O trânsito escultórico de Liuba Wolf

Saiba quem foi a artista búlgara que radicou-se em São Paulo e tornou-se uma das mais exímias escultoras do século XX

Vista de exposição de Liuba na Galeria Marcelo Guarnieri. Foto: Cortesia da galeria.

Nasceu em 1923, na cidade de Sófia, Liuba Anguelova Boyadjieva. Filha de uma família bastante inserida no cenário cultural e intelectual, bastante burguês inclusive, seu interesse pelas artes foi aflorado desde muito pequena, sendo bastante incentivada pelos pais. Mas antes mesmo das artes visuais, ainda criança, ela se dedicou aos estudos de literatura e de música. Apenas duas décadas depois, quando foi obrigada a mudar-se para a Suíça por causa da Segunda Guerra Mundial, com o perigo do país soviético onde nasceu ser invadido por tropas nazistas, ela viu nas artes visuais, mais especificamente no fazer escultórico, o seu destino.

Em Zurique, onde veio a morar após a mudança, conheceu a escultora Germaine Richier, renomada escultora francesa da Escola de Paris que trabalhou com  Antoine Bourdelle. Liuba trabalhou com Richier entre os anos de 1943 a 1949, não só no ateliê na Suíça, mas também no ateliê em Paris, onde a búlgara também criou seu próprio ateliê.

Enquanto a artista havia vivido esse trânsito pela Europa, seus pais, também fugindo da guerra, tinham escolhido a cidade de São Paulo, no Brasil, para se exilar. Assim que seu trabalho com Richier terminou, Liuba embarcou e diversas viagens pela própria Europa mas também pelos EUA, pelo norte da África e, finalmente, pela América do Sul. Em 1958, então, decidiu se estabelecer em um lugar fixo, decidindo viver na mesma cidade que seus pais haviam escolhido, São Paulo. A artista, porém, manteve o seu estúdio parisiense!

Trabalhando a tradicional técnica de escultura em bronze que aprendeu com Richier, Liuba passava cada vez mais a desenvolver as aptidões que adquiriu, fazendo o original em argila, fundição em cera perdida, pátinas, dentre outras coisas. No mesmo ano que chegou a São Paulo, ela conheceu o empresário Ernesto Wolf, com quem veio a se casar pouco tempo depois, apropriando-se do sobrenome pelo qual ficou conhecida: Liuba Wolf ou, também, simplesmente LIUBA, assim em caixa alta! Ela e o marido passaram a viver entre São Paulo e Paris, onde passavam temporadas.

Em seu currículo constam diversas exposições importantes, como a Bienal de São Paulo (1963, 1965 e 1967), o Salão Nacional de Arte Moderna do Rio de Janeiro (1962-1963) e o Salon de la Jeune Sculpture de Paris (1964-1979). Uma individual importante no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro em 1965 também foi um marco essencial para despontar como grande escultora.