Afinal, o que é a chamada “land art”?

Movimento nascido do minimalismo e do conceitualismo expandiu o pensamento do território da arte para muito além do cubo brando e pautou o pauta de cuidado com o planeta Terra e com o meio ambiente

Robert Smithson, Spiral Jetty, 1970. FOTO: Nancy Holt

Você já deve ter visto por aí alguma intervenção artística em uma paisagem. Intervenções que não estão colocadas naquela paisagem, mas que fazem parte dela, que tem na paisagem o seu meio de criação. Isso tem nome. É a Land Art (também conhecida como Earth Art), que surgiu nos anos 1960, sendo inicialmente disseminado nos Estados Unidos e tornando-se um um dos movimentos de arte significativos do século passado. Já falamos aqui no ARTEQUEACONTECE sobre vários artistas que foram expoentes desse movimento, como Nancy Holt, James Turrell e Agnes Denes.

O termo Land Art foi cunhado pelo cineasta alemão Gerry Schum em 1969, quando ele buscou uma forma de se referir a projetos de arte que se relacionavam à natureza, não só por estarem na natureza, mas por terem ela como sua parte integrante. Neste momento, os artistas voltavam seus olhares para outros espaços de exibição, além dos convencionais dentro de galerias e instituições, transformando a paisagem em um território contextual de sua prática artística, com trabalhos que são criados a partir da natureza e que se fundem a ela.

James Turrell, Roden Crater

O movimento também é caracterizado por um pensamento ecológico, com interesses que vinham de uma pauta de cuidado com o planeta Terra e com o meio ambiente. Buscando, por meio da arte, conscientizar sobre a necessidade de uma mudança radical nos hábitos para a preservação da natureza e também para uma recuperação pós desastres ecológico que tiveram a industrialização como causa. Desta forma, o pensamento em torno da Land Art convidou as pessoas a reconsiderarem sua relação com a paisagem, com a natureza e com a Terra, tomando para si uma responsabilidade ecológica.

Christo and Jeanne-Claude, Surrounded Islands, 1980-83


O significado de cada obra (composta por terra, pedras, solo, vegetação ou outros materiais naturais) pode variar bastante, mas existe sempre um desejo subjacente que faz com que o público considere uma conexão com o meio ambiente. Nisso, existe também a intenção do artista de promover a interatividade com a natureza, fazendo com que o público precise se deslocar até o território onde a obra está. Para artistas como Turrell e Denes, a Land Art também estava vinculada a toda uma filosofia que envolve a relação com o espaço, com a natureza e com as artes visuais.

Cornelia Konrads, Passage, 2007

O movimento teve sua origem no minimalismo e no conceitualismo. Por serem esculpidas na natureza e por elementos da natureza, os trabalhos nem sempre ficam acessíveis ao público por muito tempo, tendo uma característica efêmera. Por isso, muitos artistas fizeram documentários e vídeos experimentais para registrar o processo de criação e também a “vida” de suas obras, tornando esses produtos audiovisuais acessíveis para serem exibidos em exposições em outros espaços posteriormente.

O próprio Gerry Schum, que criou o termo “Land Art”, foi responsável por muitos desses registros, fazendo filmes para grandes ícones do movimento, como Marinus Boezem, Jan Dibbets, Barry Flanagan, Michael Heizer, Richard Long, Robert Smithson e Walter De Maria.

Agnes Denes, Tree Mountain