Retrospectiva de Alice Neel no Met aborda a humanização das pessoas em suas pinturas

Exposição é realizada presencialmente na Fifth Avenue, mas tem também uma série de interações digitais disponível para o público, como tour virtual e podcast sobre a artista

Alice Neel, Geoffrey Hendricks and Brian, 1978. © The Estate of Alice Neel

Aberta ao público no dia 22 de março, a exposição da artista estadunidense Alice Neel, intitulada People Come First, traz pela primeira vez em duas décadas uma individual da artista em uma instituição em Nova York. Realizada no Metropolitan Museum of Art, o Met, a mostra traz obras que fazem parte de uma pesquisa bastante robusta em torno da produção da artista e que se baseia em uma questão muito cara à artista: a humanização das pessoas.

O título da exposição parte dessa faceta de Neel e de uma declaração que ela deu no ano de 1950, quando disse: “Para mim, as pessoas vêm em primeiro lugar”. Essa fala da artista escancara o seu grande interesse pelas pessoas, não só como objetos a serem retratados em suas telas, mas como seres singulares dotados de suas particularidades! Desta forma, ela buscava trazer para seus trabalhos não apenas pessoas próximas, como amigos e familiares, mas também ativistas e performers que se dedicavam a causas políticas.


Alice Neel, Dick Bagley, 1946.  © The Estate of Alice Neel


Esse ponto é muito importante para a artista, que é colocada nessa exposição como uma das pintoras mais radicais do século, tendo trazido para o seu trabalho um comprometimento bem forte com a justiça social. Nascida na Pennsylvania, ela se fixou em Nova York, onde viveu por aproximadamente 60 anos e onde passou a presenciar tantas diversidades, que eram expostas com bastante ênfase em seus residentes. A apresentação da exposição traz outra fala de Neel que atesta essa sua entrega e o seu empenho em trazer às suas pinturas a face mais humana possível de cada pessoa. “Tentei afirmar a dignidade e a importância eterna do ser humano”.

Esse envolvimento de Alice em causas como o feminismo, a igualdade econômica e os direitos civis fez, inclusive, com que ela fosse colocada em uma lista do FBI nos anos 50, que apontava pessoas nas quais o serviço secreto devia ficar “de olho”, pois era considerada uma influenciadora em relação às convulsões sociais na época.

Alice Neel, Ninth Avenue El, 1935. © The Estate of Alice Neel

Para que o público possa aproveitar essa exposição também sem sair de casa, o Met organizou em sua plataforma virtual não apenas uma viewing room ou um tour 3D como é o habitual no último ano, quando a pandemia obrigou espaços de exposição a migrarem para o online. O Met foi além e organizou o The Primer, onde convida o público a passear pela Nova York de Alice Neel, um espaço digital interativo e bastante informativo, além de ser muito dinâmico e prender a atenção do espectador.

O público, então, pode passear junto à artista por “três capítulos” de sua trajetória: Streetscapes, que mostra as paisagens urbanas da cidade, um apanhado do visual das ruas nova-iorquinas; Everyday People, que abarca um panorama das pessoas que faziam parte do dia a dia de Neel. Por último, a seção, Activist New York organiza trabalhos da artista que retratam seus companheiros de luta, dentre eles manifestantes, ativistas, líderes trabalhistas e feministas socialistas!

Alice Neel, The Spanish Family, 1943. © The Estate of Alice Neel

No espaço online também são apresentadas seções onde estão organizadas as galerias nas quais a mostra é dividida, tendo como alguns dos temas a maternidade, a nudez e a cultura, dentre outros. As 118 obras que compõem a exposição também podem ser vistas individualmente na seção Exhibition Objects, onde além de poderem ser vistas em imagens de boa qualidade têm descrições bem curiosas sobre cada uma delas!

Também podem ser conferidos no overview da mostra um preview da exposição em vídeo e um conteúdo em áudio no formato podcast, embedado na página, no qual o público poderá saber mais sobre a biografia da artista, com inserções de áudios da própria falando sobre si e com a ajuda de entrevistas com os Jordan Casteel e Miguel Luciano, além da curadora Jasmine Wahi.

A exposição fica aberta para visitação presencial e online até o dia 1º de agosto deste ano. O público poderá adquirir também na loja virtual do museu o catálogo da exposição e poderá participar de tours virtuais em grupo que estarão disponíveis sob demanda.