Confira sete exposições imperdíveis em Londres

Entre exposições de jovens pintores e retrospectivas de artistas que já marcam a História da Arte, Londres reúne a melhor programação artsy do verão europeu

Michael Armitage
Michael Armitage

Michael Armitage na Royal Academy of Arts

O artista queniano Michael Armitage cria pinturas coloridas e oníricas que  apresentam perspectivas provocativas, com o objetivo de desafiar e explorar suposições políticas, históricas, sociais e sexuais. As cendas das obras em grande escala se inspiram em eventos contemporâneos da África Oriental, combinados a motivos da História da pintura ocidental – referências retiradas de Ticiano, Goya, Manet e Gauguin são misturados à cultura e ao folclore da África Oriental. Não à toa, Armitage pinta sobre tecido feito de casca de Lubugo, um material importante na cultura do povo Baganda, em Uganda.

Michael Armitage
Michael Armitage

Pouco mais de 10 anos desde que o artista se formou na Royal Academy Schools, a instituição expõe 15 de suas pinturas dos últimos seis anos. O visitante poderá conferir, ainda, uma seleção de 31 obras de seis artistas contemporâneos da África Oriental escolhidos por Armitage pelo importante papel de cada um na formação da pintura figurativa no Quênia e no desenvolvimento do trabalho do próprio Armitage: Meek Gichugu, Jak Katarikawe, Theresa Musoke, Asaph Ng’ethe Macua, Elimo Njau e Sane Wadu.Armitage também selecionou trabalhos de três artistas quenianos – Wangechi Mutu, Magdalene Odundo e Chelenge van Rampelberg – que estão exibidos na Dame Jillian Sackler Sculpture Gallery. A ideia é instigar conversas entre as obras dos três artistas e esculturas da coleção do Royal Academy. Não perca. Até 19 de setembro. 

Cecilia Vicuña
Cecilia Vicuña

Body Topographies na Lehmann Maupin 

Se interessa por obras de arte que sugerem uma compreensão do corpo feminino de forma diferente? Body Topographies, coletiva apresentada na sede londrina da Lehmann Maupin, apresenta representações variadas do corpo que envolvem temas complexos, incluindo colonialismo, antropologia, história pessoal e compartilhada, sexualidade, dor, relações familiares e identidade. A mostra, curada pela diretora sênior Isabella Icoz, reúne cinco artistas femininas de diferentes gerações e origens: Louise Bourgeois, Heidi Bucher, Mandy El-Sayegh, Adriana Varejão e Cecília Vicuña

Louise Bourgeois
Louise Bourgeois

Embora as obras da exposição estejam profundamente preocupadas com as amplas considerações formais, materiais e espaciais, elas também examinam explicitamente os fundamentos sociais, políticos e psicológicos,  tornando-o abstrato, conceitual, político e às vezes surreal. Enquanto Varejão e Vicuña criam autorretratos conceituais que examinam raça, trauma histórico e a deterioração do corpo, Bourgeois e El-Sayegh visualizam a sexualidade e o desejo como uma estrutura para examinar as complexidades culturais, sociais e familiares das relações humanas. Já Bucher evoca um corpo ausente por meio do processo físico de fazer suas obras de látex e madrepérola. Seu fascínio pela transformação e metamorfose é marcado pelo uso repetido do motivo de libélula e em suas esculturas vestíveis, a série Body Shells. Até 4 de setembro. 

A artista em seu ateliê, de Paula Rego
A artista em seu ateliê, pintura de Paula Rego

Paula Rego na Tate Britain

Outra artista que revolucionou a forma como as mulheres são representadas é Paula Rego. A primeira grande retrospectiva da artista portuguesa na Inglaterra, organizada pela Tate, pretende revelar ao público sua história de vida extraordinária, destacando a natureza pessoal de grande parte de sua obra e o contexto sócio-político em que está enraizada. A mostra também revelará a ampla gama de referências desta artista – de histórias em quadrinhos a pinturas históricas – que desempenhou um papel fundamental na redefinição da arte figurativa desde a década de 1950.

A exposição conta com 100 obras, incluindo colagem, pinturas, pastéis em grande escala, desenhos e gravuras a lápis e tinta. Não deixe de conferir os primeiros trabalhos da década de 1950 em que Rego explorou pela primeira vez a luta pessoal e social; a aclamada série Dog Women and Abortion; e, as cenas encenadas dos anos 2000-10. Até 24 de outubro. 

Jennifer Packer
Jennifer Packer

Jennifer Packer na Serpentine Gallery 

Combinando observação, improvisação e memória, os retratos íntimos que Jennifer Packer pinta de amigos e familiares recalibram as abordagens históricas da arte para esse gênero, lançando-o sob uma luz política e contemporânea, enquanto estão enraizados em um contexto profundamente pessoal. Packer descreve suas composições de flores como “buquês funerários” e “vasos de tristeza pessoal”- tratam-se de pinturas sobre perdas que são frequentemente feitas em resposta a tragédias de estado e violência institucional contra os negros americanos.

Say Her Name, pintura de Jennifer Packer
Say Her Name, pintura de Jennifer Packer

Com 34 obras datadas de 2011 a 2020, a exposição da Serpentine Gallery apresenta retratos de artistas do círculo de Packer em Nova York; pinturas monocromáticas; cenas de interiores íntimos; e, naturezas mortas de flores, incluindo Say Her Name – pintura criada em resposta à morte suspeita de Sandra Bland, uma mulher negra americana que se acredita ter sido assassinada enquanto estava sob custódia policial em 2015. A exposição também inclui desenhos que, para Packer, raramente são apenas um estudo, mas têm um peso próprio que difere das pinturas. Imperdível. Até 22 de agosto. 

Frank Bowling
Frank Bowling

Frank Bowling na Hauser Wirth 

A exposição inaugural de Frank Bowling como artista representado da Hauser & Wirth está ocupando  duas locações da galeria simultaneamente, em Londres e Nova York. Com obras que abrangem mais de 50 anos da carreira do ícone britânico, a mostra celebra o criativo olhar do artista para a materialidade da pintura, resultando numa intrigante expansão dos limites da abstração.

Nascido na Guiana (então Guiana Britânica) em 1934, Bowling chegou a Londres em 1953, graduando-se no Royal College of Art em 1962. Nos anos seguintes, ele dividiu seu tempo entre as cenas de arte em Londres e Nova York, mantendo estúdios nas duas cidades. Londres é a cidade onde Bowling se formou como pintor e onde foi aclamado desde cedo. Nova York é a cidade que o atraiu no auge do movimento dos Direitos Civis. “Foi um lugar de novas energias e ideias para um artista em busca de formas inovadoras de fazer pinturas”, como afirma o texto no site da galeria. O artista, vale notar, costumava começar um trabalho em uma cidade e terminá-la na outra, mesclando os ambientes de ambas.

A orientação transatlântica de Bowling se revela em uma mudança de seu envolvimento inicial com figuração expressiva e pop art, para uma imersão em uma abstração poética única que continua a evoluir até hoje. Influenciado pela tradição paisagística inglesa e pelo expressionismo abstrato americano, o artista explora a luz, cor e geometria de forma única.  Aos 87 nos, ele continua inovando com o uso de texturas espessas, géis acrílicos, colagens, costuras e pigmentos metálicos e perolados. Até 31 de julho. 

EM TEMPO: O artista também apresenta seus trabalhos em Arnolfini, em Bristol, até o dia 26 de setembro. 

James Barnor
James Barnor

James Barnor na Serpentine Gallery

Quem passar pela Serpentine também terá a chance de conhecer o trabalho do fotógrafo britânico-ganês James Barnor, cuja carreira abrange seis décadas, dois continentes e vários gêneros fotográficos: retratos de estúdio, fotojornalismo, comissões editoriais e comentários sociais mais amplos.

Nascido em 1929 em Gana, James Barnor estabeleceu seu famoso estúdio Ever Young em Accra no início dos anos 1950, capturando uma nação à beira da independência em um ambiente animado por música e conversas conduzidas pelo otimismo. Em 1959, ele chegou em Londres, aprofundando seus estudos e continuando com as colaborações para a influente revista sul-africana Drum, que refletia o espírito da época e as experiências da diáspora africana em expansão. Ele voltou a Gana no início dos anos 1970 para implementar o primeiro laboratório de processamento de cores do país. Até 22 de outubro. 

Eileen Agar
Eileen Agar

Eileen Agar na Whitechapel Gallery

Eileen Agar nunca escolheu ser surrealista. Mas seu trabalho foi escolhido para a influente Exposição Surrealista Internacional de 1936 nas Galerias New Burlington de Londres, levando-a a uma associação duradoura que mascarou as complexidades de sua relação com o movimento. Abrangendo a carreira de 70 anos da artista, Angel of Anarchy, sua retrospectiva organizada pela Whitechapel Gallery,  situa a artista não apenas dentro do surrealismo britânico, que atraiu várias pintoras talentosas para sua órbita, ou somente dentro do surrealismo francês, com seu notório posicionamento sobre as mulheres como objetos de fascínio. Com mais de 150 obras da artista, a mostra vai além desses enquadramentos e destaca seus esforços para combinar aspectos do surrealismo e cubismo em um corpo de trabalho que desafiou o domínio masculino de ambos os movimentos e foi, acima de tudo, profundamente individualista.

Combinando ordem e caos, o trabalho de Agar funde abstração vívida com imagens da arte clássica, do mundo natural e do prazer sexual. Como o texto da exposição ressalta, “seja dançando nos telhados de Paris, compartilhando ideias com Pablo Picasso ou colhendo estrelas do mar nas praias da Cornualha, Eileen Agar transformou o cotidiano em extraordinário”. Vale explorá-lo. Até 29 de agosto.

Eileen Agar
Eileen Agar