Coletiva no Met celebra a contribuição de mulheres pioneiras na fotografia

Exposição que se debruça sobre a produção de mulheres pioneiras na fotografia especialmente entre os anos 20 e 50 irá itinerar posteriormente para a National Gallery of Art, em Washington

Tsuneko Sasamoto, Untitled, 1940. FOTO: Tsuneko Sasamoto / Japan Professional Photographers Society)

Uma mostra coletiva, que se estende até 3 outubro no The Metropolitan Museum of Modern Art (Met) em Nova York, apresenta uma proposta que homenageia mulheres que transformaram a fotografia ao redor do mundo. Abordando especialmente uma seleção de trabalhos de mulheres entre 1920 e 1950, o museu busca trazer uma visão sobre o papel pioneiro dessas fotógrafas e suas contribuições. Em The New Woman Behind The Camera estão 185 fotografias de 120 fotógrafas de várias nacionalidades que tiveram papel crucial e se destacaram por sua atuação precursora.

Ao ser encerrada na instituição nova-iorquina, a mostra irá itinerar para a National Gallery of Art, em Washington, onde poderá ser visitada de 31 de outubro de 2021 a 30 de janeiro de 2022. A exposição em curadoria de Andrea Nelson, curadora associada no Departamento de Fotografias da National Gallery of Art, e a apresentação do Met tem organização da curadora Mia Fineman e da assistente de pesquisa Virginia McBride, ambas membros do Departamento de fotografias do museu.

Ilse Bing, Autorretrato com Leica, 1931. FOTO: ILSE BING ESTATE

São mostradas fotografias de nomes como Ilse Bing, Lola Álvarez Bravo, Claude Cahun, Florestine Perrault Collins, Elizaveta Ignatovich, Dorothea Lange, Lee Miller, Niu Weiyu, Tsuneko Sasamoto, Gerda Taro, and Homai Vyarawalla, desenrolando-se em cenas variadas, podendo ser autorretratos ou mesmo olhares do cotidiano nas ruas, abarcando um elenco de fotógrafas de diversas origens. O museu pontua que esta é a primeira exposição com uma abordagem internacional sobre esse universo: “The New Woman Behind the Camera examina o trabalho pioneiro das mulheres em uma série de gêneros, desde experimentação de vanguarda e prática de estúdio comercial a documentário social, fotojornalismo, etnografia e esportes, dança e fotografia de moda”.

Desta forma, a exposição também procura quebrar o estigma das temáticas abordadas por fotógrafas mulheres, que muitas vezes foi colocada em um espaço considerado “feminino” em uma visão preconceituosa limitadora, como o da moda. Assim, destacam-se trabalhos como os de Marjorie Content, Eslanda Goode Robeson e Anna Riwkin, que viajaram pelo mundo documentando projetos etnográficos por suas lentes, e de Lee Miller, Tsuneko Sasamoto, Thérèse Bonney, Galina Sanko e Gerda Taro, que foram fotógrafas de guerra e também do pós-guerra.

Fotógrafo desconhecido, Homai Vyarawalla fotografando Ganesh Chaturthi em Chowpatty Beach, Bombay, por volta dos anos 1930. FOTO: Homai Vyarawalla Archive / The Alkazi Collection of Photography)

Para Max Hollein, diretor Marina Kellen French do Met: “O escopo internacional deste projeto não tem precedentes. Embora a New Woman seja muitas vezes considerada um fenômeno ocidental, esta exposição prova o contrário, reunindo fotografias raramente vistas de todo o mundo e apresentando uma história global e cheia de nuances da fotografia. As mulheres apresentadas são responsáveis por mudar a direção da fotografia moderna, e é estimulante testemunhar as realizações desses extraordinários praticantes”.