Juliana Cerqueira Leite explora origens da cerâmica paraense em mostra

Segunda individual de Juliana Cerqueira na Casa Triângulo, em São Paulo, a exposição online Hotel Marajoara traz o resultado das pesquisas da artista em torno da cerâmica que é usada como matéria-prima para objetos decorativos que são produzidos no norte do país, especialmente no Pará. A curiosidade da artista sobre esses objetos vem desde criança, quando seu tio trabalhava comercializando peças que levava de lá para São Paulo. Em suas investigações, ela chegou à informação de que essa cerâmica tem origem em urnas funerárias ameríndias, que foram produzidas há milhares de anos naquela região.

O título da mostra deriva do nome dado a esses objetos: marajoaras, justamente por estarem muito vinculados às peças que eram produzidas por grupos pré-colombianos que faziam parte dessa cultura, assim como os Maracás e Aristés. Três réplicas de urnas funerárias, uma referente a cada uma dessas culturas também são apresentadas na mostra. Elas foram criadas pelo projeto Replicando o Passado. As obras que Juliana apresentam nessa exposição dialogam de forma muito potente com essas urnas, em diferentes suportes, como uma série de esculturas, desenhos, vídeo e colagem digital.

Animais Mediados, 2020. FOTO: Filipe Berndt

Essa é a segunda exposição individual de Juliana na galeria, que também inclui na mostra trabalhos da artista que advêm de sua pesquisa sobre o corpo humano. São obras que falam sobre o corpo em decomposição, ligando-se também à questão das urnas funerárias.

Hotel Marajoara é apresentada de forma virtual até 28 de agosto. Você pode acessá-la clicando aqui.

Ficções Anatômicas 01, 2020. FOTO: Filipe Berndt