Exposição em Brasília homenageia o centenário de Rubem Valentim

A mostra Ilê Funfun se dedica à trajetória deste que foi um dos artistas mais importantes na recuperação das referências das matrizes africanas na arte brasileira

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Rubem Valentim
Vista da exposição “Ilê Funfun”. Foto: por Tatiana Reis

Depois da temporada de celebração iniciada em São Paulo, na Almeida & Dale Galeria de Arte, Ilê Funfun: Uma homenagem ao centenário de Rubem Valentim chega ao Museu Nacional da República em Brasília. A exposição, que tem curadoria de Daniel Rangel, ainda viajará para Salvador e terá um novo recorte de obras em Roma. 

Ilê Funfun reúne coleções do Museu de Arte Moderna da Bahia, do Instituto Rubem Valentim, cuja sede está em São Paulo, e do Museu de Arte de Brasília – três locais importantes para a trajetória do artista, onde ele morou e frequentou seus ilês (terreiros). “O que é mais importante sobre Rubem Valentim está nesta exposição. Da religiosidade potente aos objetos que circundavam toda sua criação, apresentamos vida e obra deste grande artista”, diz o curador.

Rubem Valentim
Vista da exposição “Ilê Funfun”. Foto: por Tatiana Reis

Nascido em Salvador, na Bahia, o artista que completaria 100 anos em novembro deste ano foi o primeiro a propor um diálogo entre o abstracionismo geométrico e a cultura negra do país. Iniciando sua trajetória nos anos 1940 como pintor autodidata, ele participou dos movimentos de correntes modernas da arte baiana, ao lado de Mario Cravo Júnior, Carlos Bastos, Sante Scaldaferri, entre outros. 

“Valentim foi professor da UnB, mas decidiu deixar a universidade quando as perseguições da Ditadura contra alunos e docentes se intensificaram. Mas ele nunca abandonou Brasília. Adotou a cidade como sua terra e nela produziu um dos corpos de obras mais singulares da história nacional. Portanto, é um prestígio e um resgate da memória cultural da cidade receber a exposição aqui”, diz Marcelo Jorge, diretor do Museu de Arte de Brasília, o MAB, que mantém parte do acervo do artista.

Rubem Valentim
Vista da exposição “Ilê Funfun”. Foto: por Tatiana Reis

A exposição foi pensada a partir de três núcleos. O primeiro,“Templo de Oxalá”, consiste em um conjunto de obras com 20 esculturas e 10 relevos, consideradas o ápice de seu trabalho, doadas ao MAM-BA em 1997, e restauradas pela Almeida & Dale em 2022. Este núcleo, cuja cor branca é predominante, representando o panteão dos orixás saudando Obàtálá, foi apresentado pela primeira vez em 1977, na XIV Bienal Internacional de São Paulo, em uma sala especial dedicada ao artista.

Ateliê” é a seção que contempla o processo criativo do artista e, por isso, traz ferramentas que ele usava e quadros inacabados que foram interrompidos por sua morte em 1991 juntamente com parte do acervo emprestado pelo MAB especialmente para esta exposição. Por último, o visitante por ver a “Cronologia” – seção da mostra que traz sua história a partir de recortes, pesquisas, documentos e arquivos pessoais, fotografias e cartazes. 

Serviço

Ilê Funfun: Uma homenagem ao centenário de Rubem Valentim

Local: Museu Nacional da República em Brasília

Endereço: Setor Cultural Sul, Lote 2 próximo à Rodoviária do Plano Piloto, Brasília – DF

Data: Até 7 de agosto de 2022

Funcionamento: Terça a domingo, das 09h às 18h30

Ingresso: Grátis

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