carioca tem provocado movimentos de reflexão por meio de trocas, que fomentam “novos diálogos e práticas entre os espaços culturais e nas relações com os diversos públicos que pensam e fazem arte, cultura e educação no Maranhão, no Rio de Janeiro, no Brasil e no mundo”.

Zilda Paim, Sem título, óleo sobre aglomerado, 39 x 61 cm, Coleção Acervo da Laje, 1996. Foto: Fabio Souza/MAM Rio

A memória é uma invenção
Curadoria de Beatriz Lemos, Keyna Eleison e Pablo Lafuente
Data: Até 9 de janeiro de 2022
Local: MAM Rio (Av. Infante Dom Henrique, 85 Aterro do Flamengo – Rio de Janeiro)
Mais informações: https://www.mam.rio/