Espaços de Trabalho de Artistas Latino-Americanos
Espaços de Trabalho de Artistas Latino-Americanos

O ateliê dos artistas sempre foi um lugar que desperta curiosidade e também uma série de expectativas: seria, afinal, um lugar mágico onde acontece a criação. No entanto, muitos do clichês em torno artia ( criador, ele é muitas vezes comparado a Deus) e de seu espaço de trabalho são um tanto exagerados e romantizados. Além disso, com o nascimento da arte conceitual e da globalização, muito da imagem da sala lotada de telas, tintas, potes de argila, roupas sujas e bitucas de cigarro perdeu o sentido. Agora o artista pode criar em qualquer lugar (muitas vezes basta um computador) e com qualquer coisa: um pedaço de papel, o botão de uma blusa ou uma lata de coca-cola. A matéria prima está no mundo, mas a magia do espaço de trabalho dos artistas ainda tem seu valor: é onde ideias nascem e se desenvolvem; é onde acontecem experimentações, transformações, erros e acertos; é onde o artista se sente acolhido, protegido; é onde há solidão, liberdade e disciplina; é onde o mundo é processado e digerido; é onde podem existir realidades alternativas, ilusão e fantasia; é onde os artistas acumulam coisas transformando em oásis e santuários. É esse o universo explorado pelo livro Espaços de trabalho de artistas latino-americanos, editado pela Cobogó e Act, com textos de Beta Germano e fotos de Fran Parente.

Espaços de Trabalho de Artistas Latino-Americanos
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Espaços de Trabalho de Artistas Latino-Americanos
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O recorte escolhido foi a América Latina unida, infelizmente, por histórias de violência:a violência política exposta por Beatriz González, Cildo Meireles e Paulo Bruscky; a violência urbana e rural (física ou moral) relatada, de diferentes formas, por Alfredo Jaar, Arjan Martins, Delcy Morelos, Graciela Iturbide, Jose Carlos Martinat, Jorge Macchi, Miguel Angel Rojas, Miguel Rio Branco, Paz Errázuriz, Sandra Gamarra e Ximena Garrido-Lecca; a violência ecológica relatada por Cecilia Vicuña, Marta Minujín e também por Rojas e Garrido-Lecca; além da violência cultural contra povos originários, mencionada por quase todos os artistas desta publicação. 

Espaços de Trabalho de Artistas Latino-Americanos
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Espaços de Trabalho de Artistas Latino-Americanos
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 “O que significa, hoje, ser latino-americano?” indaga a autora Beta Germano no texto de introdução. “Como falar sobre os espaços de trabalho desses artistas sem falar do contexto histórico, econômico e sociocultural da América Latina? E como falar de América Latina sem refletir sobre o nosso ponto de convergência mais óbvio, porém não menos importante, a violência?”, continua. É nesse sentido também que os espaços de trabalho desses artistas ultrapassa as paredes do  ateliê e ganha o bairro, a cidade, o país de onde estes artistas vieram e onde trabalham. Enquanto o local de criação escolhido por Cecília Vicuña pode ter a imensidão (física e metafórica) de um rio, o ateliê de Carlos Amorales pode ser apenas seu lap e uma mesa onde ele promove conversas e diálogos.