Quase dois meses desde que a pandemia do COVID-19 levou ao cancelamento ou adiamento de dezenas de feiras de arte que aconteceriam ao redor do globo, passa a existir uma apreensão não só se os eventos voltarão a acontecer em breve, mas se alguns deles voltarão a acontecer algum dia. Isso porque as formas remotas encontradas para driblar as limitações impostas pelo isolamento social podem trazer reflexões sobre vantagens e desvantagens de algumas feiras menores existentes, fazendo com que muito seja colocado em uma balança.

Presença garantida nas maiores feiras do mundo, como as edições da Art Basel, Frieze e Arco, a galerista Luisa Strina acredita que até o momento tudo ainda é muito incerto e há uma necessidade de esperar mais para saber o que ocorrerá: “Mesmo Basel que mudou para setembro ainda não temos como saber se vai acontecer. Ainda assim pode ser cancelada”.

Vista da exposição A.A.A. montada pela Bergamin & Gomide na EXPO Chicago. Foto de Eduardo Ortega

Já Thiago Gomide, sócio-diretor da Bergamin & Gomide, arrisca um palpite sobre o que pode acontecer daqui para frente. Para ele, as feiras continuarão normalmente a partir do momento que uma vacina for disponibilizada, mas aponta um porém: “Surgiram no mundo muitas feiras pequenas, onde os organizadores não tem tanta musculatura quantos as grandes feiras internacionais, esse projetos menores podem desaparecer”. Ele também cita uma tese em contraponto, que reforça que o fato de que as pessoas viajarão menos após a pandemia, para manter um cuidado, fará com que as feiras locais, menores, se fortaleçam.

Nesse período de quarentena, o que tem se fortalecido são as vendas virtuais, em plataformas próprias ou paralelas. A mais visada no momento, a Artsy, tem abrigado inclusive edições especiais de feiras, como ocorreu no momento com a arteBA até dia 30 de abril.

Para Gomide, “muitas práticas adotadas no período de quarentena devem acabar ficando, pois acelerou o processo das empresas de criarem departamentos de atendimento virtual e geração de conteúdo”, mas não crê muito que os formatos virtuais de venda possam substituir as feiras, pois existem experiências que o online nunca poderá proporcionar. Strina, que já vende há muito tempo em plataformas virtuais, não vê isso como uma novidade. Segunda ela, os formatos virtuais sempre aconteceram e sempre vão acontecer.

Em conversa produzida no Instagram do ArteQueAcontece, o galerista Alexandre Gabriel, da Fortes D’Aloia & Gabriel, aponta um outro lado muito positivo das edições online de feiras, que é o seu alcance maior. Ele contou que a casa tem observado que “existem muitas pessoas com poder aquisitivo e interesse para comprar obras e que não frequentam feiras simplesmente porque não essas viagens cabem em suas agendas”.