“Sempre considerei meu trabalho outra atividade de algum tipo”, observou o artista Donald Judd. “Eu certamente não achava que estava fazendo escultura.” Um dos principais expoentes do minimalismo americano, Judd recusou qualquer tentativa de rotular sua obra. A abordagem revolucionária à forma, materiais, métodos de trabalho e exibição foi além do conjunto dos termos existentes em meados do século Nova York.

Quem passar pela cidade até 11 de julho, poderá conferir a primeira grande retrospectiva americana dedicada ao artista em mais de três décadas: Judd reúne 70 obras, entre escultura, pintura e desenho deste artista que mudou a linguagem da escultura moderna.

Donald Judd (1928–1994) iniciou sua carreira trabalhando como pintor enquanto estudava história da arte e escrevia críticas de arte. Integrante de uma geração de artistas que procurou superar as inovações do expressionismo abstrato, Judd passou de duas para três dimensões, para o que chamou de “espaço real”, abandonando o foco no gesto do artista. Em seus relevos construídos e peças de piso de madeira, ele estabeleceu um novo tipo de criação de objetos que rejeitava ilusão, narrativa e conteúdo metafórico.

A partir do anos 1960, o artista passou a usar materiais industriais, como alumínio, aço e acrílico. Não contente, passou a delegar a produção de seu trabalho a lojas de metal locais levando a arte à indústria sem medo. Com a ajuda desses fabricantes especializados, ele desenvolveu um vocabulário exclusivo de volumes retos e retilíneos, geralmente organizados em série. Nos anos seguintes, “caixas”, “pilhas” e “progressões” continuaram a aparecer como a estrutura principal para Judd introduzir diferentes combinações de cor e superfície. Vale conferir, ainda, a relação que o artista tinha com design e arquitetura.

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