Desde a realização da primeira edição virtual da feira Art Basel, em março, quando ela deveria estar acontecendo em Hong Kong, ficou planejado que todas próximas (também em Basel e Londres) também teriam vendas na plataforma virtual como uma forma “anexa” à feira física. Acontece que a Art Basel que ocorreria na Suíça em setembro (já tendo sido adiada por causa da pandemia) foi cancelada. Desta forma, a feira acontece exclusivamente entre os dias 17 e 26 de junho na sua versão online.

Separamos abaixo algumas obras que merecem a nossa atenção nesta edição virtual da feira. É interessante observar como as questões urgentes do momento em que vivemos estão representadas nos estandes de algumas das galerias mais importantes do mundo, que trazem obras que fazem menção, por exemplo, às causas do movimento #BlackLivesMatter.

É importante estar atento também aos eventos paralelos que também acontecerão de forma virtual durante os dias de realização da Art Basel. Um dos destaques é a conversa entre Cecilia Vicunã e Hans Ulrich Obrist sobre justiça ambiental que será realizada pela Lehman Maupin na sexta-feira, 19.

Também na sexta, às 13hrs, o galerista Alex Gabriel irá realizar uma espécie de “visita guiada” pela seleção de obras levadas pela galeria brasileira. Na segunda-feira, a 303 Gallery coloca os artistas Graham e Jeppe Hein para conversar sobre seus processos de criação e muito mais. Fique atento ao horário com base no fuso de seu país em relação à Suíça.

Ouattara Watts Usual Suspects, 2008
Ouattara Watts, Usual Suspects, 2008.

Em suas pinturas, Watts casa a sua formação africana e a sua experiência vivendo nos Estados Unidos, justapondo alguns materiais que fazem referência aos dois mundos. Juntos, esses elementos visuais se combinam para preencher as composições de Watts com múltiplos significados que se referem aos conjuntos de mistura social, cultural, espiritual e histórica que caracteriza seu ambiente global. O artista tem obras no estande da galeria italiana Maggazzino.

Arjan Martins, ‘Placidez e Perplexidade’, 2020.

Em trabalho inédito, realizado há poucos dias, o artista carioca Arjan Martins fala sobre o menino João Pedro, que foi assassinado pela polícia do Rio de Janeiro no mês passado. A obra se integra à pesquisa do artista em torno do racismo estrutural e das perpetuações das violências que são cometidas contra as pessoas negras desde a colonização do Brasil. Arjan é representado pela galeria brasileira A Gentil Carioca.

Renée Green, “Partially Buried Triptych,” 1996.

Este trabalho de Renée Green, no estande da Bortolami, faz parte de uma série que explora o papel da memória e da percepção na criação de histórias pessoais e coletivas. Ele traz referências pictóricas às figuras de Angela Davis, Theodor Adorno e Hendrix. O que os relaciona é o local simbólico para as muitas misturas culturais que podem ocorrer como resultado das várias migrações.

Marina Rheingantz, Studio, 2020

No estande da Fortes, D’Aloia e Gabriel, esta obra da artista Marina Rheingantz leva texturas interativas em tons suaves que buscam levar o público a lugares criados pela memória. A artista dá “atenção especial às bordas dos campos de cores”, que são evidenciadas com a utilização de tinta aplicada irregularmente, usando tons claros ao centro e cores mais contrastantes nas laterais.

Brice Marden, Large Letter Drawing, 2007 © 2020 Brice Marden/Artists Rights Society (ARS), New York

Esta obra está na série Letter, que o artista começou a realizar em 2006, que traz pinturas e trabalhos em papel, fazendo referência à caligrafia chinesa, a qual o artista passou a explorar em 1986, em um momento que buscava cada vez mais uma expansão das composições monocromáticas que eram realizadas em seus primeiros trabalhos. A obra pode ser encontrada no estande da Gagosian.

Paulo Nazareth, Sem título, da série Objetos para tampar o Sol de seus olhos, 2010

Uma das obras do paulistano Paulo Nazareth que no estande online da galeria Mendes Wood DM, esta fotografia faz parte de uma série que faz referência a objetos de origem indígena utilizados como adornos. Em seus trabalhos, Nazareth concilia várias referencias estéticas de diferentes de grupos de diferentes origens que compõem a pluralidade étnica brasileira.

Tracey Emin, Because You Kept Touching Me, 2019 ​

A galeria Xavier Hufkens leva esta obra significativa da artista inglesa Tracey Emin, que faz parte de um conjunto de trabalhos que englobam imagens a partir de lembranças e sonhos. A artista puxa seus sentimentos mais profundos na linguagem e na materialidade dessas obras, buscando transmitir suas experiências por meio de uma conversa quase confessional com o público.

Lee Ufan, Relatum – Four sides of messengers, 2014

A obra do artista coreano formada por placas espelhadas, quadrados de aço e pedras pesadas dão ênfase às geometrias, criando espaços meditativos onde as linhas e os fluxos fiquem concentrados em um só espaço do local onde ela está montada. É uma obra que evoca a contemplação e a espiritualidade, muito focada na natureza, tendo o Sol como algo essencial para que ela funcione. A obra está no estande da Pace Gallery.

Kyle Dunn, Reading, 2020

O corpo masculino como objeto desejante e desejado é muito presente na obra de Kyle Dunn, que pensa a difusão de imagens queer por meio de suas obras. Representado pela P·P·O·W, o artista busca transmitir uma imagem de suavidade e sensualidade masculina ao mesmo tempo, usando o seu próprio corpo e o corpo de seu marido como “moldes” para suas criações.

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