Artista desana Feliciano Lana é celebrado em exposição e festa literária

Morto por complicações da Covid-19 em 2020, Lana tem obras em nova mostra coletiva no MuBE – Museu Brasileiro da Escultura e Ecologia e é uma das personalidades homenageadas pela Flip 2021

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Com seu trabalho apresentado na nova exposição coletiva que abre no MuBE no próximo dia 30 de outubro e um dos homenageados da 19ª Festa Literária Internacional de Paraty, Feliciano Lana é considerado um dos maiores artistas da região do Rio Negro, no Amazonas. Nascido em uma aldeia próxima ao Rio Tiqué, chamada São João Batista, em 1937, ele morreu em 2020, vítima de parada cardiorrespiratório, em decorrência de complicações da Covid-19.

Lana era parte do povo Desana e tinha um estilo bastante particular nas suas obras, refletidos em desenhos e pinturas carregados de simbologias que demonstram a história dos povos que habitam aquela região onde nasceu e viveu. Animais como onças, peixes, pássaros e cobras canoas são elementos bastante encontrados em seus trabalhos. De acordo com Justino Tuyuka, em homenagem oferecida pela Universidade Federal do Amazonas ao artista, as obras de Lana “mostram a conexão existente entre o mundo humano e os mundos de outros seres. As pinturas de Feliciano expressam como ele imagina que é o mundo narrado por seus avós e sobre os seres que ele ouviu falar”.

Ao nascer, Lana ganhou o nome de benzimento Sibó/Sibé, que significa “filho do sol”, ele iniciou os seus estudos na escola de Pari-Cachoeira, tendo inclusive ajudado na construção do imóvel que abrigaria o colégio. Ele estudou até a sexta série e depois disso foi trabalhar por cinco anos na Colômbia, tendo voltado para Pari-Cacheira para se casar com Joaquina Machado, tukano de Pari-Cachoeira.

Feliciano mudou-se para São Gabriel da Cachoeira em meados da década de 1990, e se instalou com sua família no alto da pedra da Fortaleza, sendo os únicos moradores. O local fica bem próximo das ruínas já irreconhecíveis do forte construído pelos portugueses mais de dois séculos antes, em 1763, e que foi estrategicamente posicionado junto a uma garganta em que o Rio Negro se estreita de forma única em todo o seu curso. Justamente por isso, muito tempo antes, como contam as narrativas de origem, esse local foi escolhido pela Gente da Transformação para capturar e matar uma cobra-monstro chamada Diadoe – a cobra traíra, colocando aí um matapi gigante, que Feliciano ilustrou com diferentes nuances.

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