Individual na Pinacoteca marca centenário de Fayga Ostrower

Pioneira da gravura abstrata no Brasil tem exposição com 130 trabalhos para comemorar seu centenário de nascimento, que aconteceria em setembro de 2020

De família judia polonesa que havia imigrado para a Alemanha, Fayga Krakowski chegou ao Brasil no ano de 1934 acompanhada de seus pais e mais três irmãos, buscando refúgio após fugirem da perseguição nazista. Fayga nasceu em 1920 e desde pequena gostava de desenhar, tendo feito diversos desenhos na viagem o Rio de Janeiro, começando assim uma trajetória autodidata nas artes.

Em 1941, assumiu o nome Fayga Ostrower ao se casar com Heinz Ostrower, estudante de medicina que foi preso pelos nazistas por lutar contra o regime ao ingressar no Partido Comunista. Heinz foi deportado para o Brasil e acabou indo trabalhar em uma livraria. A fascinação pelos livros, pela arte e as histórias de vida que se encontravam uniu os dois.

Dois anos antes, ela havia começado a estudar desenho com modelos vivos na Sociedade Brasileira de Belas Artes, onde não pôde continuar devido à sua condição financeira, e alguns anos mais tarde estuda gravura, pintura, desenho e composição com o austríaco Axel Leskoschek. É nesse momento, na década de 40, que Fayga começa a trabalhar como ilustradora, fazendo trabalhos para livros e outras publicações e se vai se tornando uma das personalidades artísticas mais importantes do Brasil no século 20!

A produção artística dessa artista que tem uma história tão forte ganhou um caráter múltiplo que se iniciou com uma série de experimentações, se desenvolvendo em várias modalidades da gravura, percorrendo xilogravuras, gravuras em metal, serigrafias e litografias, dentre outras.

Um panorama dessa produção é mostrado na exposição Fayga Ostrower: Imaginação Tangível a partir de 1 de fevereiro na Estação Pinacoteca, com curadoria de Carlos Martins! Estarão expostos 130 trabalhos dessa que é uma das pioneiras da gravura abstrata no Brasil. A exposição acontece em comemoração ao centenário de nascimento de Fayga. Falecida em 2001, ela completaria 100 anos em setembro de 2020!

A mostra está dividida em três núcleos, que acolhem respectivamente trabalhos de seus anos de formação que acompanhavam narrativas literárias (Aprendizado e experimentos); obras que marcam sua opção pela linguagem abstrata, (Consciência artística, capacidade inventiva); e por fim obras nas quais ela se aproxima de técnicas de trabalho (Expressões gráficas). Também há uma seção no espaço expositivo que reúne arquivos, registros e documentação da artista.

Para o curador, a artista “tinha essa curiosidade de imagem impressa, sem preconceito, o que interessava para ela era a multiplicação da imagem, fazer uma proposta visual que possa e tenha caráter, mesmo que multiplicado sobre o papel por qualquer tipo de mídia…, veículo para utilizar as técnicas mais variadas de expressão gráfica”.

Os ingressos para a mostra são gratuitos, mas devem ser obrigatoriamente reservados com horário agendado no site da Pinacoteca de São Paulo. É preciso estar atento a qualquer mudança de data e horário, porém, em razão de fases de quarentena implementadas pelo governo devido à pandemia. A instituição segue protocolos de segurança, como o uso de máscara obrigatório e o distanciamento social, também são feitas aferições de temperatura na entrada e é disponibilizado álcool em gel.

Fayga Ostrower: Imaginação Tangível
Curadoria de Carlos Martins
Data: De 01 de fevereiro a 31 de maio de 2021
Local: Estação Pinacoteca (Largo General Osório, 66 – Santa Ifigênia)
Gratuito, com reserva obrigatória pelo site www.pinacoteca.org.br.