Rafael Carneiro leva 20 obras inéditas à individual na Luciana Brito

Artista apresenta até 24 de julho na Galeria Luciana Brito pinturas e desenhos que foram criados por ele nos últimos dois anos; exposição faz parte da programação do Gallery Week

Rafael Carneiro, Pelados, 2020

Pinturas e desenhos compõem a exposição individual do artista Rafael Carneiro que está em cartaz na Galeria Luciana Brito, em São Paulo, até o dia 24 de julho. A mostra, que tem como título “Casa Família Deleite”, é a primeira exposição que a galeria realiza no ano de 2021 e faz parte do circuito do Gallery Week, que toma conta da cidade nesta semana simultaneamente à SP-Arte Viewing Room. Nesta mostra, que ressalta um novo desdobramento da pesquisa contínua do artista são apresentadas obras inéditas, produzidas pelo artista ao longo dos últimos dois anos.  O conjunto de trabalhos é diversificado e busca se afastar “dos rótulos e compromissos formais próprios da pintura para se aproximar justamente do complexo universo de imagens da cultura e imaginário coletivos”.

Com uma metodologia particular sob a qual transfere imagens de fotografias para as telas em pinturas, Carneiro tinha inicialmente uma abordagem que se aproximava do fotorrealismo. Essa tendência do artista foi dando lugar a narrativas de maior complexidade, que passou a utilizar colagens de contextos diversos, que vão tomando significados múltiplos a partir do que são associadas. 

Rafael Carneiro, Pássaros, 2020


O texto da exposição pontua que o “significado imagético das figuras utilizadas dilui-se pela técnica aplicada, que descontextualiza, reconfigura e resignifica. Trata-se de uma vasta coleção particular de imagens, que o artista utiliza para articular mais livremente diversas formas de composição, por meio de um processo orgânico de criação”. É o caso, por exemplo, das telas “Pelados” (2020) e “Pelados 1” (2020) , nas quais Rafael Carneiro acaba desconstruindo “uma publicação sobre nudismo para compor narrativas próprias, que fazem referência a esse universo de natureza e liberdade”.

Além das pinturas, também estão na exposição sete desenhos de menores dimensões, produzidos pelo artista em técnica mista sobre papel. Para criar narrativas de histórias que são quase lúdicas, Rafael vai criando ligações entre figuras, formas e manchas de cores, pod meio do uso de giz de cera coloridos, colagens e também da pintura. “Esses elementos originais nos parecem familiar, pois fazem parte de um repertório comum, popular. Ao observa-los, nosso olhar é conduzido por todos os cantos da obra. Não há objeto principal. Não há temática principal. O artista nos conta uma história, mas o espectador é quem decodifica seu sentido”.