Pedro Neves apresenta exposição na galeria Portas Vilaseca

Pedro Neves pinta 11 telas inspirado por referências estéticas da cultura popular mineira e busca resgatar conexão com sua ancestralidade

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Pedro Neves, na Portas Vilaseca
Pedro Neves, na Portas Vilaseca

O cortejo Boi da Manta é uma festa pré-carnavalesca mais tradicional da cidade de Pedro Leopoldo, em Minas Gerais. No início do ano, toda a população da região encarna o boi ( protagonista da festa!) que costuma trazer uma vestimenta de chita – desde suas origens, em 1919, o cortejo está ligado ao mercado de tecelagem da região e ao gosto local. 

O festejo do boi, vale notar, é uma manifestação cultural que mantém viva e resgata as estéticas espirituais africanas bantus no Brasil, reunindo história e diversão nas ruas. Trata-se, portanto, de um costume cuja força vai além do carnaval, representando um importante encontro de referências ancestrais africanas e ameríndias no Brasil. 

Carapuça, Pedro Neves, na Portas Vilaseca
Carapuça, Pedro Neves, na Portas Vilaseca
Carapuça, Pedro Neves, na Portas Vilaseca
Carapuça, Pedro Neves, na Portas Vilaseca

O artista Pedro Neves parte dessa tradição estética, de elementos da cultura popular mineira e dos padrões do vestuário presentes ali para criar 11 pinturas expostas, até o dia 20 de abril, na galeria Portas Vilaseca no Rio de Janeiro. Tripa, nome escolhido pelo artista para sua primeira individual no espaço, é o dançarino que veste a máscara de chita e empresta o corpo ao boi.  

O processo criativo e as escolhas são afetivas: o bisavô de Pedro costumava comprar palha para elaborar os chapéus que usava, mas também tinha chapéus mais estruturados materialmente. Nasceu, a partir dessa memória, o conceito  “palha e massa”  presente nas telas. As duas telas que abrem a exposição são possíveis retratos do bisavô que o artista conheceu pouco – revelando um desejo de reconexão ancestral – ressaltam a sensibilidade da “palha”, enquanto as pinturas seguintes trazem a ideia de “massa” ao apresentar mais peso e corpo. Repare em Solidão, onde mulheres dançam com figuras fantasmagóricas; e, em A um palmo, pintura de uma figura envolvida ( ou atacada) também por assombrações – ambas apontam para violências físicas e pscicológicas vividas diariamente pelas pessoas negras. No terceiro andar, vemos as obras azuis ligadas à vontade de reconexão do homem com a natureza e ,mais uma vez, com sua ancestralidade.

Solidão, de Pedro Neves, na Portas Vilaseca
Solidão, de Pedro Neves, na Portas Vilaseca

Neste contexto, o artista desenvolveu obras “de palha e de massa” que representam não só as culturas populares, mas que também despertam importantes questionamentos sobre as feridas da colonização do Brasil; sobre o papel da mulher nesta sociedade e na família; e, sobre a preservação da cultura negra e indígena na cultura popular – o que não deixa de ser forma de resistência.  A ideia não é ditar respostas, mas apontar para novos entendimentos de território e identidade, seja por meio da dança e cantos ou pelo reencontro com a natureza.

Pedro Neves, na Portas Vilaseca
Pedro Neves, na Portas Vilaseca
Mata, de Pedro Neves, na Portas Vilaseca
Mata, de Pedro Neves, na Portas Vilaseca
A um palmo, de Pedro Neves, na Portas Vilaseca
A um palmo, de Pedro Neves, na Portas Vilaseca

Tripas 

Data: até 20 de abril 

Local: galeria Portas Vilaseca 

Endereço: Rua Dona Mariana, 137, casa 2 – Botafogo / Rio de Janeiro

Funcionamento:de terça a sexta-feira (11h00 – 19h00); aos sábados (11h00 – 17h00)

Ingresso: grátis

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