Denilson Baniwa: artista e indígena

Denilson Baniwa é um artista que está muito à frente nas discussões que se formam sobre o que seria ou se existiria uma “arte indígena” ou um “artista indígena”, como um rótulo limitador. Essas discussões têm permeado vários debates com mais força de uns anos para cá, tendo em vista o interesse que tem sido demonstrado, especialmente por acadêmicos e curadores, nas teorias decoloniais e anticoloniais. Essa presença marcante de Denilson não tem só a ver com estar em um “lugar de fala”, mas também expressar suas ideias e opiniões com muito didatismo, muita intelecção e muita acessibilidade.

denilson baniwa “Natureza Morta 2”, 2017,
Natureza Morta 2, 2017

Nascido em um comunidade do povo Baniwa, no município de Barcelos, no Amazonas, sempre foi muito participativo no ativismo pelos povos indígenas. Só recentemente, durante um trabalho como designer gráfico que fazia na exposição Djá Guatá Porã, que aconteceu no Museu de Arte do Rio (MAR), se descobriu artista. A conversa com os curadores da mostra o levou a encarar mais seu trabalho como uma expressão artística.

Pajé-Onça Hackeando a 33ª Bienal de Artes de São Paulo, 2018

Daquele momento até agora, Denilson participou de uma série de exposições e foi convidado para fazer muitas intervenções, além de participar de rodas de conversa, palestras e conferências. Seus trabalhos se expandiram e multiplicaram. Em 2019, foi o vencedor do Prêmio PIPA Online, um dos prêmios mais importantes da arte contemporânea brasileira. Essa categoria elege o ganhador a partir de uma escolha feita pelo público.

O artista utiliza de diversas linguagens das artes visuais em seus trabalhos, sendo elas gravuras, pinturas, desenhos, performances, dentre outras. Ele também é um dos fundadores de um projeto pioneiro e muito importante nas comunicações no país: a rádio Yandê. Desde novembro de 2013, a rádio atua na difusão e na valorização da cultura indígena.

Dentro das temáticas que aborda em sua produção está principalmente um desmistificação do que é “ser indígena”, buscando afastar do imaginário de uma sociedade urbana uma ideia passada e equivocada do que foi e do que é pertencer a uma comunidade indígena no Brasil.

O pensamento de Denilson nunca é individualista. Em todos os seus discursos e sua postura, faz questão de trazer consigo que é importante que outros artistas que são indígenas sejam conhecidos e que seus trabalhos sejam valorizados e incorporados no escopo da arte contemporânea brasileira, das instituições, na academia, nas galerias. Segundo ele, é essencial que as pessoas questionem o tempo todo onde estão os artistas indígenas e quais trabalhos eles fazem, pois há uma produção extremamente vasta e que tem que ser abraçada pelo universo da arte.