Clarissa Tossin: Azul Maia | Pedro Motta: Jardim do Ócio

Galeria Luisa Strina, São Paulo

Tempo de leitura estimado: 2 minutos

A Galeria Luisa Strina tem o prazer de apresentar as exposições “Azul Maia”, de Clarissa Tossin, e “Jardim do Ócio”, de Pedro Motta.

A mostra individual de Tossin conta com trabalhos inéditos das séries Os Maias e Encontro das Águas, além do vídeo Ch’u Mayaa [Azul Maia]. Os Maias explora (re)apropriação, (má)representação e (má)tradução em uma série de esculturas baseadas no The Mayan Theatre, em Los Angeles – exemplo prototípico do estilo arquitetônico moderno conhecido como Mayan Revival dos anos 1920 e 1930 nas Américas, que co-optou arquitetura e iconografia das culturas mesoamericanas pré-colombianas. Impressões em silicone das paredes e portas do interior do cinema são combinadas com gestos figurativos emprestados de outras imagens maias, particularmente a de performers que adornam vasos de cerâmica e murais. Usando materiais sintéticos que fazem referência a cosmologia maia, como imitação de pelo de jaguar, pena de quetzal, pele de cobra e gesso tingido no lugar de cerâmica, a série de esculturas explora a qualidade performática das antigas construções maia realçando o conteúdo falso das imagens impressas no silicone.

Já a exposição individual de Pedro Motta traz a série inédita Jardim do Ócio, composta por cerca de 70 fotografias produzidas entre 2012 e 2018. Trata-se de um registro de aspectos da topografia de fachadas de construções da periferia de São João del-Rei, suspensão do tempo/espaço, lapso, adiamento de um projeto de futuro. Ao explorar as redundâncias arquitetônicas pelo interior de Minas Gerais, Pedro Motta combina o cunho documental, evidenciando as semelhanças e recorrências entre as construções, com o registro da inventividade de soluções informais (por vezes em consonância com o descaso em relação às ruínas recentes), que conferem individualidade a cada uma. O jardim que Motta nos apresenta não é um jardim ameno, prazenteiro. Ele não se presta necessariamente ao deleite, uma vez que concentra-se na aridez de uma paisagem modelada pelo sujeito que a habita. Assim, essa espécie de arqueologia do tempo presente opera paradoxalmente: tanto como estímulo à imaginação, espaço da fruição e liberdade, quanto ao lugar da impossibilidade.

 

Clarissa Tossin: Azul Maia
Pedro Motta: Jardim do Ócio
Abertura: 08/11/18, 19h-21h
Visitação: até 21/12/18; segunda a sexta, 10h–19h; sábado, 10h–17h.
Galeria Luisa Strina: Rua Padre João Manuel, 755, São Paulo. Entrada gratuita.

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