Paulo Nimer Pjota expõe na Grécia obras comissionadas de iniciativa da DEO Projects

Artista brasileiro apresenta, a partir de 10 de julho, nova série produzida na ilha grega de Chios, em um antigo matadouro da cidade, no Volunteer Park

Paulo Nimer Pjota, Centopeia 1 e Centopeia 2. FOTOS: Reprodução / Instagram do artista

Em abril, a plataforma independente de arte contemporânea DEO Projects, sediada na ilha de Chios, na Grécia, anunciou que o artista brasileiro Paulo Pjota Nimer seria convidado para desenvolver para realizar uma nova série de obras que fariam parte da edição que inaugura sua Comission Series. A iniciativa teve o apoio da jovem colecionadora paulista Jessica Cinel, que já há algum tempo acompanha o trabalho de Pjota e atualmente faz parte do quadro de diretores do MuBE (Museu Brasileiro da Escultura e da Ecologia).

O artista desembarcou em Chios para um período de imersão e residência em meados de maio. “Sobre trabalhar aqui, pra mim foi uma outra realidade de encarar meu processo criativo, por estar numa ilha com pouca distração me senti muito mais produtivo e focado”. Ele explica ao ARTEQUEACONTECE que isso se dá inclusive por Chios não ser uma ilha turística, com uma proximidade muito grande de temas que o interessam desde sempre, como a arte grega ancestral e a relação com o plantio e a terra. Para ele, isso “transmite um entendimento mais profundo do dia a dia e da cultura grega”.

Paulo Nimer Pjota, Centopeia 1 e Centopeia 2. FOTOS: Reprodução / Instagram do artista

A nova série, das quais fazem parte as obras Centopeia 1 e Centopeia 2, está em exibição agora em um antigo matadouro da cidade de Chios, em uma exposição que faz um diálogo também com obras anteriores de Pjota, como Clay e Savage and Sweetie. A mostra nesse espaço localizado no Volunteer Park fica em cartaz até o dia 10 de agosto.

Pjota conta, ainda que os acontecimentos que se deram ao longo dos últimos meses deram a ele uma leitura diferenciada de seu próprio processo criativo. “A possibilidade de não pensar apenas no final da produção, ou seja, o que vai estar na exposição mas sim no processo e em poder mostrar experimentações que não necessariamente precisam ser boas ou ainda maduras…”, ele explica e acrescenta que acredita que uma experiência de residência artística “deva ser este lugar de possibilidade e dúvidas, não de certezas e produtos finais”.

Um ponto importante para o desenvolvimento dessa série comissionada é que Pjota pode ter contato com diversos períodos da História que Chios abarca em seu território. Apesar de não ter levado nada específico do que viu ou viveu para os trabalhos ali criados, ele pontua que considerou nas obras uma experiência atmosférica do que produzi ali: “(…) do dia a dia no convívio com pessoas em um vilarejo super pequeno, dos museus e lugares que visitei e da possibilidade de cruzar esses tempos da História que aqui são tão presentes, desde o período clássico grego, depois o império bizantino e otomano”.

A Comission Series da DEO Projects é uma iniciativa que acontecerá anualmente, sempre apoiada por um patrocinador que acompanhará todas as fases da residência, “permitindo que diversas práticas na ecologia das artes se conectem e alcancem objetivos ambiciosos em conjunto”, como frisado em seu texto institucional. Esta primeira iniciativa, com apoio de Jessica Cinel, vai de encontro à sua visão que, de acordo com a DEO, traz “novas abordagens e perspectivas para colecionar e patrocinar enquanto atua como um incentivo para jovens artistas e profissionais, fornecendo apoio e atenção”, o que dialoga com sua coleção que “se estrutura em torno de noções de fronteiras e limites, seguindo sua postura de ver um mundo sem esferas”.

A ideia é que vários espaços de Chios sirvam de “vitrine” para os trabalhos que sejam produzidos ao longo das residências que se encaminharão nos próximos anos, não necessariamente museus e galerias, mas também espaços públicos e não institucionais que fazem parte da História e da identidade da ilha.