Quem são os artistas com obras na “Enciclopédia Negra”?

Livro recém-lançado pela Companhia das Letras tem retratos de personalidades biografadas desenvolvidos por diversos artistas contemporâneos

Mulambö, Rosa, 2020.

Acaba de ser lançada pela editora Companhia das Letras a Enciclopédia Negra, um livro de quase 700 páginas que reúne biografias das mais diversas e essenciais personalidades negras brasileiras. Escrito a seis mãos por Flávio dos Santos Gomes, Jaime Lauriano e Lilia Schwarcz, o volume coloca em foco 550 pessoas negras que construíram a História do Brasil em setores plurais, com o objetivo de “restabelecer o protagonismo negro na experiência nacional”.

Além dos verbetes biográficos, esse livro essencial traz obras de 36 artistas contemporâneos brasileiros, que retratam à sua maneira alguns dos personagens presentes na edição. Vários deles foram apresentados aqui no ARTEQUEACONTECE em outras ocasiões, seja nas nossas matérias, em listas, nos takeovers em nossas redes sociais ou mesmo na nossa seção de Artista Aposta! Desses artistas, podemos destacar: Dalton Paula, Antonio Obá, Sonia Gomes, Tiago Santa’Ana, Monica Ventura, Panmela Castro, Bruno Baptistelli, Mariana Rodrigues, Arjan Martins, Juliana dos Santos, Heloisa Hariadne, Castiel Vitorino, Marcelo D’Salete, Ayrson Heráclito, Renata Felinto, Moisés Patrício, Rodrigo Bueno e o próprio Jaime Lauriano!

Outras e outros artistas com obras feitas especialmente para a Enciclopédia Negra você vai conhecer agora, nesta lista abaixo, onde traremos um pouco da biografia de cada um, além de suas redes sociais para que você possa acompanhar mais sobre seus trabalhos.

Todos os 36 artistas estarão com os trabalhos presentes no livro e outros de sua autoria na exposição homônima do livro que acontecerá na Pinacoteca de São Paulo, com abertura programada para o dia 1 de maio, podendo ser adiada de acordo com a situação da pandemia na capital paulista. Siga o ARTEQUEACONTECE para saber mais, em breve, sobre a mostra.

Andressa Monique, Benjamin de Oliveira, 2020


Amilton Santos
O artista Amilton Santos é natural do litoral de São Paulo. Nascido em Santos em 1977, ele é mais conhecido por seus trabalhos como ilustrados, especialmente de histórias em quadrinhos. Ele faz parte da equipe de artistas que trabalham com empresas como a Marvel e a DC Comics, as maiores do universo pop. Entre as revistas nas quais trabalhou estão Star Wars, O Homem Aranha e Capitã Marvel.

Andressa Monique
Nascida em Salvador, na Bahia, Andressa Monique é formada em Arquitetura e Urbanismo e começou seu trabalho com arte grafitando nas ruas de sua cidade natal. Seu trabalho busca uma reconexão de sua ancestralidade através da representatividade de mulheres negras e
com a representação de divindades das religiões afro-brasileiras, pois enxergar seu trabalho como um instrumento de combate ao racismo religioso através do graffiti.

Daniel Lima
O artista Daniel Lima nasceu em Natal e hoje vive e trabalha em São Paulo. Bacharel em Artes Plásticas, é também mestre em Psicologia Pública. Entre seus trabalhos mais conhecidos, estão intervenções e interferências no espaço urbano. Ele desenvolve pesquisas relacionadas a mídia, questões raciais e processos educacionais. É membro e fundador de projetos como A Revolução Não Será Televisionada e a Frente 3 de Fevereiro.

Desali, Pretextato dos Passos e Silva, 2020


Desali
Warley Desali usa seu sobrenome ao assinar suas obras. Ele é formado em Artes Plásticas pela Escola Guignard. Em seu conjunto de obras, ele transita por múltiplas linguagens, indo da pintura à fotografia, passando por performances e vídeos. O artista possui uma atuação na qual busca “promover contato entre a periferia, as camadas sociais mais desfavorecidas, e o universo da arte, questionando as instituições artísticas tradicionais e as contaminando com a energia da rua”.

Elian Almeida
Natural de Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, o artista visual Elian Almeida hoje vive e trabalha em Paris, onde cursa Cinema e Audiovisual na Université Sorbonne Nouvelle – Paris 3. Durante três anos, ele trabalhou e pesquisou como educador no Museu de Arte do Rio. Em seu trabalho, desenvolve obras em múltiplas técnicas e práticas artísticas, sendo elas fotografia, vídeo, instalação, performance e a pintura, que partem de uma pesquisa na qual ele busca examinar a performatividade social, o corpo negro, em relações que moldam as construções e ações na sociedade contemporânea.

Elian Almeida, Catarina, Josefa e Vitória, 2020


Hariel Revignet
A artista Hariel Revignet nasceu em Goiânia. Até hoje vive e trabalha na capital de Goiás, onde se formou em Arquitetura e Urbanismo pela universidade federal. Em sua prática artística desenvolve trabalhos “autobiogeográficas”, que manifestam intersecções sociais a partir do feminismo negro com o foco decolonial afrodiásporico e ameríndio. Suas obras compreendem poesia onírica, performances, colagens e costuras de elementos da natureza, como forma de ritualística-tempo-espaços para ativar curas nos corpos astrais.

Igi Lola Ayedun
A artista Igi Lola Ayedun realiza diversos trabalhos em plataformas multimídia, sendo elas em pintura, ilustração, escultura, instalação têxtil, vídeo, colagem, fotografia ou som! Ela também atua na gestão de projetos como o Hoa e o MJOURNAL. Começou a trabalhar com arte por meio de uma incursão no mundo da moda, atuando tanto em meios editoriais como televisivos, além de publicidade.

Ana de Jesus, Jackeline Romio, 2020.

Jackeline Romio
A artista Jackeline Romio é ativista feminista negra e doutora em demografia. Em seu trabalho como pesquisadora, atua para erradicar os feminicídios e para expor a complexidade da violência de gênero conectada à violência racial. Sua trajetória também é marcada pela busca em evidenciar a produção intelectual e artística de mulheres negras.

Kerolayne Kemblim
Natural de Manaus, Kerolayne Kemblim é graduada em Artes Visuais e utiliza diversos suportes em sua produção, como a xilogravura, a pintura e a gravura em acetato. Ela também possui uma linguagem particular que criou a partir da digitalização de desenhos com intervenções de plantas. Pontua em seus trabalhos temas como o feminismo, a sonoridade, tolerância religiosa, negritude e o misticismo.

Kika Carvalho
De Vitória, no Espírito Santo, a artista Kika Carvalho graduou-se em Artes Visuais e começou o seu percurso na arte por meio do grafitti. Por sua atuação no meio da arte urbana, acabou figurando como referência na cena nacional, especialmente ao criar o Coletivo DasMina e do FEME – Festival de Mulheres no Graffiti. Nos trabalhos que desenvolve atualmente, sustenta uma pesquisa que transita pela construção de novas narrativas, com foco em um movimento de retorno, na qual busca conexão com a ancestralidade.

Lidia Lisboa
A artista Lidia Lisboa nasceu em Guaíra, no Paraná, e hoje vive e trabalha em São Paulo. Ela desenvolve seus trabalhos recentes a partir de materiais como o crochê, tecidos e argila, com os quais produz tanto objetos de arte e performance quanto de joalheria. Iniciou-se nas artes de forma independente e autodidata e, de acordo com o curador Claudinei Roberto da Silva, traz em seus trabalhos “a sua experiência de mulher, mulher negra atenta à própria história e à história de outras mulheres, suas iguais”.

Micaela Cyrino, Malunguinho, 2020


Micaela Cyrino
A artista Micaela Cyrino nasceu em São Paulo e graduou-se em Artes Visuais. Ela produz trabalhos em pinturas, performance e intervenções na rua, nas quais evidencia abordagens sobre corpo negro positivo e seus atravessamentos. Mulher negra soropositiva por transmissão vertical (na gestação, no parto ou na amamentação), ela atua também como ativista pelas pessoas negras que vivem com HIV e é produtora cultural. A reflexão acerca dos estigmas e preconceitos em relação à Aids e ao HIV estão presentes em seus trabalhos.

Michel CENA7
As artes plásticas e a poesia são o que move o artista Michel CENA7, que desenvolveu sua produção majoritariamente a partir de um diálogo entre elas, especialmente envolvendo a pintura e o grafitti. O artista nascido em São Paulo atua também em oficinas culturais com foco nos jovens e como produtor cultural no coletivo Fórum de Hip Hop de São Bernardo do Campo, onde idealiza o Sarau do Fórum.

Mulambö 
Sob o nome de batismo João da Motta, o artista Mulambö cresceu entre as cidades de Saquarema e São Gonçalo, no Rio de Janeiro.​ Ele produz seus trabalhos a partir de uma reflexão sobre as forças que constroem o existir periférico no Rio de Janeiro. Para isso, utiliza materiais cotidianos, como como papelão, tijolo e fotos de redes sociais. O artista afirma que faz “arte para afirmar que não tem museu no mundo como a casa da nossa vó”.

Michel CENA7, Liberata, 2020

Nathalia Ferreira
De Jaboatão dos Guararapes, interior do Pernambuco, a artista Nathalia Ferreira desenvolve seus trabalhos a partir da arte urbana, com graffiti e pinturas em aquarela em técnicas mistas com spray. Ela procura retratar sempre em suas obras mulheres negras, na intenção de ressignificar a imagem que a sociedade retrata sobre elas, ressaltando a altivez que elas possuem, “mandando mensagens, expressando sua ancestralidade, culturas e identidades negras construídas”.

Oga Mendonça
O artista Oga Mendonça atua como designer multimedia, ilustrador e realizador audiovisual. Ele já trabalhou no escritório de Kiko Farkas, no mercado editorial e também já realizou trabalhos em capas de discos e clipes musicais.

Rebeca Carapiá
Nascida em Salvador, Rebeca Carapiá é artista visual formada pela Universidade Federal da Bahia. Sua pesquisa é guiada pelo seu interesse nas relações que são produzidas entre a linguagem, o conflito, o corpo e o território. Ela trabalha com esculturas, desenhos, instalações, gravuras, textos e objetos, através dos quais “cria uma cosmologia em torno dos conflitos das normas da linguagem e do corpo, além de ampliar um debate geopolítico que envolve memória, economias da precariedade, tecnologias ancestrais, dissidências sexuais e de gênero e as relações de poder entre o discurso e a palavra”.

Nathalia Ferreira, Antonica, Luiza e Marcelina, 2020.