Livros AQA: Warhol, a Life as Art

Se tem uma coisa que torna uma leitura de biografia irresistível são os fatos curiosos e, além de tudo, engraçados que ela apresenta sobre a vida do biografado. Nas quase mil páginas do livro Warhol: A Life as Art isso é algo quase inerente. Lançado no mês de março de 2020, em tempo de acompanhar uma grande individual do artista que abriu na Tate, em Londres, o volume é um trabalho do crítico de arte Blake Gopnik e traz um apanhado geral da vida do artista que esmiúça todas as contradições e confusões da vida do artista mais importante não só da pop art, mas um dos artistas mais icônicos da História da arte no geral.

É um trabalho de toda uma vida do biógrafo, considerando que foram feitas mais de 250 entrevistas e uma pesquisa gigantesca em torno de uma figura tão complexa quanto Warhol. E o melhor de tudo é que, como crítico de arte, Gopnik não se limita a contar os acontecimentos da vida do artista como meros momentos ou, como muitos biógrafos gostam, como meras fofocas. Ele destrincha alguns dos trabalhos do artista, considerando todas as multiplataformas de seu repertório, falando não só das pinturas, mas também de sua influência cinematográfica e musical, por exemplo.

Quando se volta a contar relações do artista com outras pessoas, não se limita a falar apenas do vínculo, mas também se volta para contextualizar a vida dessas personagens coadjuvantes que aparecem ao longo dessa história empolgante.

Mesmo nos assuntos mais pessoais do artista, como sua orientação sexual, o livro não expõe isso como se fosse um tabloide, mas sim como uma questão séria que mostra que o artista era extremamente seguro e confortável com sua sexualidade, e inclusive era bastante ativo sexualmente.

A parte disso, acontecimentos muito engraçados como quando Warhol perseguiu Truman Capote ou quando quis contratar um sósia para palestrar em seu lugar numa universidade são contados de forma fluida e hilária. Momentos emblemáticos da carreira de Warhol são impactantes quando descritos cena a cena na narrativa, como a noite de abertura de sua primeira exposição em museu Institute of Contemporary Art, na Filadélfia, que aglomerou muitos fãs que queriam ver o artista e seus trabalhos.

É interessante ressaltar também que o autor também toma o cuidado de desfazer mitos em torno da vida de Warhol, como o fato de muitos dizerem que o artista não teve uma formação de ponta. Gopnik aponta que apesar de ter tido uma infância pobre em Pittsburgh, o artista teve acesso a aulas de arte a partir de uma ação generosa da família Carnegie.