Rivane Neuenschwander reflete em NY sobre o contexto sociopolítico brasileiro

A Tanya Bonakdar Gallery, em Nova Iorque, abriu no dia 10 de setembro as primeiras exposições individuais em seu espaço após a reabertura dos espaços culturais e galerias da cidade. Uma delas é Tropics: Damned, Orgasmic and Devoted, da brasileira Rivane Neuenschwander, que deve ficar aberta ao público até o dia 24 de outubro. Nesta mostra, a artista explora questões acerca das vulnerabilidades públicas e privadas que levaram às convulsões sociais e políticas, como a ascensão nacionalista e polarização pelo mundo.

A artista pega emprestado para o título da mostra o mesmo de um livro da poeta Hilda Hilst. Em Poemas Malditos, Gozosos e Devotos, lançado em 1984, Hilst traz um lirismo que mostra uma divindade cheia de contradições, que “ama mas crucifica”, como ela mesma pontua em um poema.

Na exposição, Rivane apresenta um Brasil assim, cheio de contradições, que é colocado em propagandas como um local tropical exótico, mas que na verdade está cheio de feridas coloniais ainda abertas, algumas delas ligadas inclusive a movimentos religiosos. Um Brasil no qual o Estado, que deveria estar zelando pela população, é negligente e mata.

Entre as obras estão tapeçarias, pinturas e desenhos e uma instalação de cartões postais encontrados e modificados. Dentre as temáticas que estão incorporadas nesses trabalhos estão o medo, a sexualidade, a política e a violência. No texto que apresenta a exposição, está pontuado que “para Neuenschwander, o medo é fundamental para mapear a miríade de maneiras pelas quais governos autoritários chegam ao poder e a necropolítica que eles empregam para mantê-lo. (…) A beleza das tapeçarias e sua habilidade artesanal enfatizam a ambigüidade da atração e repulsa, da estética e da violência”.