Projeto multilinguagem de Nuno Ramos no Sesc é resposta às incertezas do presente

O projeto “A Extinção É Para Sempre” tem sete episódios e a participação de nomes de várias áreas da cultura, como Noemi Jaffe e Romulo Fróes

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A instalação Chama. Foto: Eduardo Ortega.

O artista Nuno Ramos apresenta no Sesc Avenida Paulista o seu mais novo projeto, intitulado A Extinção É Para Sempre. Iniciado no último dia 25 de maio, o projeto é composto por sete episódios que englobam várias linguagens da arte: cinema, performance, literatura, teatro, artes visuais, dança e música! Com realização do Sesc São Paulo e apoio do Goethe-Institut, essa iniciativa tem como objetivo responder a tantas questões que nos atravessam no tempo presente, como a naturalização da violência, o luto, a ameaça de extinção das espécies e das instituições, da violência e da memória histórica e tantos outros pontos.

A instalação Chama. Foto: Eduardo Ortega.

“Pensei neste conjunto de trabalhos pressionado por esta inédita sensação de ameaça, buscando uma reação. Reação, antes de mais nada, através do próprio exercício da linguagem”, escreve o artista em um texto sobre o projeto. Em um site feito especialmente para o projeto, o público é informado sobre o número de mortes pela violência e por covid no Brasil em 2021 e sobre o número de pixels mortos desde o início do projeto.

No primeiro episódio, que soa como um “primeiro ato”, é apresentado Chama, uma espécie de monumento que remonta a uma “chama eterna” que homenageia todos aqueles que perderam suas vidas ao longo da pandemia. Ela pode ser vista no Sesc Avenida Paulista, mas sua atividade será transmitida de forma ininterrupta de forma virtual durante o período de 1 ano. Você pode conferi-la no site, clicando aqui, até o dia 25 de maio de 2022. Esta chama configura “um chamado internacional ao luto, à pausa e à dignificação de cada perda”.

A próxima ação será Chão-Pão, uma performance que acontecerá nas dependências do Sesc mas não será aberta à visitação física. Ela será transmitida ao vivo para o espectador no site do projeto nos dias 28, 29 e 30 de maio de 2021. Neste segundo ato, os performers que participam da atividade, criada por Nuno, caminham e dançam sobre um chão repleto de lajotas e pães que estão impróprios para consumo, quebrando e modificando esse chão-pão. Ao longo da performance, são exibidos trechos dos filmes Deus e o Diabo na Terra do Sol e Terra em Transe, de Glauber Rocha, dando ênfase a uma frase específica que aparece nas duas produções: “A culpa não é do povo”.

A direção musical de Chão-Pão é feita pelo músico Romulo Fróes e no elenco dela está o coreógrafo e performer Eduardo Fukushima. Eles são alguns dos artistas de outras áreas da cultura que foram convidados por Nuno para integrar o projeto. Participam de A Extinção é Para Sempre, ainda, nomes como Antonio Araujo, Jorge Bodanzky, Noemi Jaffe, Allyson Amaral e Tenca Silva. A ideia de chamar várias pessoas para participar partiu de uma vontade do artista de trabalhar com diversos registros. Ele explica: “Temos de fazer, na cultura, o que a representação política não tem conseguido fazer, que é uma abertura, uma capacidade de contaminação entre o que pareceria incongruente. Isso tudo tem de somar agora, mostrar a força que as diferenças têm quando pisam num mesmo chão”.

Os próximos episódios/atos do projeto estão em desenvolvimento e serão disponibilizados para o público à medida que o contexto da pandemia permitir ao longo dos próximos meses, dependendo de suas possibilidades de interação. São eles: Iracema Fala, Monumento, Os desastres da Guerra, Helióptero e A extinção é para sempre. 

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