Protestos em museus se tornam cada vez mais frequentes

Depois da Mona Lisa tomar um “golpe de bolo”, ativistas colam as mãos em obras de arte para direcionar atenção aos problemas climáticos

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Ativistas italianos do grupo Ultima Generazione colam as mãos sobre o vidro de proteção da obra A Primavera, de Sandro Botticelli, na Gellerie degli Uffizi, em Firenze.
Ativistas italianos do grupo Ultima Generazione colam as mãos sobre o vidro de proteção da obra A Primavera, de Sandro Botticelli, na Gellerie degli Uffizi, em Firenze.

Após a Mona Lisa ter sofrido um ataque e ter o seu vidro de proteção coberto de bolo por um ativista disfarçado de uma senhora cadeirante, outras obras clássicas importantes vêm sendo alvo dos ativistas climáticos. Desde junho deste ano, pessoas ligadas ao movimento britânico Just Stop Oil, grupo ativista climático que usa a resistência civil com o objetivo de garantir que o governo do Reino Unido se comprometa a interromper o licenciamento e a produção de novos combustíveis fósseis, começaram a realizar protestos em museus como Royal Academy e National Gallery, ambos em Londres.

Este movimento surgiu recentemente contra novos licenciamentos de óleo e gás no mar do norte que estão sendo tratados pelo governo britânico e que vão na direção oposta das metas estabelecidas na última conferência do clima para a ONU e do tratado de Paris.

Ativistas do movimento britânico Just Stop Oil usam tela de John Constable para fazer protesto na National Gallery, em Londres.
Ativistas do movimento britânico Just Stop Oil usam tela de John Constable para fazer protesto na National Gallery, em Londres.

Em todos os “protestos” ele reproduziram uma conduta semelhante, colando as mãos nas molduras de quadros como uma reprodução do século XVI da Última Ceia de Leonardo da Vinci atribuída a Giampietrino e Pessegueiros Florescendo, 1889, de Van Gogh.  Em outra obra, A Carroça de Feno, 1821, de John Constable, além de terem colado as mãos sobre a moldura, os ativistas também cobriram a tela com posters que traziam uma “versão reimaginada” dela, transformando o cenário pacato da carroça de feno em um mundo com aviões e incêndios.

Mona Lisa após ter sido alvo de protestos no Louvre, em Paris.
Mona Lisa após ter sido alvo de protestos no Louvre, em Paris.

Mas o episódio mais recente não aconteceu em Paris e nem em Londres, mas em Firenze, em plena Gallerie degli Uffizi e o alvo foi A Primavera, 1482, de Sandro Botticelli. Os ativistas protestantes desta vez, foram dois italianos ligados ao movimento Ultima Generazione, que também protesta e alerta para os perigos da mudança climática. Seguindo, talvez, o exemplo dos colegas ingleses, a dupla italiana composta por um menino e por uma menina também colou as mãos sobre o vidro de proteção posicionado sobre uma das mais importantes obras do renascimento italiano que, por sinal, foi analisada aqui anteriormente. Os italianos, como os ingleses, também expuseram cartazes durante o protesto que continham mensagens relacionadas ao ativismo climático. 

Nenhuma das obras foi danificada pelos protestos e as que foram retiradas após os ataques, logo retornaram a seus lugares.

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