O documentário mostra amizade entre artista e o ladrão de sua obra

The Painter and the Thief revela uma relação bonita e complexa

The Painter and the Thief
A artista pede para pintar o ladrão de seu trabalho

Em 2015, duas pinturas da artista tcheca Barbora Kysilkova foram roubadas da Galeria Nobel em Oslo. Os dois autores foram rapidamente presos e condenados a 75 dias de prisão, mas a obra de arte não foi recuperada. Devastada com a perda ( eram suas pinturas favoritas!), Kysilkova começa a buscar respostas e acaba convidando um dos ladrões, Karl-Bertil Nordland, para ir no seu ateliê. Ela deseja pintá-lo. Assim começa o documentário The Painter and the Thief .

Mas diretor Benjamin Ree não ficou satisfeito em deixar o que poderia ter sido um curta-metragem inspirador e bonito. Ele continuou a seguir Karl e Barbora por vários anos e, assim, conseguiu desenhar complicações em ambos os sujeitos e sua amizade. E o que poderia ser apenas uma jogada para recuperar seus trabalhos acaba se tornando uma relação de amizade complexa, na qual a artista faz tudo o que está em seu alcance para ajudar o responsável pelo furto de sua obra. 

Aos poucos o filme revela a personalidade de cada um mostrando como Karl arruma confusão por causa do vícios, num processo de autodestruição, e como Barbora se sente atraída e inspirada pelos processos autodestrutivos deles. Um grave acidente de carro no meio do filme quase o paralisa, deixando-o com uma recuperação árdua e enfrentando mais tempo de prisão por dirigir embriagado. Como ela faz o possível para apoiá-lo, o filme interroga exatamente que tipo de ajuda é apropriada. Quando a artista vê a mão perfurada do ladrão, por exemplo, ela logo fotografa para fazer uma pintura.  

The Painter and the Thief
Karl-Bertil Nordland chora ao ver o seu retrato pintado por Barbora Kysilkova. O nome do trabalho é The Pussy in You

The Painter and the Thief habilmente equilibra várias questões díspares, mas não totalmente relacionadas, discutindo classe, criminalidade, trabalho e ética, particularmente no que se refere ao mundo da arte. Na medida em que ela continua a usá-lo como muso, seu namorado ( o único consciente sobre complexidade da relação) questiona se ela está explorando a dor e as circunstâncias dele.

 Além das dificuldades da inspiração,o  filme lida, ainda, com o elemento cotidiano da arte como um trabalho que nem sempre é recompensado imediatamente ( em alguns casos nunca é!). Em uma cena, o cartão de crédito de Barbora é recusado quando ela tenta comprar mantimentos. No entanto, mesmo com dificuldades ela ainda está, como um membro instruído do campo criativo, em uma posição melhor do que Karl, cuja experiência sofrendo abuso o assombra durante tentativas contínuas de melhorar sua vida.

The Painter and the Thief
Inspiração ou exploração? A relação entre pintora e modelo é questionada no filme The Painter and the Thief