Sonia Gomes: Ainda assim me levanto

MASP, São Paulo

Tempo de leitura estimado: 2 minutos

No ano em que completa 70 anos, Sonia Gomes (Caetanópolis, MG) ganha sua primeira
monográfica em um museu paulistano. A mostra no MASP se realiza em parceria com o
Instituto Bardi e os trabalhos da artista mineira serão exibidos tanto no espaço do museu
como na Casa de Vidro, icônicas construções que desafiam a obra de Sonia a dialogar com
a arquitetura modernista de Lina Bo Bardi. Concomitantemente à abertura de Rubem Valentim: Construções afro-atlânticas, ambas mostras integram o ciclo de histórias afro-
atlânticas, eixo curatorial ao qual o museu se dedica em 2018.

Única brasileira convidada para a 56a Bienal de Veneza de 2015, curada por Okwui Enwezor, Sonia Gomes iniciou sua carreira aos 45 anos e aos 60 encontrou reconhecimento, estando hoje em plena atividade. Ainda assim me levanto é o título escolhido pela própria artista para a exposição, em referência ao poema “Still I Rise”, de Maya Angelou, escritora e ativista estadunidense reconhecida por sua luta em favor dos direitos civis, sobretudo para os negros e as mulheres.

O processo de realização das obras que integram a mostra ocorreu ao longo deste ano, de modo comissionado. E o caráter inédito não reside apenas na exibição de novos trabalhos, mas também na escolha de um dos materiais com o qual ela decidiu trabalhar: a madeira. Suas esculturas e instalações –comumente executadas em tecido e com peças de mobiliário ofertados à artista ou encontrados ao acaso– são bordadas com minúcia.

“Retalhos e também objetos, outrora úteis e depois fadados ao descarte, manipulados manualmente, constituem matéria de poesia nos trabalhos de Sonia Gomes”, afirma Amanda Carneiro, supervisora de mediação e programas públicos do MASP e curadora desta exposição. “Ao utilizar materiais ligados ao universo doméstico, a artista lhes confere novos significados; eles passam a questionar e, ao mesmo tempo, reafirmar o que se atribui a uma produção feminina, mais ainda, os limites nem sempre explícitos entre arte e artesanato, sublinhando as falsas premissas que distinguem esses campos –dissolução também proposta pela própria Lina Bo Bardi”, completa Amanda.

 

Sonia Gomes: Ainda assim me levanto
Abertura: 13/11, 20h
Visitação: até 10/03/19, quarta a domingo, 10h-18h (terça até às 20h)
MASP: Avenida Paulista, 1578, São Paulo. Ingressos: R$35 (entrada); R$17 (meia-entrada) (gratuito às terças).

Casa de Vidro
Visitação: 24/11/18 a 24/02/19; quinta a sábado (visitas guiadas por educadores): 10h,
11h30, 14h e 15h30 (recomenda-se chegar 10 minutos antes / limite de 15 pessoas por horário).
Casa de Vidro: Rua General Almério de Moura, 200, São Paulo. Ingressos: R$ 20 (entrada); R$ 10 (meia-entrada)

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