Um guia para visitar o Château La Coste neste verão

O Château La Coste é como um Inhotim da França que abriga uma vasta coleção de arte contemporânea e oferece uma experiência única, unindo arte e natureza

Tempo de leitura estimado: 5 minutos
Château La Coste, Aix-en-Provence, França.
Château La Coste, Aix-en-Provence, França.

Situado no Sul da França, na famosa região da Provence e próximo à pitoresca cidade Aix-en-Provence, o Château La Coste é o destino certo para qualquer pessoa que ame arte, viagem e natureza. Nós, brasileiros, podemos pensar no endereço como um Inhotim da França, onde arquitetura e obras de arte se unem à natureza criando um cenário e um percurso únicos. Recentemente foi inaugurado no complexo um Pavilhão assinado por Oscar Niemeyer cujo projeto foi o último realizado pelo célebre arquiteto antes de seu falecimento em 2012. 

Incrível Pavilhão projetado por Oscar Niemeyer para o Château La Coste.

Neste verão europeu, além do incrível pavilhão de Niemeyer, o Château La Coste oferece exposições imperdíveis. Confira a seguir a seleção feita pelo ARTEQUEACONTECE:

Annie Morris no Pavilhão Oscar Niemeyer

Estúdio de Annie Morris onde é possível observar suas Stacks coloridas.

A exposição inaugural do recém terminado Pavilhão de Niemeyer é da artista britânica Annie Morris, sua primeira individual na França. Para esta mostra, a artista apresenta novas esculturas, tapeçarias e pinturas além de uma escultura de bronze de 6 metros de altura – seu maior trabalho até o momento – que foi instalada no jardim do Château. Ela foi colocada no exato oposto da Aranha de Louise Bourgeois, que já fazia parte do acervo do complexo, estabelecendo um poderoso diálogo entre duas artistas mulheres e explorando temas como a maternidade e o nascimento.

Aranha de Louise Bourgeois sob espelho d’água

Outro destaque da exposição de Morris é a exibição do grupo de esculturas Stacks, as famosas torres de Morris compostas a partir de esferas de cores vivas. Desde a perda de seu primeiro filho em 2014, estas esculturas foram a forma encontrada pela artista para viver o seu luto, tendo se transformado em uma “alegre obsessão”. “Minhas esculturas são sobre prender-se a alguma coisa que está indo embora e sobre expressar a esperança e o desafio da vida. O pigmento vibrante na superfície da obra é um modo de tentar congelar o momento no qual a tinta ainda não secou e é observada em sua forma mais crua”, diz Morris.

Idris Khan na Richard Rogers Drawing Gallery

Galeria de Richard Rogers, no Château La Coste.

O artista britânico Idris Khan também está apresentando sua primeira exposição individual na França, na icônica galeria projetada pelo célebre arquiteto italiano Richard Rogers e que é um dos espaços expositivos mais legais do Château. Nesta exposição Khan apresenta 24 aquarelas e três grandes pinturas. trabalhando em uma ampla gama de fontes culturais que incluem literatura, textos filosóficos, arte minimalista, música e religião, Kahn desenvolveu uma narrativa única que envolve imagens densamente organizadas em camadas que flutuam entre o abstrato e o figurativo. 

Inspirado pela arquitetura minimalista da galeria e pelo fato dela ter sido o último projeto de Rogers, as obras de Khan exploram a ideia de jornada da vida e passagem de tempo. Nas paredes da esquerda, os visitantes encontram aquarelas que evocam marcadores de tempo e os meses do calendário enquanto na parede oposta estão as três pinturas criadas neste ano em tons de azul. Para Khan, o significado da cor azul está na forma como ela tem um efeito imediato nas emoções.

Mary McCartney na Bastide Gallery 

Hugging Trees, 2021, Mary McCartney.

Quando a fotógrafa britânica Mary McCartney, filha de Paul e Linda McCartney, começou a fotografar, ela pensou no ato como “colecionar memórias” e, desta forma, vem produzindo seu corpo de trabalho. Momento de Afeto é sua primeira individual na França, apresentada em uma galeria de 80 m² que fica localizada na antiga “bastide” do Château La Coste, ou seja, na antiga casa da propriedade.  

A mostra ilustra os trinta anos da carreira da artista, apresentando 23 fotografias de seus arquivos pessoais, muitas delas nunca antes exibidas. Com esta exposição, fica evidente o traço essencial do trabalho de McCartney: capturar raros momentos de intimidade e conexão. De ternos retratos de família a fortes imagens da natureza, suas fotografias possuem uma relevância imediata que ressoa no observador. 

Bob Dylan no Pavilhão Renzo Piano

Rail Car, Bob Dylan.

O Château La Coste foi escolhido por Bob Dylan para abrigar a sua primeira escultura permanentemente instalada na França. Intitulado Rail Car, o trabalho feito em ferro foi criado pelo compositor e artista para fazer parte do acervo ao ar livre do Château. Além da escultura, que foi inaugurada em maio deste ano, neste verão os visitantes também poderão visitar a primeira exposição individual de pinturas de Bob Dylan já realizada na França.

As pinturas selecionadas para esta exposição foram inspiradas em desenhos feitos por Dylan enquanto ele estava em tour entre a América e Europa entre 1989 e 1991 e estão em exibição na galeria de arte projetada por Renzo Piano. Junto aos trabalhos de Dylan, estão trabalhos feitos por artistas como Claude Monet, Henri Matisse e Marc Chagall, mestre do século XX cuja produção foi amplamente influenciada por temporadas passadas no sul da França.

Zhou Li

Vista da exposição de Zhou Li.

Na galeria construída no local do antigo armazém de vinhos do Château, a artista chinesa Zhou Li apresenta a exposição “Água e Sonhos”. As telas da série em exibição são inspiradas pela ideia universal da água e seus múltiplos significados e interpretações. As pinturas de Li são abstraídas, também, das paisagens contempladas pela artista em seu país natal, onde próximo a sua casa há um pequeno rio raso que desemboca em um pequeno lago por ela visitado diversas vezes. 

Inundada pela cor azul, o espaço expositivo do Château é tomado pelas obras reflexivas e introspectivas, que convidam o visitante a mergulhar no trabalho da artista e a sentir, de forma sutil, a profundidade da água e, segundo a artista, a “compreender algo sobre si mesmo”.

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