Janaina Wagner

por Julia Lima

“Dentro ou fora | Mantenha a porta sempre fechada”

Janaina Wagner é uma artista paulistana que explora as relações conflituosas entre homem e seu entorno, entre arquitetura e natureza, entre máquina e corpo. Seus trabalhos esmiuçam tensões do nosso tempo por meio de vídeos, intervenções, instalações, desenhos, pinturas e fotografias.

Formada em Jornalismo e em Artes Visuais, Wagner frequentemente emprega recursos documentais ou apropria-se de registros alheios, contando histórias – ficcionais ou não – por meio de constelações de imagens. A artista também articula trabalhos aderentes à linguagem cinematográfica, fazendo uso tanto dos mecanismos narrativos quanto dos equipamentos e aparatos típicos dessa mídia.

A decupagem, processo de “colagem” de planos filmados, organizando os cortes e transições de cenas, por exemplo, é parte constante de seu vocabulário, e surge de maneira direta nos trabalhos em vídeo e de maneira indireta em trabalhos como “Fins”, um livro que reúne os trechos finais de 78 romances diferentes, sem menção ao escrito original. Ou mesmo em “Notícias do fim do mundo”, coleção de 174 frames de filmes pop que apresentam narrativas apocalípticas decorrentes de desastres naturais. A artista coletou as imagens, as redimensionou nas mesmas medidas das fotografias publicadas na edição de domingo do jornal A Folha de São Paulo, e as reimprimiu em papel jornal, criando uma imensa nuvem de imagens fictícias, artificiais, aproximadas do status de “fato” ou “realidade” pelo material do suporte.

Repetidamente seu interesse pela arquitetura também emerge em suas pesquisas, seja em “Casa V”, com a transposição do desenho de uma casa para as paredes do espaço expositivo por meio do decalque de papel carbono; seja em “Farandole”, com a inserção de uma epígrafe em latão no contorno de um pilar estrutural de um prédio de Oscar Niemeyer que nunca foi terminado na Barra da Tijuca; seja em “Civilização”, com a inserção no topo de um edifício de degraus de madeira contíguos a uma tábua (que lembra o caminhar na prancha dos navios piratas) – um convite nefasto ou um desafio insolente?