As pesquisas e projetos de Luisa Puterman cruzam e desenvolvem histórias, possibilidades, problemas e outros aspectos sobre composição e percepção sonora. Após estudar piano e outros instrumentos, a artista graduou-se em História da arte pela PUC-SP para depois se especializar em engenharia de áudio no IAV. “Som é um elemento central capaz de expandir conexões entre conteúdos científicos, filosóficos, místicos e cotidianos”, diz Puterman, que trabalha com som de maneira interdisciplinar – cinema, publicidade, instalação, vídeo, performance, teatro e dança.

Em 2012 produziu o trabalho “Câmara Anecóica”, composto por documentos produzidos em investigações sobre o silêncio e o processo criativo da peça 4’33’’ de John Cage. Para o projeto, visitou as instalações do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, filmando dentro das câmaras que simulam o silêncio absoluto. “Live-electronics” (2015-) é um projeto de performance sonora que busca explorar grooves, imagens e paisagens numa dinâmica de improviso baseada no contexto de cada apresentação. “Intervenção Sonora para três bicitaxis” (2015) foi um projeto realizado na cidade de Havana, com a intenção de explorar possibilidades sonoras através dos bicitaxis (meio de transporte bastante popular em Cuba). Artistas e compositores foram convidados para propor ideias e peças específicas para a ocasião, articulando a fauna sonora do cotidiano do centro da cidade; as problemáticas de mobilidade urbana e sua história no país; a sensibilidade auditiva de um público desprevenido; a colaboração e convivência com os bici-taxistas, etc.

Já Mantra Marcha (2015) trata-se de uma colagem sonora realizada ao vivo com eletrônicos e piano. A peça apresenta deslocamentos temporais através de cantos, elementos da natureza e outros símbolos. Há nela uma tentativa de narrar uma história em perspectiva aliada a ação de arquitetar paisagens.

Puterman também desenvolve projetos em colaboração e parceria com outros artistas e pesquisadores de som. OUROBORIUM (2017) é um instrumento para múltiplas pessoas. Criado em parceria com o coletivo Found Sound Nation. A instalação enxerga a o som como um ecossistema vivo, no qual ações individuais são afetadas por todas as outras intervenções. Sem nenhuma restrição a ideia é acolher todos que se interessam em uma experiência onde a escuta é essencial.

Luisa Puterman, 1989. Vive e trabalha em São Paulo. É artista, compositora, produtora musical e sound designer. Foi uma das premiadas do Prêmio EDP Instituto Tomie Ohtake em 2016. Nos últimos anos participou de festivais, residências e exposições como: FILE – São Paulo; 18th Japan Media Festival – Tokyo, Japão; FIVAC – Camaguey, Cuba; FIF – Belo horizonte; Red Bull Music Academy – Paris, França; OneBeat – New Orleans/Chicago, EUA; Novas Frequências – Rio de Janeiro; BANFF center for the arts – Banff, Canada entre outros.

Compartilhar