A série The Crown e a coleção de arte da realeza britânica

Série da Netflix lidera indicações a prêmios no célebre Golden Globes; 3ª temporada fala bastante sobre arte ao abordar suspeitas em torno do curador do Palácio de Buckingham

A atriz Olivia Colman interpreta a rainha Elizabeth em parte da série

Com sua quarta temporada disponível na Netflix em novembro do ano passado, a série The Crown, que conta a história da família real britânica, tem muito o que comemorar! A produção teve seis indicações ao 78º Golden Globes, o Prêmio Globo de Ouro, que terá sua cerimônia no próximo dia 28 de fevereiro! As categorias às quais a série foi indicadas são: Melhor Série Dramática de TV, Melhor Ator em Série Dramática (Josh O’Connor), Melhor Atriz em Série Dramática (Olivia Colman), Melhor Atriz em Série Dramática (Emma Corrin), Melhor Atriz Coadjuvante em Televisão (Helena Bonham Carter) e Melhor Atriz Coadjuvante em Televisão (Gillian Anderson).

Não dá para pensar na Casa de Windsor sem pensar na infinidade de obras de arte que pertencem à família, muitas delas podem ser vistas nas visitas guiadas feitas pelo Palácio de Buckingham. É o maior acervo privado de obras de arte do mundo e ficam alocadas em várias das residências reais. Muitas delas ficam inclusive à mostra na galeria pública de arte Queen’s Gallery, que existe justamente para mostrar a coleção real. Agora, especialmente, há uma seleção imperdível reunida lá na exposição Masterpieces from Buckingham Palace, que fica em cartaz até o final de janeiro de 2022, enquanto o a residência oficial da rainha está sendo reformada.

O ator Samuel West interpreta o curador e art adviser da rainha, Anthony Blunt.

Em The Crown, o que não faltam são locações que mostram essa abundância de peças de arte que pertencem à realeza! Na terceira temporada, inclusive, o tema da arte é intensificado na trama, já que há uma atenção especial ao personagem Anthony Blunt, interpretado pelo ator Samuel West.

O personagem faz referência ao curador de arte do Palácio de Buckingham, que atuava também como art advisor para a rainha Elizabeth II. Talvez ele passasse pela série sem que muitos o percebessem, mas os roteiristas trouxeram à tona uma história bem chocante que realmente aconteceu: Blunt era um espião russo!

É impossível ver um episódio da série em que alguma das locações não esteja lotada de obras de arte.

Qual não foi a surpresa da rainha quando descobriu que o homem que cuidava de uma das coisas mais valiosas da família real era membro da KGB? Mais especificamente, Blunt era membro do Cambridge Five, um grupo que estava dentro do serviço secreto britânico, formado por cinco espiões e responsável por recolher informações para a União Soviética durante a Segunda Guerra Mundial!

Qual foi a atitude que Elizabeth tomou diante disso? Não vamos dar spoiler! Dá tempo de maratonar a série inteira até o dia 28 e ficar por dentro dessa história intrigante!

Se você nunca tinha ouvido falar da coleção da família real britânica, saiba que ela está cheia de algumas das obras mais valiosas do mundo! Conheça abaixo algumas dessas peças e acesse o site do Royal Collection Trust para ver mais!

The Music Lesson, de Johannes Vermeer

Sob custódia da rainha Elizabeth II, estão várias obras de grandes mestres holandeses da pintura. Essas peças ganharam, em 2017, uma exposição exclusiva, intitulada At Home in Holland, que tinha como obra principal a tela The Music Lesson, de Vermeer, também conhecida como Lady at the Virginals with a Gentleman. Ela é uma das 36 obras raras de Vermeer que sobraram e foi adquirida pelo rei George III da Inglaterra em 1762. Primeiramente, ela foi atribuída ao artista Frans van Mieris, mas depois foi reconhecida como sendo de Vermeer.

Os estudos anatômicos de Leonardo Da Vinc

A coleção da família real britânica tem quase 600 desenhos de Leonardo da Vinci! Eles foram originalmente agrupados em um único álbum, que provavelmente foi adquirido no século 17 por Carlos II. Esses desenhos possuem uma importância enorme para compreendermos como o corpo humano era pensado na Renascença, sendo um documento não só artístico, mas muito além disso: científico. Esses desenhos e mais 20 pinturas do artista revelam bastante sobre como a anatomia humana era vista naquele período! Também há no acervo desenhos de Da Vinci que demonstram o conhecimento sobre a vegetação, como um sketch da planta Estrela de Belém.

Autorretrato como Alegoria da Pintura, de Artemisia Gentileschi

Convidada pelo rei Charles I para uma visita à Londres em 1638, Artemisia Gentileschi pintou esse autorretrato durante sua estadia por lá. Esse é um dos poucos autorretratos de Artemisia sobreviveram ao longo dos anos! Bastante significativa, essa tela atesta a presença de mulheres como pintoras naquela época, sendo marcante por trazer a figura feminina como agente da arte, com um pincel e uma bandeja de paleta nas mãos!

A Tribuna do Uffizi, de Johann Zoffany

Em 1772, rainha Charlotte, casada com o rei George III, que ocupou o trono entre os anos de 1760 e 1801, encomendou ao pintor alemão neoclássico Johann Zoffany uma pintura! Mas não era coisa simples. Ela queria uma tela que mostrasse as melhores obras que pertenciam ao Grão-Duque da Toscana e estavam localizadas na Tribuna do Palácio Uffizi! Ela deu ao pintor £300 e cartas de apresentação, enviando-o à Itália para realizar a obra. O resultado é essa pintura espetacular e cheia de detalhes, que levou 5 anos para ficar pronta!

Baco e Ariadne, de Ticiano

Esta obra está na National Gallery, em Londres, e faz parte de uma série de pinturas que foi encomendada pelo Duque de Ferrara, Alfonso d’Este. Apaixonado por mitologia, ele solicitou pinturas a vários grandes artistas da época para enfeitarem sua casa de campo. Além desta tela, ele também encomendou com Ticiano A Oferenda a Vênus e o Bacanal de Andros, que estão em um museu espanhol.

Reigning Queens (Queen Elizabeth II of the United Kingdom), de Andy Warhol 

Achou que só tinha obras antigas na coleção real britânica? Não mesmo! Os artistas contemporâneos estão muito bem representados ali. Anish Kapoor e Andy Warhol são alguns deles. Aqui, vemos parte da série Reigning Queens, um projeto que iniciou em 1985 e no qual ele quis produzir retratos das quatro rainhas mais importantes que governavam países naquele momento. A Rainha Elizabeth II era uma delas! A peça foi baseada em uma fotografia de Peter Grugeon.