Vida e legado de Paulo Freire são celebrados em mostra no Itaú Cultural

Patrono da educação brasileira e grande referência em todo o mundo, ele completaria 100 anos no último domingo e é também inspiração para um dos enunciados da 34ª Bienal de São Paulo

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Entrevista para TV Francesa. FOTO: Márcio Novaes/Acervo SME – Memorial da Educação Municipal

A série de exposições Ocupação, no Itaú Cultural, em São Paulo, realiza sua 53ª edição homenageando o educador, escritor e patrono da educação brasileira Paulo Freire. Ele, que teve vários tributos no último domingo, em razão do seu centenário, tem sua trajetória toda esmiuçada nesta mostra, que percorre desde o nascimento no Recife, em 1921, até a morte em São Paulo em 1997, passando por momentos cruciais de sua vida como experiência em Angicos e seu exílio.

A Ocupação Paulo Freire é uma mostra que faz parte da rede de parcerias da 34ª Bienal de São Paulo, que também celebra o educador em um dos enunciados da sua exposição principal. Esse enunciado são os Círculos de Arte, conversas entre o público e a mediadores da Bienal, que são inspiradas em princípios propostos por Freire: autonomia, horizontalidade e dialogicidade. Tanto Ocupação quanto a Bienal podem ser visitadas até 5 de dezembro.

A curadoria é dos Núcleos de Audiovisual e Literatura e de Educação e Relacionamento. Com expografia assinada por Thereza Faria, a mostra ocupa toda a sala Multiuso, no piso 2 da instituição. Ela acompanha a trajetória de Freire, desde o nascimento, em 1921, passa pelo desenvolvimento do seu método de alfabetização – que, implantado em Angicos (RN) acabou ganhando dimensão internacional – e o segue nos diferentes países onde viveu, durante o exílio forçado pelo período militar, até seu retorno e atuação no Brasil, onde morreu em 1997.

Dividida em quatro eixos – Formação, Angicos, Exílio Retorno, a mostra apresenta cerca de 140 peças, entre 60 fotografias que registram Freire nas mais diversas situações e localidades no Brasil e no exterior, vídeos e dezenas de seus originais – do Livro do Bebê, feito pelos seus pais quando ele nasceu, a manuscritos de sua autoria, como À sombra desta mangueiraPedagogia da Esperança e Pedagogia da Autonomia.  

Uma animação com as páginas manuscritas de Pedagogia do Oprimido, o mais conhecido livro de Freire, abre o caminho para a exposição. Um mapa interativo, chamado Paulo Freire pelo mundo, a encerra. Ele mostra todos os lugares que o educador alcançou nos diversos continentes com a sua obra, o trabalho de alfabetização de adultos e o compartilhamento de saber e ideias sobre a educação. O educador chegou a mais de 30 países e a repercussão de suas propostas comporta mais de três dezenas de livros – parte deles, pertencentes ao acervo do Itaú Cultural, estão em exibição em uma estante na mostra.  

Na 34ª Bienal de São Paulo, a prática do educador é inspiração para um dos 14 enunciados que a exposição apresenta. Sendo eles pontos que anunciam a entrada estruturas narrativas e curatoriais pensadas para o encaminhamento da mostra, “carregados de histórias marcantes e complexas, pontuam a 34ª Bienal para fazer reverberar, com maior intensidade, algumas das questões que as obras ao redor suscitam”.

No enunciado Paulo Freire, que diz respeito aos Círculos de Arte, são consideradas concepções de dialogicidade e de autonomia propostas por Freire para uma das práticas de mediação nos círculos de conversa sobre a Bienal, que têm como objetivo “a construção coletiva de sentidos possíveis para o encontro com as obras e para as relações entre elas, partindo da realidade dos sujeitos e refletindo-se nela”, diz texto que compõe o enunciado, publicado pelo curador-adjunto da Bienal, Paulo Miyada, em seu Instagram. O texto dá um panorama sobre a ideia de promover Círculos, implementada por Freire primeiramente em escolas comunitárias de Recife e escolas do SESI, a partir dos Círculos de Pais e Professores, que de desdobraram depois em Círculos de Cultura.

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