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Obras saem e entram para acervos de grandes instituições, artistas mulheres ganham espaço de honra no Rijksmuseum, Abramović faz parceria com wetransfer, novas representações em galerias brasileiras – saiba quais foram os assuntos mais comentados no mundo das artes nos últimos dias

Marina Abramović
Marina Abramović
Entre os artistas indicados pela artista, está o brasileiro  Maurício Ianês
Entre os artistas indicados pela artista na plataforma, está o brasileiro Maurício Ianês

NEWS: Marina Abramović faz parceria com wetransfer para ensinar exercícios de mindfulness e  divulgar trabalho de performers, incluindo o brasileiro Maurício Ianês

A plataforma de compartilhamento de arquivos wetransfer anunciou uma colaboração exclusiva com Marina Abramović para um ano de programas online introduzidos através do braço editorial do site, wepresent. A ideia é revelar uma “manifestação digital” do método de mindfulness da artista, ensinando aos uploaders de arquivos como “estar presente no tempo e no espaço” por meio de uma série de exercícios que enfocam a respiração, o movimento, a quietude e a concentração. O wetransfer também resta apresentando trabalhos de cinco artistas performáticos emergentes, escolhidos pela própria Abramovic. Entre eles está o artista Maurício Ianês, conhecido por questionar as linguagens verbal e artística, suas possibilidades expressivas e limites, suas funções políticas e sociais, muitas vezes propondo a participação do público.  Em comunicado oficial, Marina anunciou que a capacidade de estar presente no tempo e espaço e se reconectar nunca foi tão importante. A companhia espera atingir cerca de 70 milhões de pessoas em todo o mundo. 

Vera Chaves Barcellos
Vera Chaves Barcellos é representada pela galeria Superfície

NEWS: Vera Chaves Barcellos é representada pela  galeria Superfície

Depois de trabalhar alguns anos com obras da Vera Chaves Barcellos, Gustavo Nóbrega, diretor da galeria Superfície, anunciou esta semana que vai representar a artista que desde os anos 1970 vem atuando ativamente no cenário cultural do país. Vera começa a empregar, já naquela década, a discutir os rendimentos e limites da própria linguagem fotográfica, pela manipulação com pintura e utilizando não só imagens próprias como apropriadas da mídia. A partir do final dos anos 1980, incorpora objetos às imagens fotográficas, realizando uma série de instalações.

Em 1976 integrou o grupo de artistas representantes do Brasil na 37ª Bienal de Veneza com o trabalho Testarte. Participou de quatro Bienais de São Paulo, da V Bienal de Artes Visuais do Mercosul (2005), da mostra “Anos 70 – Arte como Questão” (2007), no Instituto Tomie Ohtake, e da mostra “MAM na Oca” (2006), além de exposições coletivas na Alemanha, Bélgica, Coreia, França, Holanda, Inglaterra, Japão, Estados Unidos e Austrália. Em 2007, o Cultural Santander de Porto Alegre fez uma retrospectiva da sua carreira com a mostra “O Grão da Imagem – Uma Viagem pela Poética de Vera Chaves Barcellos”, e, em 2009, “Imagens em Migração”, uma mostra abrangente de sua obra é apresentada no MASP, em São Paulo. Em 2017, participa da exposição “Mulheres Radicais: Arte Latino-Americana, 1960–1985”, inaugurada no Hammer Museum (Los Angeles), que foi mostrada no ano seguinte no Brooklyn Museum (Nova York) e na Pinacoteca do Estado de São Paulo.

Lenora de Barros agora é representada pela galeria Bergamin & Gomide
Lenora de Barros agora é representada pela galeria Bergamin & Gomide

NEWS: Bergamin & Gomide começa a representar Lenora de Barros 

Depois de anunciar que vai cuidar do espólio de Francisco Brennand e representar o artista,  a galeria Bergamin & Gomide segue com novidades: esta semana a galeria divulgou que vai representar a artista Lenora de Barros. Com uma carreira sólida que vem se desenvolvendo desde os anos 1970, no campo das artes e da poesia visual, Lenora é reconhecida como uma das principais artistas a conjugar de modo original a linguagem escrita e plástica. Lenora de Barros é uma criadora inquieta e radical. Ao longo de quase 50 anos de carreira realizou 25 exposições individuais e mais de 100 exposições coletivas, nacionais e internacionais, e sua obra pertence a algumas das coleções mais importantes do mundo.

A artista produziu diversos trabalhos protagonizados pela sua língua, como “No País da Língua Grande, Dai Carne a Quem Quer Carne”, apresentada pela primeira vez na 24ª Bienal de São Paulo (1998) a “Bienal da Antropofagia”. A obra desdobrou-se, em 2006, em uma videoperformance quando a artista mastiga a própria língua. Entre as inspirações para a realização desse trabalho estariam não só as reflexões e o interesse da artista sobre o binômio língua-linguagem, mas uma conversa que a artista tivera na sua adolescência com o poeta Décio Pignatari. Nela, Lenora pergunta a Décio “o que é metalinguagem?”, no que ele responde: “metalinguagem é a boca que come a boca que morde a língua”.

Pintura da série Birkenau, de Gerhard Richter, inspirada em fotos de campo de concentração
Pintura da série Birkenau, de Gerhard Richter, inspirada em fotos de campo de concentração

NEWS: Gerhard Richter empresta permanentemente 100 obras para o Museu de Berlim

Fã do artista alemão Gerhard Richter ? Depois da mega retrospectiva no Metropolitan Museum of Art e belíssima mostra na galeria Gagosian em diálogo com John Cage, o artista anunciou que irá emprestar permanentemente 100 trabalhos ao Museu de Berlim dedicado às obras do século 20, num prédio assinado por Herzog & de Meuron e cuja a data da inauguração ainda está suspensa. 

Incluído no empréstimo está a série de quatro partes Birkenau, de 2014, cujo título se refere a um campo de concentração da era da Segunda Guerra Mundial. As pinturas abstratas escuras e sinistras são baseadas em fotografias do acampamento, e Richter as fez usando um rodo que puxou a tinta por suas telas. Richter, que jurou nunca permitir que essas pinturas entrassem no mercado, as exibiu no Bundestag e no Metropolitan Museum of Art. “Estou muito feliz que as pinturas estejam chegando a Berlim”, disse Richter em um comunicado.

The Serenade, de Judith Leyste
The Serenade, de Judith Leyste
Natureza-morta de Rachel Ruysch
Natureza-morta de Rachel Ruysch
Autorretrado de Gesina ter Borch em homenagem ao irmão
Autorretrado de Gesina ter Borch em homenagem ao irmão

NEWS: Rijksmuseum vai pendurar permanentemente obras de mulheres artistas em sua “Gallery of Honor”

Pela primeira vez em seus mais de 220 anos de história, o Rijksmuseum em Amsterdã colocará obras de mulheres artistas do século 17 em exibição permanente em sua Galeria de Honra central. De acordo com o jornal espanhol El País, três pinturas – dois retratos e uma natureza-morta – de Judith Leyster, Gesina ter Borch e Rachel Ruysch serão penduradas ao lado de peças de Frans Hals, Jan Vermeer e Rembrandt. Os trabalhos incluem The Serenade, de Leyster, que retrata um músico olhando em direção a um amante; uma natureza-morta de Ruysch; e, um autorretrato de Borch que homenageia o irmão falecido Moses ter Borch.

A decisão ocorre no momento em que o Rijksmuseum e outras instituições de arte ao redor do mundo trabalham para preencher lacunas em suas coleções e exposições – inclindo trabalhos de artistas mulheres, negros e indígenas. Jenny Reynaerts, curadora da pintura do século 19 no museu, disse ao jornal que “a coleção permanente oferece uma imagem da cultura com pouca perspectiva feminina”.

Mais uma coleção artsy de Virgil Abloh
Mais uma coleção artsy de Virgil Abloh

NEWS: Louis Vuitton lança coleção artsy para Primavera de 2021

O artista e estilista Virgil Abloh apresentou, essa semana, a coleção cápsula masculina Primavera / Verão 2021 da Louis Vuitton : o monograma da marca apareceu em tons aquarelados e borrados como pinturas. Abloh faz referência a artistas e skatistas da costa oeste com blazers jacquard e blusões multicoloridos, além de plastrons denim leves, camisas bordadas e blusões de couro leves.

Fundação Luma Arles, por Frank Gehry
Fundação Luma Arles, por Frank Gehry
A Noite Estrelada, de Van Gogh
A Noite Estrelada, de Van Gogh

NEW: The Luma Foundation deve abrir durante verão europeu 

A Luma Foundation, uma torre de alumínio projetada por Frank Gehry que evoca a pintura A Noite Estrelada, de Van Gogh, está quase pronta. O artista, vale lembrar, tem uma conexão forte com Arles, onde produziu muitas de suas mais famosas telas e onde localiza-se a instituição. A fundação anunciou, esta semana, a abertura para o dia 26 de Junho de 2021. A torre de 15 mil metros quadrados abriga salas de seminários, espaços de exposição, um centro de pesquisa, um auditório e um café, além da coleção da suíça Maja Hoffmann.

Financiado por uma doação de 150 milhões de euros de Hoffmann, o centro de artes Luma está sendo construído em um antigo pátio ferroviário que já foi propriedade da companhia ferroviária nacional francesa SNCF, que estava vazio desde 1986. A obra de Van Gogh retrata a vista da janela de um quarto do hospício de Saint-Rémy-de-Provence, pouco antes do nascer do sol, com a adição de um vilarejo idealizado pelo artista. “Através da janela com barras de ferro”, escreveu para o irmão, “Eu posso ver um campo cercado de trigo (…) acima do qual, durante a manhã, vejo o sol nascer com toda a sua glória.

Mississippi River, de Yayoi Kusama
Mississippi River, de Yayoi Kusama

LEILÃO: Obras raras que Yayoi Kusama deu de presente para seu médico serão leiloadas depois da morte do cirurgião 

Uma seleção das primeiras obras de Yayoi Kusama que permaneceram em mãos privadas por seis décadas será oferecida no próximo leilão da Bonhams, marcado para o dia 12 de maio. Antes da venda, as obras serão exibidas publicamente pela primeira vez, em Hong Kong, de 7 a 22 de abril. Em seguida, eles serão exibidos em Nova York.

As três pinturas e oito obras em papel do cirurgião japonês Teruo Hirose, que faleceu em novembro de 2019 aos 93 anos. Foram adquiridas diretamente de Kusama como presente no início de sua carreira em troca de atendimento médico. O conjunto deve atingir entre 8,8 milhões a 14 milhões de dólares. 

Kusama e Hirose, que permaneceram amigos por décadas, migraram do Japão para os EUA na década de 1950. Boa parte dos trabalhos do leilão foi feita ainda no Japão e tem um significado especial para a artista que sofreu bastante com a mudança, especialmente porque já lutava contra problemas de saúde. “Essas obras não apenas têm uma proveniência incrível, mas também são extremamente significativas na obra de Kusama, expressando muitos recursos e temas iniciais que ela continuaria a explorar e desenvolver ao longo de sua carreira”, disse Ralph Taylor, chefe de pós-graduação da Bonhams War & Contemporary, em comunicado oficial.

Entre os destaques da venda estão o Mississippi River e Hudson River apresentando os primeiros exemplos de seu motivo exclusivo “Infinity Net”. Cada um feito em 1960 usando uma paleta de cores vermelha e padrão de pontos pretos, eles se destacam da maioria dos outros trabalhos desta época, que eram feitos principalmente em branco.

Gustav Klimt
Rosiers sous les arbres, de Gustav Klimt

REPARAÇÃO HISTÓRICA: Governo francês busca a devolução de pinturas de Klimt vendidas sob coação durante a Segunda Guerra Mundial

Na última segunda-feira, dia 15 de março, a ministra da Cultura da França, Roselyne Bachelot, anunciou que o governo francês tomará medidas para devolver uma pintura de Gustav Klimt aos herdeiros de seu dono, mais de 80 anos depois de ter sido vendida sob coação durante a Segunda Guerra Mundial.

A proprietária judaica-austríaca original da pintura, Nora Stiasny, foi morta na Polônia em 1942. Ela foi forçada a vender Rosiers sous les arbres, pintada por Klimt por volta de 1905, seguindo o regime nazista anexação da Áustria em 1938. Uma década antes, Stiasny herdou a pintura de sua tia e tio, os industriais austríacos e colecionadores de arte Viktor e Paula Zuckerkandl, que compraram a obra em 1911 do próprio artista – eles eram apoiadores de Klimt e Josef Hoffmann. Após a morte de Viktor Zuckerkandl em 1927, sete pinturas de Klimt, incluindo seis paisagens e um retrato de sua esposa (que foi destruído em 1942), foram deixadas em sua propriedade.

A pintura está na coleção do Musée d’Orsay desde 1980, quando foi adquirida pelo estado em leilão na Nathan Peter Gallery de Zurique, uma venda aprovada pelo Conselho Artístico do Museu Nacional. Antes da aquisição para o museu de Paris, Philipp Häusler, diretor temporário da Escola de Artes Aplicadas de Viena e membro do partido nazista, comprou-a de Stiasny em 1938 por menos de um décimo do seu valor. Mais tarde, Häusler a contrabandeou para Frankfurt e o manteve até sua morte em 1966.

A fim de implementar a devolução da obra aos herdeiros de Nora Stiasny, o governo francês é obrigado a apresentar um projeto de lei que autoriza a liberação da obra da coleção nacional, com base em um roubo em 1938. 

A grande onda, de Katsushika Hokusai
A grande onda, de Katsushika Hokusai

RECORDE:  A Grande Onda de Kanagawa, de Katsushika Hokusai é a obra mais cara entre os mestres japoneses

Na última terça-feira, uma das obras mais lendárias de Katsushika Hokusai, Kanagawa oki nami ura (A Grande Onda de Kanagawa ), de 1831, bateu recorde no leilão da Christie’s, atingindo o valor de 9.7 milhões de dólares.  A cena retrata velejadores rumo a Tóquio enfrentando águas turbulentas, com o Monte Fuji visível ao fundo.

As impressões de desenhos de ondas de Hokusai, iniciadas no início de 1800, são suas obras mais famosas e chegaram a influenciar muitos pintores impressionistas. Elas foram introduzidas no mercado europeu em meados do século XIX. Na época em que esta impressão foi feita, o artista estava em seus 70 anos e em necessidade financeira.