Morumbi, Caxingui, Butantã

Capela do Morumbi; Casa do Sertanista; Casa do Bandeirante, São Paulo

O Museu da Cidade de São Paulo se articula a partir do seu acervo arquitetônico, um conjunto composto por doze importantes construções distribuídas pela cidade. São sítios históricos, onde se encontram moradias rurais dos séculos XVII, antigas residências situadas junto ao marco inicial da ocupação urbana na região central, assim como exemplares representativos de outros momentos significativos na nossa história e no nosso desenvolvimento. A exposição MORUMBI, CAXINGUI, BUTANTÃ, com curadoria de Douglas de Freitas, se funda no próprio conceito de rede do Museu da Cidade, se espalhando por três de seus sítios históricos, conectando-os.

MARCIUS GALAN – MARÁ-OBI
A instalação de Marcius Galan parte de uma das possíveis origens da palavra Morumbi, o tupi Mará-obi, que significa lugar de lutas, peleja oculta, cilada. O artista parte da tipologia de grades e cercas presentes na cidade contemporânea, para construir sua instalação. Na Capela do Morumbi essas grades se desconstroem para se ordenar em lanças. Mobiliário urbano de defesa e proteção vira ferramenta de batalha ou resistência. Essas lanças, grades e cercas se armam em estruturas, se espalham, ou se derretem pelo espaço. Mará-obi se funda no lapso entre a São Paulo pré-colonial da ocupação indígena, e a São Paulo contemporânea, dos grandes muros e grades.

MATHEUS ROCHA PITTA – REINTEGRAÇÃO DE POSSE
Em Reintegração de Posse Matheus Rocha Pitta ocupa o centro da Casa do Sertanista com sólidos de taipa de pilão, mesma técnica usada na construção da Casa. Tais blocos de taipa foram modelados a partir do volume de móveis e eletrodomésticos, que agora estão acorrentados ao redor dos elementos de terra, como que expulsos de seu lugar. A terra retoma a posse do espaço, mas paradoxalmente é memória dos elementos que o ocupavam anteriormente. Essa operação abre possíveis usos e histórias do espaço: a incerteza histórica toma formas modernas, embaralhando as coordenadas da vida contemporânea e do passado colonial.

CINTHIA MARCELLE – A FAMÍLIA EM DESORDEM com a participação de Aline Tosto, Bruna Braza, Bruno Augusto Faria, Bruno Augusto Ramos, Rafael Freire e Willieny Cruz
A Família em Desordem reage às propriedades arquitetônicas da Casa do Bandeirante ao criar duas estruturas que se apropriam do espelhamento da planta da Casa, produzindo também uma imagem espelhada da ordem e do caos. Cada espaço começa o processo contendo uma quantidade e variedade idênticas de materiais, tanto naturais como industriais, incluindo pedra, tijolo, giz e terra. Cinthia Marcelle trabalha coletivamente com artistas e profissionais do educativo do Museu da Cidade de São Paulo para desestabilizar e potencialmente destruir ou reconstruir uma das estruturas. O resultado visual deste processo permanece desconhecido até que a exposição seja aberta ao público.

 

Morumbi, Caxingui, Butantã
Curadoria:
Douglas de Freitas
Visitação: até 17/02/19; terça a domingo, 9h-17h
Capela do Morumbi: Av. Morumbi, 5.387, São Paulo. Entrada gratuita
Casa do Bandeirante: Praça Monteiro Lobato s/n, São Paulo. Entrada gratuita
Casa do Sertanista: Praça Ênio Barbato s/n, São Paulo. Entrada gratuita