Confira 5 exposições que nos alertam a crise climática

Artistas se unem aos ativistas no movimento de conscientização e percepção de que é preciso mudar nossas relações com o mundo ao redor

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Yinka Shonibare, detalhe de Refugee Astronaut, 2019, na exposição Being Human. (Crédito da imagem: Cortesia Wellcome Collection.)

Não é de hoje que o mundo está de olho nas mudanças climáticas e que o mercado de arte se conecta com ativistas ambientais para contribuir para a conscientização do público. O recado é simples: se não mudarmos já nossas relações com o mundo ao redor o futuro será catastrófico. Ou melhor, não existirá.

Nesse contexto, artistas se unem para elaborar revisões do nosso modo de viver e possíveis respostas para uma sociedade mais sustentável. No centro da discussão está, é claro, o próprio ser humano e como arte, ciência e tecnologia podem formar uma potente aliança em defesa do planeta.

1. Being Human, em Londres

Com base em uma abordagem multidisciplinar, a exposição Being Human [Ser Humano], na Wellcome Collection, em Londres, explora o que significa “ser humano” no século 21 e nos convida a refletir sobre nossas esperanças e medos diante dos avanços da ciência médica e das mudanças nas nossas relações com nós mesmos, com os outros e com o mundo ao nosso redor. A galeria apresenta um acervo de 50 obras de arte e objetos, organizados em quatro seções distintas: Genética; Mentes e Corpos; Infecção; e, Colapso Ambiental.

O principal destaque da mostra é Refugee Astronaut [Astronauta Refigiado], uma obra marcante e provocativa criada por Yinka Shonibare representando o presságio de um futuro ambientalmente catastrófico. Além de representar um alerta para os impactos das mudanças climáticas, a escultura traz à tona questões do racismo ambiental, conceito que aponta para fatores raciais e culturais relacionados aos problemas climáticos, defendendo a ideia de exploração espacial como uma empreitada predominantemente branca. Ao utilizar tecidos tradicionais nigerianos, o artista subverte as noções coloniais e nacionalistas, ressaltando a condição nômade do ser humano e a importância de preservar o ambiente em que vivemos. A exposição é permanente.

Vista da instalação de Agnes Denes, The Living Pyramid, na exposição Dear Earth: Art and Hope in a Time of Crisis. (Crédito da imagem: Foto por Mark Westall. Cortesia Hayward Gallery.)

2. Dear Earth: Art and Hope in a Time of Crisis, em Londres

A Hayward Gallery, em Londres, traz a exposição Dear Earth: Art and Hope in a Time of Crisis [Querida Terra: Arte e Esperança em Tempos de Crise], explorando o impacto de artistas contemporâneos internacionais.

A mostra reúne obras impactantes, incluindo novas criações de artistas e grupos comunitários, inspiradas na ideia de Otobong Nkanga de que “cuidar é uma forma de resistência”. Com foco em perspectivas feministas e diversas, a exposição busca conectar o público com a natureza e refletir sobre o papel da arte no ativismo climático. As obras exibidas destacam a engenhosidade e inventividade, além de empatia e compreensão, desde gigantescas fotografias em grama até uma tela de mídia de grande escala feita de garrafas recicladas. Entre as participantes, está a brasileira, artista, professora e ativista pelos direitos indígenas, Daiara Tukano, na redefinição de nossas respostas à crise climática. Até 3/9

Raqs Media Collective, Deep Breath, 2019/2022, Projeção de vídeo digital em tela única, 25’, na exposição Everybody Talks About the Weather (Crédito da imagem: Foto por Marco Cappelletti. Cortesia Fondazione Prada)

3. Everybody Talks About the Weather, em Veneza

Organizada pela Fondazione Prada, em Veneza, a exposição Everybody Talks About the Weather [Todo Mundo Fala Sobre o Clima] é uma exposição de pesquisa que explora a semântica do “clima” nas artes visuais. Reunindo mais de cinquenta obras de artistas contemporâneos e históricos, o foco central está nas condições atmosféricas e na emergência da crise climática.

O projeto visa analisar como o clima e o tempo têm sido elementos indicadores de nossa história e como a humanidade tem lidado com a exposição diária aos eventos meteorológicos. A concepção da exposição combina elementos artísticos com destaques científicos, buscando disseminar novos conhecimentos e compartilhar os resultados de pesquisas acadêmicas, sensibilizando sobre a urgência da crise climática atual e a conscientização sobre o futuro de nosso planeta. Até 26/11

Julian Charrière, Controlled Burn, 2022, film still, na exposição 1,5 Grad. (Crédito da imagem: Cortesia Julian Charrière; VG Bild-Kunst, Bonn)

4. 1,5 Grad, na Alemanha

A exposição 1,5 Grad [1,5 Graus], apresentada pelo museu Kunsthalle Mannheim, na Alemanha, destaca a complexa interação entre ser humano, natureza e tecnologia, mostrando de forma consciente e pluralista como a crise climática afeta todos os aspectos da vida. A mostra não se limita a alertar para a trágica da situação atual, mas também propõe soluções para um futuro possível ao explorar o uso de plantas como dispositivos de armazenamento de dados; algas como fonte de energia; e, microrganismos como parceiros empáticos de conversa.

Por meio de diferentes capítulos, a mostra aborda formas artísticas de ativismo, a importância das relações entre humanos e animais ou a conexão entre arte, ciência e tecnologia. Os artistas brasileiros Ernesto Neto e Uýra Sodoma participam da exposição, juntamente com nomes internacionais como Melanie Bonajo, Otobong Nkanga, Anselm Kiefer, Laure Prouvost e Trevor Paglen, onde destacam os iminentes perigos e ressaltam o potencial esperançoso da criatividade e inovação. Até 8/10

Olafur Eliasson, The Curious Desert, 2022, vista da instalação na exposição The Curious Desert. (Crédito da imagem: Anders Sune Berg, Courtesia Olafur Eliasson; Neugerriemschneider; Tanya Bonakdar Gallery.)

5. The Curious Desert, no Catar

A exposição The Curious Desert [O Curioso Deserto], do artista islandês- dinamarquês Olafur Eliasson, é realizada pela primeira vez na região do Golfo e apresenta uma combinação de novas instalações idealizadas especificamente para o local no deserto, próximo ao Manguezal de Al Thakhira, no norte do Catar, além de uma extensa apresentação na galeria do Museu Nacional do Catar.

Eliasson busca conectar os espectadores à natureza e à importância da conscientização ecológica, abordando temas como mudanças climáticas, relações humanas com o ambiente natural e o papel da arte e cultura na criação de um futuro sustentável. Por meio de instalações que utilizam luz, espelhos e elementos naturais, o artista cria experiências sensoriais únicas, que desafiam a percepção do público e destacam a beleza e fragilidade do mundo natural.

Uma parte significativa da exposição é dedicada às fotografias que mostram os efeitos das mudanças climáticas em ambientes naturais, como geleiras, e cria paralelos entre paisagens árticas da Islândia e o deserto do Catar. Além disso, máquinas de desenho são utilizadas no deserto para criar pinturas abstratas em tons de preto e creme, usando elementos naturais, como vento e água salgada, para expressar a interconexão entre arte e meio ambiente. Até 15/8

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