Conheça a exposição dedicada aos 150 anos do impressionismo

Apresentada pelo Museu Marmottan, em Paris, a mostra conta com um extenso percurso expositivo e coloca em destaque a tela que deu nome ao movimento

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Impression, Soleil Levant (Impressão, Sol Nascente), 1872, Claude Monet.
Impression, Soleil Levant (Impressão, Sol Nascente), 1872, Claude Monet.

Há exatos 150 anos, no dia 13 de novembro de 1872, Claude Monet pintava uma tela enquanto observava o porto à luz do amanhecer através da janela de um quarto de hotel em Havre, cidade localizada na costa normanda onde o pintor passou boa parte de sua infância. Dois anos mais tarde, em 1874, na ocasião de uma exposição independente do grupo de artistas do qual Monet fazia parte que aconteceu em Paris, Edmond Renoir, jornalista e irmão do pintor Pierre Auguste Renoir, sugeriu que Monet trocasse o nome da tela, que estava sendo exposta pela primeira vez. Assim, de Vista de Havre, seu nome original, a tela foi renomeada de Impressão, Sol Nascente

Le soleil couchant à travers le vapeu (O sol se pondo através do vapor), 1809, William Turner na mostra Face au soleil, un astre dans les arts, apresentada pelo Musée Marmottan em 2022.
Le soleil couchant à travers le vapeu (O sol se pondo através do vapor), 1809, William Turner na mostra Face au soleil, un astre dans les arts, apresentada pelo Musée Marmottan em 2022.

Ainda durante esta mesma exposição de 1874, o crítico de arte Louis Leroy escreve uma crítica para o jornal Charivari, conhecido pelo teor satírico das publicações. Leroy, em uma tentativa de fazer um jogo de palavras com o nome da tela de Monet e com o que ali estava exposto chamou o evento de “exposição dos impressionistas” e bastou isso para batizar, ao acaso, um dos movimentos mais famosos e bem sucedidos da história da arte contemporânea. 

Soleil Couchant, 1875, Gustave Courbe na mostra Face au soleil, un astre dans les arts, apresentada pelo Musée Marmottan em 2022.
Soleil Couchant, 1875, Gustave Courbet na mostra Face au soleil, un astre dans les arts, apresentada pelo Musée Marmottan em 2022.

Entretanto, o movimento, que acabava de ser batizado popularmente de Impressionismo, começara cerca de uma década antes do fatídico salão, em um grupo de artistas liderado por um artista quase homônimo e um pouco mais velho do que Monet, Édouard Manet, renomado pintor francês que figurou entre o período de transição entre o Realismo, movimento mais forte até meados da década de 1960, e o Impressionismo.

Big Ben, 1906, André Derain na mostra Face au soleil, un astre dans les arts, apresentada pelo Musée Marmottan em 2022.
Big Ben, 1906, André Derain na mostra Face au soleil, un astre dans les arts, apresentada pelo Musée Marmottan em 2022.

Para comemorar os 150 anos da tela, o Musée Marmottan apresenta uma exposição dedicada à peça-chave de seu acervo permanente. A exposição intitulada De frente para o Sol, um astro nas artes, traça um percurso cronológico bastante extenso de obras que trazem o Sol como personagem principal, tal qual acontece na tela de Monet. Assim sendo, após uma profunda e longa pesquisa feita pelo grupo de curadores da mostra, o percurso expositivo leva o visitante a testemunhar a interpretação e a representação do Sol em diversas culturas, épocas e movimentos diferentes e traz o questionamento sobre a ampla influência que o astro exerceu e exerce na trajetória dos seres humanos.

Soleil Noir, 1961, Otto Piene na mostra Face au soleil, un astre dans les arts, apresentada pelo Musée Marmottan em 2022.
Soleil Noir, 1961, Otto Piene na mostra Face au soleil, un astre dans les arts, apresentada pelo Musée Marmottan em 2022.

Iniciando com um grupo de cerâmicas, esculturas e artefatos da Idade Antiga, o percurso traz logo no início a interpretação do Sol pelos povos antigos. Levando-nos à imagens da Idade Média, e sobre as teorias do heliocentrismo e do geocentrismo que tanto dominaram a mentalidade da época. Mais adiante, encontramos trabalhos que resgatam cenas mitológicas ligadas ao astro, como o mito de Dédalos e Ícaro. A mostra também passa pelo enquadramento histórico de Louis XIV, mais famoso absolutista francês conhecido como “Rei Sol”. Depois encontramos obras mais tardias, de românticos como William Turner ou realistas como Courbet, até chegarmos ao modernismo, onde está localizada a tela de Monet ao lado de trabalhos de artistas como André Derain, Paul Signac, Camille Pissarro, Edvard Munch, Otto Dix, entre tantos outros. 

Impressão, Sol Nascente 2019, 2019, Gérard Fromanger  na mostra Face au soleil, un astre dans les arts, apresentada pelo Musée Marmottan em 2022.
Impressão, Sol Nascente 2019, 2019, Gérard Fromanger na mostra Face au soleil, un astre dans les arts, apresentada pelo Musée Marmottan em 2022.

O final do percurso da exposição é dedicado à arte contemporânea e traz, ainda, uma leitura de Impressão, Sol Nascente de 2019. Em uma tela imensa e colorida, Gérard Fromanger, convidado pelo Museu Marmottan, pintou a obra Impressão, Sol Nascente 2019 estabelecendo um diálogo com a pintura do século XIX e propondo a sua própria interpretação do trabalho. 

Serviço:

Face au soleil, un astre dans les arts 

Local: Musée Marmottan 

Endereço: 2 Rue Louis Boilly, 18º a., Paris – França

Data: De 21 de setembro de 2022 a 29 de janeiro de 2023

Funcionamento: Terça a domingo, das 10h às 18h. 

Ingresso: 8-12 euros 

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